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Quanto Vale ou É por Título? Cruzeiro: das páginas imortais ao rebaixamento

Ildenilson Meireles Barbosa

Para quem começou a ter acesso a um aparelho de TV somente em fins dos anos 1970 certamente cresceu ouvindo jogos de futebol em meio a um entusiasmo sempre transmitido em rádio, aparelho mais comum para os eventos populares. Principalmente nas regiões mais periféricas do país como o Norte de Minas Gerais, onde a TV era um luxo e um privilégio, aqueles de pouca idade, pois nascidos ainda no calor das comemorações da conquista histórica do Tricampeonato Mundial da seleção brasileira, puderam experimentar as belas narrativas esportivas de dois times já consagrados como times grandes do futebol nacional.

Surgiram para a eterna rivalidade. Um, alvinegro, o Clube Atlético Mineiro, primeiro campeão brasileiro em 1971 e que busca incansavelmente, perto de completar 50 anos do título inédito, sua segunda conquista; outro, azul celeste, o Cruzeiro Esporte Clube, que só alcançou o feito do maior rival depois de mais de 30 anos, no ano de 2003, mas teve a sorte de ver seu título da Taça Brasil de 1966 reconhecido como título nacional.

Detalhe importante, essa conquista se deu em cima do Santos de Zito, Carlos Alberto Torres, Pepe e Gilmar, ou simplesmente do Santos de Pelé. O reconhecimento desse título colocaria o Cruzeiro em vantagem na quantidade de títulos nacionais, mas antes disso o time celeste já havia conquistado duas Copas Libertadores, em 1976 e 1997, o que lançara o Cruzeiro em destaque nos cenários nacional e continental, além de dois títulos da Supercopa dos Campeões da Libertadores e os seis títulos da Copa do Brasil conquistados a partir de 1993. Mais que a quantidade dos títulos até então conquistados, ficaram marcados na história do clube o modo como foram conquistados e as várias formações importantes do time.

Desde o Palestra Itália da década de 1930 passando pelo Cruzeiro tricampeão mineiro em 1959-1961 – era o time de Procópio, Amauri, Hilton Oliveira, Massinha e Emerson – até o último título do campeonato brasileiro em 2014, aliás, bicampeonato 2013/2014, o Cruzeiro sempre teve times muito bem montados. É certo que há a última conquista da copa do Brasil em 2018, mas isso é outra história e é a partir dela que começará a virada das páginas imortais ao rebaixamento.

Por ora, gostaria de me concentrar nessa trajetória impressionante do time Azul Celeste das Minas Gerais com o intuito de alcançar, em outra ponta, uma análise mais substancial acerca da tese de que, no Brasil, sem exceção, os títulos conquistados pelos clubes custam um preço muito alto aos cofres do próprio clube e ao coração do torcedor. Não há um time que tenha em sua galeria de troféus um título importante e em sua camisa uma estrela brilhando orgulhosamente uma grande conquista que não tenha, por isso mesmo, caído em desgraça financeira ou confiscado a alegria do seu torcedor em algum momento.

Sejam as derrotas humilhantes para os rivais, sejam as várias temporadas de jejum de títulos, nada se compara ao vexatório rebaixamento. Desde que a segundona se tornou a vergonha nacional, o Fluminense inaugurou essa saga do descenso em 1996 e engatou atrás de si Botafogo, Palmeiras, Vasco, Grêmio (que já havia caído em desgraça em 1991, mas sem muito barulho), Internacional, Atlético Mineiro, Corinthians, só pra ficar em alguns. Todos times grandes, com títulos importantes e com histórias invejáveis.

E essa sina chegou a Minas com o Galo, sem contar as inúmeras vezes com o América. É o que o Galo é time de massa e o impacto da tristeza pelo rebaixamento é proporcional à paixão pelo time. O abalo é sísmico. Mas é sempre injusto contar parte da história e se fixar apenas no que há de pior.

