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Tite está entre a ginga e os dois toques

Luciano Victor Barros Maluly

Ao assumir o comando da Seleção Brasileira de Futebol, o técnico Adenor Leonardo Bachi, o Tite, não só recuperou, mas também manteve o prestígio da equipe canarinho. Agora, os críticos querem mais (muito mais) do comandante.

Gostaram do começo do trabalho do treinador quando daquela série de bons resultados e da classificação antecipada à Copa do Mundo da Rússia, em 2018. Logo depois, ficaram desiludidos com a mudança tática na Copa, especialmente com a fraca atuação de Neymar e a insistência em manter Willian como titular. Atualmente, querem uma mudança radical no estilo de jogo implantado na equipe.

Os jornalistas e os torcedores parecem ter uma desconfiança do treinador que ajudou a seleção a não ser um problema nacional. Esses estão perdendo a paciência e, caso Tite não promova uma transformação no time, a pressão será insuportável.

Tite no primeiro treino da seleção principal masculina em Abu Dhabi, em novembro de 2019. Foto: Lucas Figueiredo/CBF.

Bons jogadores estão disponíveis, como as revelações Talles Magno (Vasco da Gama), Bruno Henrique (Flamengo), Rodrygo e Vinícius Júnior (Real Madrid), entre outros jovens atletas, como os recentes campeões mundiais sub-17. Desses garotos, renasce uma característica que poderá recuperar a imagem da equipe verde-amarela – a ginga.

No meio do ano, junto com um jornalista e pós-doutorando na Escola de Comunicações e Artes da Universidade de São Paulo, Edwaldo Costa, acompanhei um treino da Seleção Brasileira na Granja Comary, antes da Copa América. Só para constar, esse foi o dia da denúncia do suposto estupro envolvendo o atacante Neymar.

A CBF liberou 15 minutos à imprensa para assistir uma atividade de dois toques. Pensei comigo que poderia ser um tempo destinado ao drible – técnica rara na atual seleção brasileira –, com cada jogador trabalhando a criatividade em campo.

Portanto, seria interessante mesclar os garotos com o time titular que deu certo no início do trabalho de Tite. Essa decisão seria uma atitude “em tese” semelhante à tomada pelo treinador da França, Didier Deschamps. Para isso, seria necessário o retorno de Paulinho e Renato Augusto ao meio-campo (o que pode gerar críticas ao atual planejamento) e o resgate da credibilidade de Neymar (dentro e fora do campo). Do jeito que está jogando, a seleção se afasta do sonho brasileiro alicerçado na arte de driblar os problemas da vida.