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Say no to hypocrisy: a FIFA e seu inócuo combate ao racismo no futebol

Marcel Diego Tonini

Koulibaly, Renee Hector, Andressa Alves, Ari, Serginho, Danny Rose, Hudson-Odoi, Sterling, Kean, Jonas, Dyego Sousa, Eduardo, Salah, Young… Vítimas de casos de racismo ou xenofobia no futebol neste começo de 2019, fora outros sem um alvo específico. Os episódios se avolumam semana após semana, ano após ano, sem que medidas efetivas sejam tomadas pelas autoridades e entidades do esporte. Nesse sentido, a pergunta chave é: como estão combatendo o racismo no futebol? O que federações, organizações, clubes e atletas têm feito para lutar contra esse problema social que está dentro e fora dos gramados? Com o intuito de elaborar uma série sobre o assunto, abordo neste texto a forma como a FIFA tem lidado com a questão.

Cabe inicialmente uma breve recapitulação. A migração de futebolistas sul-americanos e africanos, principalmente, para a Europa é um processo em curso desde pelo menos o fim da Segunda Guerra Mundial. Indícios em prol de uma livre circulação de atletas profissionais tornaram-se evidentes no início da década de 1980, com a alteração nos regulamentos relativos aos jogadores estrangeiros nas principais ligas europeias. O caso Bosman, no entanto, datado de 15 de dezembro de 1995, continua a ser visto como a causa, por vezes o culpado, dessa desregulamentação, e não como uma desculpa para tal, como assinalam Lanfranchi e Taylor (2001). Diria que a Lei Pelé (1998), no Brasil, é vista do mesmo modo ainda hoje.

A ida de milhares de pés de obra para o mercado europeu acarretou, obviamente, mudanças na identidade social, fossem nos clubes que contrataram tais jogadores, fossem nas nações que os receberam. Embora esteja inserido em um processo muito maior de deslocamentos populacionais, este que envolve futebolistas é peculiar exatamente por ser visível, pelo fato de o futebol ser popular e gerar notícias a todo instante, ainda mais hoje na era digital. O ponto é que essa alteração da ordem “natural” das coisas não foi e não é aceito por uma parcela significativa de torcedores, que reagem de maneira violenta a essa imposição do mercado global, aproximando-se cada vez mais das bandeiras da xenofobia e do racismo. Não é coincidência, portanto, que ultras e hools cresceram no mesmo compasso em que se abriu o futebol europeu para estrangeiros, em especial para negros.

Desde o fim dos anos 1970, casos de racismo e xenofobia têm acontecido de maneira mais frequente e grave no futebol. Na passagem da década de 1980 para 1990, foram surgindo movimentos de outro tipo de torcedor, preocupados com a escalada do fenômeno dentro dos estádios. Uma das ações para policiar e intimidar ultras e hools, por exemplo, foi a produção de fanzines específicos, sendo particularmente comuns na Inglaterra. Aos poucos, parte desses torcedores se uniu e transformou pequenos movimentos antirracistas em associações formais, as quais começaram a pressionar os próprios clubes e as autoridades futebolísticas para fazerem mais contra o racismo. A Kick It Out, a Football Unites, Racism Divides e a Show Racism The Red Card, fundadas respectivamente em 1993, 1995 e 1996, são exemplos disso na Inglaterra (KASSIMERIS, 2009).

Iniciativas semelhantes também foram feitas em vários outros países europeus como Itália, Alemanha e Polônia. A direção caminhava para a formação de uma entidade europeia contra o racismo, o que se deu em 1999, quando mais de 40 organizações se juntaram em Viena para debater a questão, fundando a FARE (Football Against Racism in Europe). Patrocinada desde o início pela Comissão Europeia, corpo executivo da União Europeia, não tardou para ser apoiada pela UEFA (em 2001) e, posteriormente, pela FIFA (também em 2001). Não é coincidência, assim, que a questão tenha sido debatida no Congresso Extraordinário da entidade máxima do futebol, em Buenos Aires, exatamente no primeiro ano do novo milênio, em 7 de julho.

Após a recorrência e o aumento do número de casos, a FIFA tinha de tomar providências e assumir sua responsabilidade enquanto organizadora da prática oficial do futebol em todo mundo. A princípio, a reunião que contava com a presença das 202 associações-membro, de organizações não governamentais e de outros representantes exatamente para debater formas e meios de eliminar o racismo do futebol mostrava-se como um grande passo no combate a este “fenômeno indesejável”, conforme foi descrito (FIFA CONFERENCE…, 2001, tradução minha). Contou com o apoio de muitas pessoas que ofereceram sua imagem, discurso e reputação para o evento, tais como Pelé, tido como maior atleta de todos os tempos, e Lilian Thuram, líder da seleção francesa campeã da Copa do Mundo de 1998, ambos negros.

