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Romário: a trajetória de um dos maiores gênios na área

Quem nasceu na década de 2000 e vê hoje o baixinho Romário de Souza Faria desfilando pelos corredores de Brasília, de terno, defendendo os interesses da população com seu mandato de Senador pode até não se lembrar dele em campo já que o craque pendurou as chuteiras em 2007. Entretanto, é completamente impossível que nunca tenha ouvido falar que aquele foi um dos maiores gênios do futebol desse país.

Foto oficial de Romário, senador pelo Rio de Janeiro. Foto: Wikipedia.

Dos gramados do Estrelinha, time infantil montado por seu pai, para a carreira de jogador iniciada com sucesso no Olaria mas ganhando absoluto destaque a partir da ida para o Juvenil do Vasco da Gama, a ascensão de Romário foi meteórica.

Ganhador de diversos títulos na base do Vasco no início da década de 80, o Baixinho rumou aos profissionais em 1985, onde demonstrou seu talento ao lado de Roberto Dinamite e buscou o bicampeonato carioca em 87/88.

Ainda em 1988, conduz a seleção brasileira à final das Olimpíadas ficando com a medalha de prata, e chama atenção dos dirigentes do PSV Eidhoven. Já pelo clube holandês é também convocado para a disputa da Copa América pela seleção brasileira, que não conquistava o torneio havia mais de 40 anos. Com gol do Baixinho na final contra o Uruguai, o Brasil conquista o campeonato e o atacante assume de vez o posto de uma das maiores estrelas do futebol mundial.

Infelizmente, meses antes da Copa do Mundo de 90, na Itália, sofreu uma contusão e acabou indo para a Copa fora das condições ideais, tendo entrado somente em um jogo contra a Escócia, ainda na fase inicial, antes da eliminação para a Argentina.

Apesar do fracasso na Copa, Romário seguiu com sua trajetória em ascensão pelo PSV até ser contratado pelo Barcelona em 1993, dando shows intermináveis pelos gramados espanhóis. Estando afastado da seleção brasileira devido a críticas ao treinador Carlos Alberto Parreira por tê-lo deixado na reserva em um amistoso no final do ano anterior, é submetido ao primeiro clamor popular por sua convocação já que a seleção acumula seguidos fracassos e corria o risco de ficar de fora de uma Copa do Mundo pela primeira vez em sua história.

Romário marcando um dos seus gols mais lembrados com a camisa da seleção. Foto: Framme/Reprodução.

O jogo decisivo das Eliminatórias, contra o Uruguai, em 1993 no Maracanã, é mais um dos episódios emblemáticos da carreira de Romário. Convocado para o jogo que decidiria se o Brasil iria ou não a Copa, mais uma vez o Baixinho protagoniza um show, fazendo os dois gols da classificação brasileira e da vitória por 2 a 0 sobre os uruguaios. Esse se tornaria o primeiro capítulo da consagração que viria no ano seguinte.

Em 1994, Romário foi o principal nome a conduzir junto com Bebeto, a seleção brasileira ao seu tetracampeonato mundial, após 24 anos sem conquistar a Copa. Com gols decisivos, dribles, e infernizando as defesas adversárias junto com Bebeto, Romário, além de campeão, foi eleito o melhor jogador do mundo.

Romário foi o principal jogador do Brasil na campanha do tetracampeonato, nos Estados Unidos, em 1994. Foto: Reprodução/Business Insider.

Em uma impensável transferência para época, tomou o caminho inverso dos dias de hoje e no auge da carreira saiu do Barcelona e veio jogar no Brasil, pelo Flamengo, arquirrival do Vasco, clube pelo qual havia sido revelado para o mundo. Ficou marcado o episódio em que o Baixinho avisa que a torcida do Vasco deveria passar a levar lenços para o Maracanã, pois iria chorar bastante.

Entretanto, a trajetória pelo Flamengo, apesar de repleta de amor com a torcida e destaque individual, foi marcada pela escassez de conquistas relevantes. Após 5 anos jogando pelo clube, Romário se envolveu em episódio polêmico e foi trazido de volta ao Vasco pelo dirigente Eurico Miranda.

De volta ao Vasco, Romário voltou ao seu cenário de conquistas, mas vive uma relação de amor e ódio com a torcida, diferente do período em que defendia o clube nos anos 80 e também da relação que viveu com a torcida do Flamengo.

De qualquer forma, o Baixinho foi absolutamente decisivo na conquista do Campeonato Brasileiro em 2000, e também da história virada de 4×3 do Vasco contra o Palmeiras, marcando a conquista da Mercosul, uma das maiores viradas da história do futebol mundial, ficando conhecida como a virada do século após estar perdendo por 3 a 0. Cabe dizer que esse foi um dos últimos grandes times do Vasco, que hoje vive as voltas seguidamente com rebaixamentos, e sendo um dos clubes menos cotados para a conquista do campeonato nacional segundo casas de apostas esportivas online, como a Betway Esportes. As atuações de Romário pelo Vasco foram tão decisivas que mesmo com cerca de 35 anos de idade não fosse por mais uma polêmica com o treinador Luis Felipe Scolari teria sido uma das peças de mais uma conquista da Copa do Mundo pelo Brasil, o pentacampeonato.

O Baixinho ainda teve carreira de relevante sucesso por mais um rival carioca, o Fluminense, conduzindo o clube até a semifinal do brasileiro em 2002.

Romário buscando a bola de seu milésimo gol. Foto: Reprodução/Twitter.

Em 2005, de volta ao Vasco, o Baixinho chegou à artilharia do Campeonato Brasileiro, quebrando mais um recorde ao ser o mais velho artilheiro do campeonato brasileiro em toda história, com 39 anos de idade. Dois anos depois, chegou ao polêmico milésimo gol de sua carreira, pouco antes de encerrá-la e ganhar uma merecida estátua no estádio do clube que o revelara.

Se na política sua carreira não tem tido tanto destaque, nos gramados não dá pra deixar de afirmar, Romário foi um dos maiores jogadores do futebol mundial em todos os tempos, em níveis só reservados a jogadores eternos como Pelé e Maradona.