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Cronologia das torcidas organizadas (XI): Torcida Jovem da Ponte Preta

Bernardo Borges Buarque de Hollanda, Vitor dos Santos Canale

Nota explicativa. Esta série é parte integrante do projeto “Territórios do Torcer – uma análise quantitativa e qualitativa das associações de torcedores de futebol na cidade de São Paulo”, desenvolvida entre os anos de 2014 e 2015, com o apoio da FAPESP.A pesquisa foi realizada em parceria pelo CPDOC, da Fundação Getúlio Vargas (FGV), e pelo Centro de Referência do Futebol Brasileiro (CRFB), equipamento público vinculado ao Museu do Futebol/Secretaria de Cultura do Estado de São Paulo. Na primeira fase da publicação, foi apresentado um total de 10 torcidas organizadas da cidade de São Paulo. O propósito informativo inicial desta série foi compartilhar breves apontamentos cronológicos sobre a história e a memória das associações de torcedores paulistanos. Em seguida, propôs-se a continuação da série, com a incorporação de mais 3 torcidas, desta feita pertencentes à cidade de Campinas: Torcida Jovem da Ponte Preta; Guerreiros da Tribo; e Fúria Independente, as duas últimas torcidas organizadas vinculadas ao Guarani Futebol Clube.

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A Associação Atlética Ponte Preta (A.A.P.P.) é um clube da cidade campineira, situada no interior do estado de São Paulo. Fundada em 11 de agosto de 1900, é nos dias de hoje o segundo clube mais antigo do país a manter seu departamento de futebol em funcionamento.

A história do futebol na cidade de Campinas remete à última década do século XIX. Escolas, como o Gymnasio Culto à Ciência, e as colônias inglesa e alemã começaram a praticar o esporte moderno, codificado na Inglaterra na segunda metade do Oitocentos, durante o período vitoriano. Os estrangeiros chegavam à cidade para os ofícios relacionados à lavoura de café e à ferrovia da Companhia Paulista e trouxeram novos hábitos civilizadores, entre eles a prática esportiva.

No bairro da Ponte Preta, localidade que recebeu esse nome por haver ali uma edificação que ligava a redondeza ao centro da cidade, o futebol começou a ser praticado em 1899, sob influência do engenheiro escocês Thomaz Scott e do alemão Theodor Kutter. Estes dois, Kutter e Scott, viam na prática do futebol um meio para que garotos brasileiros e estrangeiros da região tivesse um passatempo saudável e não se envolvessemem distúrbios e confusões.

Os treinos realizados na chácara do capitão João Vieira da Silva resultaram em 1900 na fundação da Associação Atlética Ponte Preta, uma homenagem ao bairro e à sua comunidade, que reunia brasileiros e estrangeiros relacionados à Companhia Paulista. A empresa responsável pelos trens da cidade exercia tamanha influência no bairro que a data de fundação do clube, 11 de agosto, fora escolhida por ser também o dia da inauguração dos trilhos férreos na cidade.

Ao longo de sua história, a Ponte Preta consolidou sua identidade como uma agremiação atrelada ao imaginário das classes populares campineiras, em oposição ao seu principal adversário, o Guarani Futebol Clube, fundado majoritariamente por descendentes de italianos, em 1911. A rivalidade entre as equipes perdura até os dias atuais e é uma das responsáveis por uma identidade binária, a opor alvinegros versus alviverdes; populares vs elite; time de negros vs time de brancos. Representações que se tornam estereótipos e nem sempre se coadunam com a história social de ambos os clubes.

Nas primeiras décadas do século XX, a rivalidade dos derbies se expressava nos campeonatos municipais, em que a Ponte Preta acumula dez títulos. O mesmo ocorria nas primeiras participações dos times locais no Campeonato Paulista. Enquanto os ponte-pretanos participaram do torneio estadual organizado pela LAF (Liga dos Amadores de Foot-ball) em 1928 e 1929, os bugrinos integraram a APEA (Associação Paulista de Esportes Atléticos), entre 1927 e 1929. A partir de 1930, com a extinção da LAF, passou a existir um único campeonato. (STORTI & FONTENELLE, 1997)

No início da década de 1940, a Ponte Preta montou seu primeiro coletivo de torcedores, que, apoiados pela diretoria do clube, usavam roupas similares no intuito de incentivar a equipe, aos moldes dos agrupamentos de torcedores que surgiam no mesmo período na capital, como a pioneira TUSP (Torcida Uniformizada do São Paulo), originária do Grêmio São-Paulino, de 1939. Contudo, não foi possível saber quais os motivos levaram à extinção dessa torcida ponte-pretana ainda durante a década de 1940.