Nesse congresso extraordinário, diversos temas-chave emergiram no debate:

1. O racismo é mal e precisa ser eliminado;

2. Suas origens estão fora do futebol na sociedade mais ampla;

3. Para extingui-lo, é necessária a cooperação de todos os órgãos interessados, dentro e fora do futebol;

4. O planejamento a longo prazo é essencial para o sucesso. (FIFA CONFERENCE…, 2001, tradução minha).

Joseph Blatter, presidente da FIFA entre 1998 e 2015. Foto: Wikipedia.

Segundo o site da FIFA, o então presidente da FIFA, Joseph Blatter, a quem coube a palavra final, é claro, sugeriu que um grupo de trabalho e instituições permanentes já estavam estabelecidos “para garantir que políticas sejam promulgadas, os objetivos sejam atingidos e a vigilância contra o racismo seja mantida”. Ao término, chegou a dizer: “Agora chegou o momento de começar a trabalhar nesta questão.”. Quem não sabia dos escândalos noticiados pela imprensa já naquela época, aos quais seu nome estava envolvido, poderia até acreditar em suas palavras jogadas ao vento. Ainda assim, era realmente bonito e esperançoso ouvir algo que deveria ser obrigação de uma entidade desse porte, qual seja a de que, embora a origem do racismo fosse histórica e social, “o futebol, dado seu alcance global, poder e influência tem o dever de agir de maneira responsável e progressiva.” (FIFA CONFERENCE…, 2001, tradução minha). O tempo, como veremos, revelaria a falácia desse discurso.

Nos anos que se seguiram, a FIFA adotou várias ações crescentes para demonstrar seu suposto verdadeiro interesse na questão. Em 2002, começou a realizar dias mundiais contra a discriminação e o racismo, recebendo o apoio de outras celebridades futebolísticas, tais como Sir Bobby Charlton, Michel Platini e Mia Hamm. Em 2004, adotou um novo Código de Ética, no qual inseriu um artigo sobre não discriminação, o qual estipulava que

As pessoas vinculadas por este Código não ofenderão a dignidade ou a integridade de um país, pessoa privada ou grupo de pessoas através de palavras ou ações desdenhosas, discriminatórias ou denigratórias [cabe lembrar que o uso desta palavra é politicamente incorreto] por causa de raça, cor da pele, etnia, nacionalidade, origem social, gênero, deficiência, língua, religião, opinião política ou qualquer outra opinião, status sexual ou outro, orientação sexual ou por qualquer outro motivo. (FIFA, 2018, p. 20, tradução minha).

Banner da FIFA colocado no centro do gramado durante a Copa do Mundo de 2006, na Alemanha. Foto: Björn Láczay/Flickr.

Em janeiro de 2006, a FIFA estabeleceu uma aliança estratégica com a FARE. Lançou em abril a campanha “Say no to racism” (Diga não ao racismo, em tradução livre). Na Copa do Mundo da Alemanha, grandes faixas com esses dizeres foram exibidas com destaque durante as formalidades pré-jogo, enquanto mini spots antirracismo foram disponibilizados “gratuitamente” (vejam só!) para todas as emissoras de TV do torneio (FIFA AGAINST…, 2011). De uma fantasia típica de políticos ardilosos, Blatter descreveu um mundo fictício que pouco tem a ver com a realidade no interno e no entorno do futebol:

Estou convencido de que a nossa aliança com a FARE é mais uma pedra angular na nossa luta contra o comportamento racista vergonhoso. Disseram-me que a rede de monitorização da FARE nos estádios de futebol e nos seus arredores não testemunhou incidentes importantes. É prova de que estamos no caminho certo. […] Mas precisamos que todos os fãs do belo jogo façam sua parte. Somos todos embaixadores do futebol e juntos, agora que desenvolvemos o jogo e tocamos o mundo, é hora de usar o futebol para construir um futuro melhor. (5th ANTI-DISCRIMINATION…, 2006, tradução minha, grifos meus).