Cruzeiro comemora a conquista da Copa do Brasil de 2017 sobre o Flamengo. Foto: Pedro Martins/Mowa Press.

O título do Atlético Mineiro de 1971 é uma prova disso. Um título glorioso. O primeiro campeonato nacional. O primeiro campeão. Depois de Dadá Maravilha, Vandelei, Vantuir e Odair, comandados pelo memorável Telê Santana, viriam ainda Reinaldo, Palhinha, Luizinho, Paulo Isidoro, Eder Aleixo, Toninho Cerezo e toda a década de 1980 com um time que todos sabíamos a escalação de olhos fechados. Hexa campeão mineiro, deixou o maior rival, o Cruzeiro, no chinelo; confrontou com altivez o seu adversário mais encarniçado da década, o Flamengo, em dois momentos cruciais. Vice-campeão brasileiro em 1980, amargou derrota no Maracanã com 2 gols de Reinaldo que certamente faria outros dois gols se estivesse cem por cento em campo. Mas o Flamengo tinha Nunes, goleador implacável, e cultivava um jardim de craques. Não acho que houve, até hoje, uma final de brasileirão mais emocionante e disputada como aquela!

Em 81, em nova disputa, desta vez pela Libertadores, foi injustiçado pela arbitragem e o título ficou com o Flamengo em disputa contra o chileno Cobreloa. Perder 1980 e 1981 para o Flamengo, um dos melhores times do país naquela década, parecia, ao contrário do que se pode pensar, reforçar o fato de que o Atlético se manteria como uma das melhores equipes nas disputas nacionais. E foi justamente o que aconteceu. Enquanto o Galo se tornava o time da massa, mesmo sem a conquista de um título nacional, o seu maior rival não passava de uma pálida ameaça. Para um time que havia registrado sua marca nas décadas de 1960 e 1970, conquistou Libertadores da América, venceu de forma digna e inquestionável o Santos de Pelé, formou o Esquadrão Imortal com jogadores como Tostão, Piazza, Nelinho, Joãozinho, Natal, Dirceu Lopes e Raul, dentre tantos outros craques que se imortalizaram na memória do clube, os anos 80, a “década perdida”, parecia cobrar o preço das conquistas gloriosas, principalmente da Libertadores, a um preço altíssimo.

Com a popularização da TV, a década de 1980 já nos dava a chance de ver todos os jogos do time do coração. Mas em Minas, só se via mesmo o Galo. Soberano. Vencedor. Pelo rival, se via, a duras penas, figuras estranhas como Bendelak, Dedé do Dora, Tobi, dentre tantos outros “cabeças de bagre”, para lembrar a expressão do saudoso arqueiro atleticano Kafunga.

As únicas boas lembranças da década perdida foram Tostão, contratado pelo Cruzeiro no início dos anos 1980 logo após uma exibição impecável do atleta pelo Mixto do Mato Grosso e que se tornaria carrasco do Galo e ídolo da Azul Celeste, Ademir, Luiz Antônio, Douglas, e não dá pra forçar muito a barra. Numa década, somente 2 títulos mineiros, 1994 e 1997. A parte boa dessa história é que os campeonatos regionais eram maravilhosos, disputadíssimos, com rivalidade à flor da pele! Dava gosto de ver.

A década de 1980 do Galo forte e vingador, que fez o Cruzeiro sumir das páginas esportivas dos jornais, pode ser comparada à década de 1960 do Esquadrão Imortal comandado pelo príncipe Dirceu Lopes que fez o Atlético comer poeira com o pentacampeonato entre 1965/69 e abriu ao meio o eixo Rio/São Paulo com a conquista nacional em 1966.