Os alvinegros mandaram suas partidas em diversos locais ao longo da sua história: o Estádio da Júlio de Mesquita, cuja propriedade será perdida em razão de uma série de dívidas acumuladas; o Hipódromo do Jóquei Clube de Campinas, adaptado à prática do futebol; o “Pastinho”, apelido do Estádio do Guarani; e o estádio Dr. Horácio Antonio da Costa, que pertencia à Mogiana.

Em 1943, sob influência de Moysés Lucarelli, surgiu a ideia da construção de um estádio para a Ponte Preta. O terreno escolhido foi a Chácara Maranhão, localizada na Rua Proença. O dinheiro necessário à construção foi arrecado por doações de associados e torcedores que eram publicadas no jornal Diário do Povo. Em 1946, o clube lançou a “Campanha do Tijolo”, que em dois meses arrecadou 250 mil tijolos e, em 1947, a “Campanha do Cimento”, que somou 2500 sacos. Muitos torcedores auxiliaram inclusive com seu próprio trabalho na construção do estádio, fazendo o frete do material de construção em seus próprios caminhões e carregando tijolos.

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Torcida da Ponte Preta ao lado do seu estádio. Foto: Fábio Soares/Futebol de Campo.

A Ponte Preta, mesmo antes da conclusão das obras, inaugurou seu estádio para a disputa do Campeonato Paulista da segunda divisão de 1948. Pela sua grandiosidade, mesmo sem nome definido, o estádio já era apelidado de “Majestoso” e a expectativa da diretoria era de que as rendas das partidas auxiliassem no término da vultuosa construção. Na primeira partida realizada em seu novo estádio, a Ponte Preta não obteve êxito, foi derrotada por 3 a 0 pelo XV de Novembro de Piracicaba, no dia 12 de setembro de 1948.

A partir de 1949, o estádio, ainda sem nome, começou a ser chamado pela imprensa campineira de estádio Moisés Lucarelli, em homenagem ao principal mentor do projeto. No entanto, a grafia correta do primeiro nome do dirigente era com “y” ao invés de “i”. As obras, incluindo a iluminação para jogos noturnos e salão nobre, foram concluídas apenas em 1960.

Entre 1930 e 1948, a primeira divisão do Campeonato Paulista de Futebol era exclusiva às equipes de São Paulo e de Santos, ficando vedada a participação dos times do interior. Depois disto, a Ponte Preta conquistou o acesso em 1950 e, em 1951, classificou-se em sétimo lugar em sua primeira participação no Campeonato Paulista pós-profissionalização. A equipe consolidou-se como uma das forças futebolísticas do interior paulista durante as décadas de 1950 e 1960. Em 1970, a Ponte Preta sagrou-se vice-campeã paulista, ao lado do Palmeiras, e credenciou-se à disputa do Campeonato Brasileiro do mesmo ano.

Um ano antes, em 1969, estudantes da Escola Estadual Professor Aníbal de Freitas decidiram fundar uma torcida em apoio à Ponte Preta. Em 23 de março de 1969, surgia a Força Jovem, que pouco tempo depois se tornaria a Torcida Jovem Ponte, atualmente também conhecida pelo acrônimo TJP. A primeira diretoria foi composta pelo presidente, Sidnei Antônio Verginelli; pelo vice-presidente, Maurício Lombardi; o secretário, Pedro Bonfilho Zini Neto; e o tesoureiro, Laércio Ferreira de Freitas. A torcedora símbolo da Ponte Preta, Donana foi escolhida para ser a sócia número 1 da TJP.

A Torcida Jovem Ponte nasceu sob o apoio do presidente do clube, Sérgio José Abdalla, que cedeu à torcida 50 camisas do clube, para que cobrissem os primeiros gastos dos jovens. A ideia de montar uma banca da torcida no Largo do Rosário, região central da cidade de Campinas, foi um sucesso e rapidamente a TJP já reunia 500 associados. Como forma de incentivo, o clube concedia ainda o espaço do salão social para os “bailinhos” e as comemorações festivas da torcida.