Certamente, o ex-mandatário não considerava “importantes” incidentes como, por exemplo, o alerta da própria FARE para que estrangeiros negros evitassem a região oriental da Alemanha, onde poderiam sofrer discriminação devido à maior presença de neonazistas (BUENO, 2006, p. D10), e as imitações de macacos feitas por torcedores espanhóis em direção aos jogadores franceses nos arredores do estádio de Hanôver, denúncia esta feita pelo treinador Raymond Domenech (RACISMO…, 2006, p. D5). Cabe lembrar que, logo no início daquela Copa, o então diretor de comunicações da FIFA, Alain Leiblang, admitira apenas a possibilidade de punições contra indivíduos, em especial torcedores, mas não contra equipes, o que não condizia com o que a própria entidade tinha previsto nos meses anteriores, tais como interdição de estádios e perdas de pontos. Em suas palavras: “Isso não será possível na Copa.” (FIFA PUNE…, 2006, p. D9).

Ainda em 2006, a FIFA aprovou uma emenda em seu então artigo 55 do Código Disciplinar, permitindo que sanções muito mais rigorosas fossem impostas após atos de racismo e discriminação no futebol, do qual falarei adiante. No ano de 2007, a entidade máxima do futebol usou a partida amistosa “90 minutos para Mandela”, em homenagem aos 89 anos do líder sul-africano, cuja renda foi destinada à fundação com seu nome, também para combater o racismo. O jogo foi disputado entre um combinado africano, vestido todo branco e que contou com a presença de Eto’o, Weah e Amokachi, por exemplo, e um time do resto do mundo, cujo uniforme era inteiro preto e no qual atuaram, entre outros, Gullit, Karembeu e Pelé. A partida foi televisionada para mais de 150 países em todo o mundo.

Em 2010, na Copa do Mundo da África do Sul, a FIFA estipulou as datas dos jogos das quartas de final como os dias antidiscriminação. Antes do apito inicial, como parte do protocolo oficial, os capitães de ambas as seleções nacionais em disputa leram mensagens a fim de encorajar jogadores, dirigentes e torcedores ao redor do mundo para dizer “não” a toda e qualquer forma de racismo. Em seguida, todos os jogadores se abraçaram, um de cada equipe intercaladamente, e posaram para fotos atrás de uma grande faixa com os escritos “Say no to racism”. Em algumas situações, já que essa ação se repetiu na Copa do Mundo de 2014, a forma como alguns desses capitães leram tais mensagens escritas por outrem evidenciou a falta de envolvimento deles com a campanha, não talvez por não apoiarem a causa, mas por estarem evidentemente concentrados e preocupados com a partida. Possivelmente, tenha sido por essa razão que, na Copa do Mundo de 2018, tais mensagens foram apenas reproduzidas pelo sistema de som e imagem dos estádios, não contando mais com a participação dos capitães das equipes.

Vejamos, então, o que diz o Código Disciplinar da FIFA. Na edição atual, datada de 2017, a capa apresenta uma imagem do árbitro paraguaio Carlos Amarilla aplicando um cartão amarelo a um jogador. Abro um parêntese aqui: em junho de 2015, escutas telefônicas indicaram que Amarilla teria beneficiado deliberadamente o clube argentino Boca Juniors na Copa Libertadores da América, em um esquema envolvendo o ex-presidente da AFA, Julio Grondona (GRAVAÇÕES…, 2015). Curiosamente, em dezembro daquele mesmo ano, o árbitro paraguaio deixou o quadro internacional (AMARILLA…, 2015). A FIFA não poderia ter escolhido imagem melhor para ilustrar a capa de tal documento, reafirmando sua negligência em relação ao Fair Play e à corrupção, apesar de seu falacioso discurso oficial. Fecho o parêntese. O Artigo 58 trata especificamente da “Discriminação”:

1. a) Qualquer pessoa que ofenda a dignidade de uma pessoa ou grupo de pessoas por meio de palavras ou ações desdenhosas, discriminatórias ou denigratórias relativas à raça, cor, idioma, religião ou origem, deve ser suspensa por pelo menos cinco partidas. Além disso, uma proibição de estádio e uma multa de pelo menos 20 mil francos suíços serão impostas. Se o perpetrador for um dirigente, a multa será de no mínimo 30 mil francos suíços.

b) Onde várias pessoas (dirigentes e/ou jogadores) do mesmo clube ou associação violarem simultaneamente semelhantes. 1 a) ou haja outras circunstâncias agravantes, a equipe em questão pode ser deduzida três pontos para uma primeira ofensa e seis pontos para uma segunda afronta; uma ofensa adicional pode resultar em rebaixamento para uma divisão inferior. No caso de jogos em que nenhum ponto é concedido, a equipe pode ser desclassificada da competição.