Mas a década do Galo estava por passar e viria, logo em seguida, uma nova década vitoriosa do Cruzeiro. Aliás, as décadas. A transição dos anos 1980 por que passava o Cruzeiro envolvia, em sua primeira parte, disputa política pela direção do clube, crise financeira, péssimas contratações, escassez de títulos, ascensão do maior rival. Em sua segunda parte, mudança de diretoria, – de Brandi para Furletti, de Furletti para a dinastia dos irmãos Masci (Benito, Salvador e César Masci, dinastia que passou a bola para os irmãos Perrela) -, reestruturação do clube, venda de ídolos do time (Nelinho foi para o Atlético), a conquista do mineiro de 1987 celebrada como se fosse uma Libertadores, e o Cruzeiro chega aos anos 1990 já reestruturado e completamente modificado. Parecia reconquistar o brio, as finanças, a torcida.

Os títulos? era somente questão de tempo… Com um time mesclado entre veteranos e jovens promessas, o Cruzeiro se sagrou campeão mineiro em 1990 com um gol de Careca. A partir daí será possível resumir a história que fez o Cruzeiro merecer a alcunha de “guerreiro dos gramados”. Além de Ademir, Hamilton, Careca, Adilson, todos do time de 1990, os avanços em 1991 foram significativos. Marco Antonio Boiadeiro, Célio Gaucho, Nonato, Charles e Luis Fernando engrossaram o caldo e conquistaram a Super Copa dos Campeões da America, em dois jogos espetaculares com o River Plate.

Perdida a primeira partida para os argentinos por 2 a 0, o Cabuloso tinha a difícil missão de ganhar por diferença de gols, caso quisesse ser campeão. E ganhou. 3 a 0. Como de praxe, e recuperando a tradição do time, Enio Andrade montou esquema ofensivo, partiu pra cima do River e ficou com a taça. E veio 1992, a segunda disputa da Super Copa, já com Paulo Roberto, Luizinho, Douglas, Renato Gaúcho, Roberto Gaúcho e ainda Boiadeiro, Nonato, Célio Lucio. Novamente um time argentino na final, 90 mil torcedores no primeiro jogo no Mineirão, 4 a 0 contra 1 a 0 do segundo para o Racing, Cruzeiro novamente campeão.

Henrique, Arrascaeta e Thiago Neves comemoram o título da Copa do Brasil de 2017. Foto: Pedro Martins/Mowa Press.

E chegou a primeira Copa do Brasil no ano seguinte, 1993. Um apagão pegou a torcida de surpresa, já acostumada à sequência de títulos e bons espetáculos, quando o time, em 1994, quase foi rebaixado por causa de uma participação horrível no campeonato brasileiro. Salvo pelo regulamento, o Cruzeiro ficou alerta e se reforçou para o ano seguinte. A paisagem do time já contava com Dida, Gelson Baresi, Ricardinho, Belletti, Paulinho McLaren e ainda o goleador Roberto Gaúcho, além do incansável Nonato. Nesse ano, Campeão da Copa Ouro em cima do São Paulo. E ainda estamos na década de 90, na primeira metade, e o Cruzeiro já deu mostras de que o melhor estaria por vir e o seu torcedor se enchia de orgulho. Chegamos, enfim, ao roteiro de conquistas em um dos torneios em que o Cruzeiro ganhou mais títulos e fama de “time copeiro”.

Depois de 1993, A Copa do Brasil de 1996, conquistada contra o Palmeiras, foi apimentada por Palhinha, Marcelo Ramos, Cleisson, Fabinho e Vitor. Depois veio a consagração com o segundo título da Copa Libertadores, em 1997, e “La Bestia Negra” conquistava de vez a América! Em 1999, amargou derrota para o maior rival nas quartas de final do campeonato brasileiro, mas voltaria no ano seguinte para conquistar sua terceira Copa do Brasil contra o São Paulo. E nesse ano de 2000 ganhou um dos seus maiores ídolos, o argentino Juan Pablo Sorín. Dois anos de clube e se tornara embaixador da China Azul!