Durante seus primeiros anos, a Torcida Jovem Ponte não possuía sede própria, porém a diretoria ponte-pretana cedia uma sala nas dependências do estádio Moisés Lucarelli. As reuniões, por sua vez, eram feitas nas arquibancadas. Nas palavras do fundador, Maurício Lombardi, “a gente abria essa parte da frente do estádio e ali a gente colocava 1.500, 1.600 pessoas só para fazer uma reunião para tratar de assuntos de como a gente ia disputar o campeonato, como ia fazer as inscrições, o vestuário que a gente ia usar, as bandeiras que nós íamos fazer”.

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Torcedores da Ponte Preta no Majestoso. Foto: Fábio Soares/Futebol de Campo.

A década de 1970 e o início da década seguinte foi o período das maiores campanhas da história do clube campineiro, com a disputa de quatro finais do Campeonato Paulista (1970, 1977, 1978 e 1981) e o terceiro lugar no Campeonato Brasileiro de 1981. Durante esse período, a Torcida Jovem Ponte organizou grandes caravanas para acompanhar a equipe alvinegra na capital e em outros estados. Uma das caravanas históricas foi para a partida entre Ponte Preta e Vasco, realizada no Parque Antártica, no dia 23 de setembro de 1970. A torcida do time campineiro congestionou a Rodovia Anhanguera com carros, ônibus e caminhões para apoiar o alvinegro na capital. Em 1976, uma nova caravana mostrou o envolvimento da torcida ponte-pretana: mais de 100 ônibus foram ao estádio do Pacaembu acompanhar a vitória da Ponte Preta contra a Portuguesa no dia 10 de novembro.

Na mesma década, surgiram outras torcidas organizadas da Ponte Preta. Em 1975, Eduardo Poli criou a Ponterror; no final da década de 1970 surgiu a torcida Pontênis, que reunia os associados do Tênis Clube de Campinas nas cadeiras vitalícias sob o comando de Biléo; e, em 1981, sob liderança de Deaciso e Wilson Donizete, foi criada a Serponte. Existiram durante o período vários outros grupos de torcedores com uma vida efêmera nas arquibancadas, situação comum a diversos clubes durante a primeira década das torcidas organizadas.

A primeira e principal rivalidade da Torcida Jovem da Ponte foi com a Torcida Guerreiros da Tribo (GTO), representante do Guarani. Os enfrentamentos físicos entre os dois grupos eram esporádicos e tinham por motivação encontros ocasionais em dias de jogos. O Dérbi, clássico que reúne o alvinegro e o alviverde campineiros, é o espaço privilegiado para as representações da rivalidade entre as duas equipes. Nas palavras de Maurício Lombardi, a torcida ponte-pretana tinha direito às duas cabeceiras do estádio Brinco de Ouro da Princesa, enquanto a torcida bugrina mal comparecia aos dérbis no estádio Moisés Lucarelli, quando iam eram levados em caminhões pela polícia no percurso de 800 metros que separa os clubes.

Apesar da inimizade entre a Torcida Jovem da Ponte e a Torcida Guerreiros da Tribo, o diálogo entre as lideranças era frequente na primeira década das entidades. Antes dos Dérbis era de praxe a reunião no 1° Batalhão da Polícia Militar, em que o comando da polícia discutia as estratégias de segurança com representantes dos clubes e das duas torcidas organizadas. Nessas reuniões, eram abordados os materiais que cada torcida poderia portar para a festa, a exemplo de papel picado, talco, rolos de papel higiênico, bandeiras de mastro de bambu ou cano, instrumentos de bateria, bandeirões, dentre outros adereços. Era ainda previamente acertado o espaço a ser ocupado por cada torcida no dia do jogo, bem como o trajeto de chegada dos visitantes.

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Torcida Jovem da Ponte Preta em ação. Foto: Fábio Soares/Futebol de Campo.