2. a) Onde os torcedores de uma equipe violarem semelhantes. 1 a) Em uma partida, uma multa de pelo menos 30 mil francos suíços será imposta à associação ou ao clube em questão, independentemente do exame da conduta culposa ou da fiscalização culposa.

b) Ofensas graves podem ser punidas com sanções adicionais, em particular uma ordem para jogar uma partida com portões fechados, a perda de uma partida, uma dedução de pontos ou desqualificação da competição.

3. Espectadores que violarem semelhantes. 1 a) deste artigo devem ser banidos dos estádios por pelo menos dois anos. (FIFA, 2017, p. 31, tradução minha).

A simples existência desse código é um passo importante, sem dúvida. A partir do momento em que normas são estipuladas para punir condutas dessa natureza, espera-se seu cumprimento. Quando isso não acontece, a impunidade passa a ser um problema, incentivando indiretamente a ocorrência de novos casos. Em determinadas situações, a aplicação da lei tem sido maior ou menor de acordo com o perpetrador, seja ele um jogador de renome, seja ele uma equipe tradicional. Há que se notar ainda que a FIFA transferiu aos árbitros a responsabilidade de relatar um acontecimento desses na súmula. Caso relatem, estão passíveis de sofrer todo tipo de pressão (inclusive, por parte de torcedores em sua vida fora do futebol) e represália, em especial dos dirigentes de clubes e federações. A experiência vivida por Márcio Chagas da Silva é notória e serve como exemplo disso (WILKSON, 2019).

A mão pesada da lei tem recaído apenas contra torcedores, ainda assim quando eles são identificados. Por muito tempo, ainda hoje diga-se, usou-se a desculpa da dificuldade de comprovar a identidade de aficionados quando atos são cometidos coletivamente ou por grandes grupos. Ora, a FIFA não é a maior responsável pela arenização e, consequentemente, pelo estado de vigilância e controle excessivo em relação ao torcedor? Será que, diante de tantos aparatos tecnológicos que ela impõe aos estádios em suas competições, ela realmente é incapaz de identificar quais aficionados estão discriminando os mais variados atores do universo do futebol, sejam eles do seu time, sejam eles adversários? Os ingressos não são vendidos através de seu site, sendo que cada um deles tem o registro de uma pessoa física e um código de barras? Por que então tamanha dificuldade? Ela não age por desinteresse e por politicagem.

Jogadores brasileiros e uruguaios seguram a faixa Say no to racism na Copa das Confederações de 2013. Foto: Rafael Ribeiro/CBF.

Lembremo-nos da Copa do Mundo de 2014, sediada no Brasil. Oportuna e convenientemente chamada de “a Copa contra o racismo”, tanto pelo governo federal brasileiro quanto pela FIFA, mostrou-se como mais uma inócua medida tomada pela entidade máxima do futebol no combate ao racismo nesse esporte (DILMA…, 2014). O resultado não poderia ter sido outro. De acordo com a FARE, ocorreram catorze casos de racismo, discriminação ou propaganda neonazista nos estádios brasileiros no decorrer do megaevento (CHADE, 2014). Ou seja, o lema proposto para a Copa foi não só esquecido como revelou desconexão entre o discurso e a prática.

As próprias reações negativas à presença de futebolistas estrangeiros e a insistente tentativa de implementar quotas para jogadores não comunitários, tanto por parte da FIFA quanto da UEFA, evidenciam como as campanhas antirracistas dessas instituições não espelham o pensamento nem o real interesse em combater o racismo no futebol. São meras formalidades oficiais para responder a um clamor da sociedade. Diante de declarações xenofóbicas, medidas inócuas e punições irrisórias, tais episódios continuaram a acontecer por todo o mundo, em especial na Europa. Nos anos de 2013 e 2014, a FARE e a SOVA Center, organização não governamental que pesquisa nacionalismo e racismo na Rússia pós-soviética, levantaram mais de 200 casos de comportamento discriminatório ligado ao futebol naquele país (JÚNIOR, 2015). Se a FIFA realmente levasse a sério o combate ao racismo, teria levado a Copa do Mundo de 2018 exatamente para esse país? Será que ela não estava a par dessas informações? Não, não sejamos ingênuos, por favor.