E o Cruzeiro, em 2003, era de Gomes, Maicon, Murinho, Cris, Luisão, Edu Dracena, o chileno Maldonado, o baixinho Augusto Recife, Martinez, Aristizábal e Marcio Nobre, Deivid, tinha até o Felipe Melo e o Mota. E cá pra nós, era o Cruzeiro do Alex! Era o ano do Alex! Era o ano da Tríplice Coroa! Campeão Brasileiro, da Copa do Brasil e do Mineiro, talvez tivesse sido campeão da Libertadores se pudesse disputar o torneio naquele ano.

Novamente má fase em 2004, troca de treinadores, reajustes, dispensas e contratações, derrota na final do mineiro de 2005 para o Ipatinga, a única coisa a se comemorar nesse ano foi a queda do Atlético para a segunda divisão. E a comemoração se seguiu ano a dentro comme il faut nos termos da boa rivalidade mineira. A queda do Galo para a segundona, no momento em que o Cruzeiro esbanjava títulos e boas equipes, só aumentava a distância entre um e outro e acirrava a rivalidade.

Em 2006 o Cruzeiro ganha o estadual e fica nisso. No ano de 2009, com um time bem competitivo, com Kléber Gladiador na arena, disputou uma Libertadores de dar inveja e conseguiu perder a final, em casa, contra o Estudiantes. Dois anos depois, em 2011, foi um dos períodos mais críticos para a torcida. Péssimo campeonato brasileiro, lutou desde o início para não ser rebaixado e levou a última chance para o derradeiro jogo justamente contra o Galo.

Até o início da partida, tudo parecia estar perdido. Dependendo de resultados, o empate não seria boa coisa. E não é que milagres acontecem no futebol e os times tem a chance de pagar pelos pecados cometidos contra o futebol! O Cruzeiro aproveitou o milagre, mas não pagou seus pecados. Essa fatura seria cobrada mais tarde, a juros altíssimos. O histórico 6 a 1, ainda não vingado pelo rival (alguém duvida que o será?), é motivo até então de disputa das torcidas. 2012/2013, Cruzeiro bicampeão brasileiro e somando já quatro títulos nessa competição, não havia qualquer dúvida de que o Cruzeiro era time grande e que conquistar títulos era sua sina inequívoca.

Com esse mote, e como forma de provocação ao arquirrival, a torcida adotou o enunciado maldito “time grande não cai!”, que agora só pode ser entoado por Santos, São Paulo e Flamengo, sem saber ela que o pior estava por vir, que futebol é devir e que sua paixão não suportaria facilmente ver o time descer ladeira abaixo e o clube se despedaçar. E toda a China Azul teve que pagar pra ver. Assistiu passivamente durante vários anos, os anos da bonança e da fartura de troféus e estrelas na camisa, ao assalto promovido pela gestão dos Perrella. Exercia o oficio do torcer apaixonado sem, no entanto, se perguntar quanto custaria (aos cofres e ao coração) cada título conquistado, cada estrela desenhada no peito, cada ingresso pago. Quanto Vale ou É por Título?

Torcida do Cruzeiro tenta incentivar o time na derrota contra o Palmeiras que decretou o rebaixamento para a Série B de 2020. Foto: Vinnicius Silva/Cruzeiro.

Copa do Brasil de 2018, – e aqui retomo aquela “outra história”… -, Cruzeiro campeão, clube já dando sinais de que a tempestade seria devastadora, disputas políticas acirradas, o abismo se anunciava e o vento soprava empurrando em direção à segundona. Tudo conspirava, mas os crentes mais fanáticos não confiaram nos signos dos Deuses do Olimpo e desmereceram a desgraça a que todos os clubes de futebol no Brasil estão sujeitos. Não se perguntaram, como no geral os torcedores não se perguntam, Quanto vale um título? Qual o preço a se pagar por uma grande conquista?