O contato entre as torcidas campineiras se prolongava na atuação da ATOESP (Associação das Torcidas Organizadas do Estado de São Paulo). A associação, fundada em 1976, contava com torcidas organizadas de Corinthians, Santos, São Paulo, Palmeiras, Portuguesa, sendo estas sediadas na capital, e as duas torcidas organizadas campineiras. Os encontros entre as lideranças das torcidas eram realizados na sede dos Gaviões da Fiel, na rua Santa Ifigênia, e tinham por intuito reivindicarem mudanças no universo do futebol em prol dos torcedores, organizados ou não. As idas e vindas de Campinas para São Paulo fortaleceram as relações entre os representantes da Torcida Jovem Ponte e da Torcida Guerreiros da Tribo. Na visão do representante alvinegro, Maurício Lombardi, era produtivo desenvolver alianças pontuais com os bugrinos para que os interesses das torcidas do interior não fossem determinados pelas entidades da capital. Desta forma, a rivalidade local era contornada em determinados momentos e tornava-se uma aliançacontingencial em prol de interesses comuns.

As relações entre as torcidas da Ponte Preta e do Guarani tornaram-se mais violentas a partir da década de 1990. A tradicional rival Torcida Guerreiros da Tribo perdeu espaço nas arquibancadas alviverdes para a Torcida Fúria Independente (TFI), criada em 1995. Foi contra a Torcida Fúria Independente que a Torcida Jovem Ponte desenvolveu sua mais violenta rivalidade. A partir da segunda metade da década de 1990, passaram a ser frequentes as notícias de enfrentamentos com a utilização de bombas, armas de fogo, torcedores feridos e mortos.

Em 2004, Alex Barbosa, integrante da TJP foi espancando e morto na fila do INSS em Campinas por torcedores ligados à Torcida Fúria Independente. Anos depois, em 2012, durante um ‘Dérbinho’, clássico entre os times sub-15 e sub-17, torcedores de Guarani e Ponte Preta entraram em confronto no estádio Brinco de Ouro da Princesa. Nem a presença de oitenta policiais na partida das categorias de base foi suficiente para conter o enfrentamento entre torcedores de Guarani e Ponte Preta, que causou a morte de Anderson Rodrigues, o Ansu, integrante da Torcida Fúria Independente. Poucos dias depois bugrinos atacaram ponte-pretanos, após a partida entre Ponte Preta e Sapucaiense-RS, pela Copa do Brasil.

Ainda em 2012, o Promotor Roberto Senise Lisboa pediu a dissolução das torcidas Torcida Jovem Ponte, Serponte, Guerreiros da Tribo e Torcida Fúria Independente em Campinas, e mais diversas torcidas da capital, sob a alegação dos reincidentes atos de violência cometidos pelas agremiações.

A Ponte Preta e o Guarani não se enfrentaram entre os anos de 2013 e 2017, enquanto os alvinegros viviam um momento de protagonismo com sucessivas campanhas na primeira divisão do Campeonato Paulista e Brasileiro, e um vice-campeonato da Copa Sul-americana em 2013; os alviverdes militavam nas divisões inferiores do campeonato nacional e estadual.

Nas palavras de Thatá, atual relações públicas da Torcida Jovem Ponte, a campanha na Copa Sul-americana de 2013 foi particularmente marcante para a torcida alvinegra. A torcida foi de avião à Argentina para a partida contra o Velez Sarsfield e viu seu time vencer o adversário por dois a zero e classificar-se às semifinais do torneio continental. Para as finais, novamente contra um clube argentino, o Lanús, a Torcida Jovem Ponte organizou uma caravana de sete ônibus, que durou 5 dias de viagem. O segundo jogo da final, que fora realizado no estádio do Pacaembu, envolveu uma caravana de mais de 40 ônibus da TJP.

Contudo, nem a falta de Dérbis bastou para pacificar as relações entre as torcidas. Poucos dias antes do reencontro entre as equipes, em partida válida pelo primeiro turno do Campeonato Brasileiro da Série B, no ano de 2018, novos incidentes entre a Torcida Jovem da Ponte e a Torcida Fúria Independente ocorreram.

Mesmo com “torcida única”, medida tomada a pedido do Ministério Público do estado, houve confronto nas ruas e adjacências do estádio entre os torcedores rivais. As versões são contraditórias, porém o que se pode concluir até o presente momento foi a existência de um encontro: duas vans com torcedores da Ponte Preta estacionaram nas proximidades da casa de um líder da Torcida Fúria Independente. O torcedor bugrino saiu de sua casa atirando contra os ponte-pretanos e acabou por ferir letalmente o membro da Torcida Jovem Ponte, Leonardo Bernardes.

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A Ponte Preta é conhecida como “A Macaca”. Foto: Fábio Soares/Futebol de Campo.