Em geral, o enfrentamento dessa questão, quando muito, para no nível mais baixo da estrutura hierárquica do futebol, qual seja a dos torcedores. E em relação a jogadores, treinadores, árbitros, dirigentes de clubes, federações e confederações? Esse questionamento, por si só, revela as limitações e a fragilidade do movimento antirracista no futebol, uma vez que ele se volta quase que exclusivamente para combater o problema na esfera mais baixa. Pior, organizações não governamentais, como a FARE por exemplo, têm se deixado ser encampadas e usadas pelas entidades futebolísticas, as quais não só se valem disso para demonstrar um suposto interesse com a causa como se eximem de sua responsabilidade no tocante à questão. De que adianta desenvolver projetos e produzir relatórios se as conclusões das ONGs não são ouvidas? Ademais, pouco se discute o racismo institucionalizado nas federações e nos clubes, os quais com raríssimas exceções abrem espaço para que negros ocupem cargos de comando, sejam administrativos, sejam técnicos. Isso se mostra ainda mais problemático quando se nota que a maioria dessas funções é assumida por ex-atletas profissionais, sobretudo na posição de treinador.

Apesar de o mundo ter assistido a ida de milhares de futebolistas estrangeiros e negros para a Europa desde os anos 1980, foram pouquíssimos os que conseguiram romper essa barreira racial na estrutura do futebol. Com ou sem boicote em Copas do Mundo, como foi sugerido pelo atleta Yaya Touré em relação ao mundial na Rússia (VÍTIMA…, 2013), o futuro não parece ser promissor para mudança desse quadro. Em minha análise, a FIFA combate o racismo do mesmo modo que é transparente e que combate a corrupção. Parece ter parado em 2006, quando lançou a campanha “Say no to racism”, como se faixas fossem suficientes para reeducar pessoas e para combater um problema tão complexo. O futebol, dessa maneira, coloca-se na contemporaneidade como um campo simbólico de disputas, capaz de canalizar identidades e tensões, reproduzir dilemas e valores sociais, sendo mais um meio de propagação do discurso racista.

 

Referências

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AMARILLA deixa de ser árbitro FIFA e cogita aposentadoria no fim do ano. UOL Esporte, São Paulo, 23 out. 2015. Disponível em: <https://esporte.uol.com.br/futebol/ultimas-noticias/2015/10/23/amarilla-deixa-de-ser-arbitro-fifa-e-cogita-aposentadoria-no-fim-do-ano.htm>. Acesso em: 20 abr. 2019.

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DILMA publica mensagem no Twitter contra racismo. Portal Brasil, Brasília-DF, Brasil, 9 mar. 2014. Disponível em: <http://www.brasil.gov.br/governo/2014/03/dilma-publica-mensagem-no-twitter-contra-o-racismo>. Acesso em: 9 mar. 2014.

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FIFA FAZ campanha após denúncia. Folha de S.Paulo, São Paulo, p. D5, 29 jun. 2006.

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GRAVAÇÕES indicam que Grondona roubou Santos de Pelé e escolheu Amarilla para apitar Corinthians x Boca. ESPN Brasil, São Paulo, 22 jun. 2015. Disponível em: <http://www.espn.com.br/noticia/520745_gravacoes-indicam-que-grondona-roubou-santos-de-pele-e-escolheu-amarilla-para-apitar-corinthians-x-boca>. Acesso em: 20 abr. 2019.

JUNIOR, Gonçalo. Combater o racismo é o principal desafio da Rússia para 2018. O Estado de S.Paulo, São Paulo, 11 abr. 2015. Disponível em: <http://esportes.estadao.com.br/noticias/futebol,combater-o-racismo-e-o-principal-desafio-da-russia-para-2018,1667705>. Acesso em: 11 abr. 2015.

KASSIMERIS, Christos. Anti-racism in European football. Lanham: The Rowman & Littlefield, 2009.

LANFRANCHI, Pierre; TAYLOR, Matthew. Moving with the ball: the migration of professional footballers. Oxford/Nova York: Berg, 2001.

VÍTIMA de racismo, Touré ameaça boicote de negros na Copa da Rússia. Globoesporte, Manchester, 25 out. 2013. Disponível em: <http://globoesporte.globo.com/futebol/liga-dos-campeoes/noticia/2013/10/vitima-de-racismo-toure-ameaca-boicote-de-negros-na-copa-da-russia.html>. Acesso em: 25 out. 2013.

WILKSON, Adriano. “Matar negro é adubar a terra”: comentarista de arbitragem da Globo denuncia agressões racistas que ouviu no campo e na cabine. UOL Esporte, São Paulo, 29 abr. 2019. Disponível em: <https://esporte.uol.com.br/reportagens-especiais/marcio-chagas-denuncia-racismo/index.htm>. Acesso em: 29 abr. 2019.