No caso do Cruzeiro, o preço tem sido exorbitante e a dívida tende a se acumular. Diretoria em páginas policiais, ameaças de morte de dirigentes e jogadores, contratos inimagináveis a jogadores medíocres, enriquecimento de dirigentes com salários astronômicos, contratação irresponsável de treinadores de ocasião, dispensa irresponsável de treinador a mando de jogadores, afastamento de dirigente por decisão judicial, time completamente decaído numa disputa de pontos corridos, briga ininterrupta nos bastidores do clube.

Selado o irreversível rebaixamento para a segunda divisão, renúncia induzida de dirigentes, conselho de notáveis para transição (todos grandes empresários…) e o Cruzeiro se transformou em empresa cuja falência já estava antecipadamente decretada. Os abutres do futebol, sempre torcedores bem intencionados que “querem ajudar o clube”, tentam a todo custo liquidar a marca azul celeste no mercado e lucrar com a crise. À gigante e apaixonada torcida, sobrou o vexame de ver o clube passar da boa imagem de gestão dos anos 90 e 2000 com os Perrella (na verdade, uma falsa imagem…) a um clube sem gestão, endividado, desorganizado e irresponsável financeiramente. E cinicamente o próprio Perrella surgiu nesse cenário como solução a uma crise que parece de agora, mas de fato gerada na sua gestão “vitoriosa”.

Sobrou ainda à torcida passar pelo desespero durante todo o ano de 2019 em ver seu time desclassificado, em menos de uma semana, nas semifinais da Copa Libertadores e da Copa do Brasil, com direito a abandono do cargo por Mano Menezes e contratação de uma esperança de reação, Rogério Ceni, demitido pelo grupo de Thiago Neves.

Aos empresários/gestores sobraram os cofres particulares abarrotados, a liberação das páginas policiais, as desculpas esfarrapadas, a falta de caráter, o amor às cifras altas das negociatas e dos campeonatos conquistados. Como o futebol não perdoa, parecia decidido pela Moira que o Cruzeiro passaria mesmo das páginas imortais à condição dos reles mortais.

O rebaixamento em si mesmo, como resultado de uma disputa medíocre de um campeonato, já chega a ser, para um time que se consagrou como time grande, um vexame. Quando a queda vem recheada de elementos extracampo, como má gestão do clube, contratações irresponsáveis e vários ilícitos administrativos durante anos, o preço que se paga não pode ser mesmo pequeno.

Mas quem, de fato, paga o preço? Quanto vale a paixão por um clube de futebol e por seu time? Ou é por título?

Nunca te abandonei e jamais vou te abandonar. Então, não nos abandone Cruzeirão cabuloso #fé, dizia o cartaz do torcedor cruzeirense. Foto: Bruno Haddad/Cruzeiro.

Em qualquer circunstância, a queda para a segundona é um vexame para um time de primeira linha. Como na vida tudo é um aprendizado e o acontecimento é implacável, só resta ao torcedor, apesar da indignação, se resignar e permanecer no ressentimento com um passado que não se pode mudar, ou aceitar o factum e levar adiante a transfiguração do passado numa outra história por vir.

Ao torcedor do Cruzeiro, ainda ferido e envergonhado como rebaixamento, é preciso aprender que o futebol é arte, que a vida imita a arte, que temos a arte do futebol para não sermos sufocados pela banalidade do cotidiano e que em futebol é como na vida. Os fracassos estão para ser superados, e com maestria. É preciso torcer com a leveza dos gols de Pelé; amar o time do coração com a garra do maestro Don Diego Armando Maradona; ir ao estádio com a alegria dos dribles d’El Mago Ronaldinho Gaúcho; sofrer pelo time com a elegância do Príncipe Dirceu Lopes e jogar uma segundona com a mesma dignidade do seu maior rival. 

Como citar

BARBOSA, Ildenilson Meireles. Quanto Vale ou É por Título? Cruzeiro: das páginas imortais ao rebaixamento. Ludopédio, São Paulo, v. 127, n. 29, 2020.