Segundo Thata, a ideia nunca foi invadir a casa do torcedor bugrino. Para a torcedora, as novas gerações de torcedores organizados, muitas vezes, não têm o apego ou a compreensão da história da entidade, ou acham que os confrontos violentos com os adversários não terão represálias do poder público, o que tem sido cada vez mais frequente. Para a torcedora essa situação atrapalha o trabalho daqueles que querem o bem da Torcida Jovem Ponte. Afirma ainda que a troca de tiros não faz parte da cultura torcedora, mas que algumas torcidas organizadas rompem esse pacto moral.

Como punição, a pedido do procurador do Ministério Público de São Paulo, Paulo Sérgio de Castilho, a Ponte Preta jogará com “torcida única” ao longo de todo o ano de 2018. Nas partidas “em casa”, apenas ponte-pretanos. A torcida fica proibida de comparecer fora de seus domínios. A medida punitiva refere-se à invasão do gramado e à perseguição de alguns jogadores durante a última partida do Campeonato Brasileiro de 2017, em que a Ponte Preta foi derrotada por 3 a 2 pelo Vitória, em Campinas, resultado que rebaixou o time alvinegro à Série B nacional.

Para a relações públicas da Torcida Jovem da Ponte, o Ministério Público está certo em sua proposta de combater a violência nos estádios, porém as atitudes tomadas em relação à sua torcida são excessivamente repressivas, em suas palavras: “O M.P. parecia não estar vendo o que estava acontecendo aqui em Campinas e eles simplesmente explodiram isso tudo de uma vez só, e parece que a maior parte de tudo recaiu sobre a Torcida Jovem, a gente está precisando colocar o jurídico da torcida para trabalhar como meio de dar um respaldo para amenizar e resolver os prejuízos trazidos. Essas punições vieram por conta dos dez últimos anos.”

Na visão de Maurício Lombardi, um dos fundadores da Torcida Jovem da Ponte, a rivalidade mudou muito ao longo do tempo, bem como a chamada “ideologia” das torcidas organizadas. Os embates que ocorriam durante os anos 1970 e 1980 não eram programados e nem se utilizavam de armas de fogo. Tratava-se de encontros ocasionais, gerados muitas vezes pelas condições estruturais do futebol. Atualmente, os confrontos fazem parte de uma sequência interminável de revanches e vinganças entre as torcidas dos dois clubes.

Para mudar a apreciação que a sociedade tem das torcidas organizadas e ajudar ao próximo, a entidade tem em seu calendário uma série de ações sociais, como a Campanha do Agasalho e eventos na Páscoa, Dia das Crianças e Natal. A Torcida Jovem Ponte organizou ainda uma campanha para as famílias desalojadas no incêndio que afetou o Jardim Carlos Lourenço em Campinas, arrecadando alimentos e roupas.

Para além do futebol, vale dizer que, em 1999, a Torcida Jovem Ponte fundou sua Escola de Samba. Seguindo o exemplo das TOs paulistanas, ingressou no carnaval campineiro e foi batizada de Ponte Preta Amor Maior. Suas melhores colocações nos desfiles carnavalescos foram os 4 terceiros lugares seguidos,alcançados entre 2008 e 2011. No ano de 2014, a Escola amargou um sétimo lugar, o que rebaixou a agremiação para o grupo de acesso. Em 2015,a Amor Maior venceu o grupo de acesso com o samba-enredo “Mar… A fonte da vida, o alimento, o mistério e o fascínio”. Contudo, a escola não conseguiu desfilar novamente no grupo especial, pois desde 2016 os desfiles das escolas de samba em Campinas foram cancelados pela prefeitura, por falta de verba.

A sede da Torcida Jovem Ponte fica na Rua Thomaz Ortale, número 74, a poucos metros do portão principal do estádio Moisés Lucarelli. A torcida possui ainda uma loja na Rua Uruguaiana, 276, ambas em Campinas. E seu presidente atual é Carlos Eduardo, o Cadu. Atualmente a escolha do presidente é feita pelo Conselho da TJP, porém, de acordo com Thata, o projeto da torcida para o futuro é que todos os sócios possam participar do processo eleitoral.


 

Bibliografia consultada

André Pécora & Stephan Campineiro. Ponte Preta: a torcida que tem um time. Campinas: Pontes, 2010.

Valmir Storti & André Fontenelle. A história do Campeonato Paulista. São Paulo: Publifolha, 1997.