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Futebol e política: conheça a união ANTIFA – AEK Athenas, Marseille e Livorno

Gabriel de Oliveira Costa

Futebol é política desde o exercício inspirado em críquete era praticado na Escócia e posteriormente na Inglaterra. Com base nos principais eventos da geopolítica internacional, torcidas de futebol adotaram linhas ideológicas nas arquibancadas por grande parte do mundo. Na Europa, epicentro das duas grandes Guerras Mundiais, e continente de ascensão do fascismo e nazismo, era de se esperar que a partir da meta final do século XX, simpatizantes de esquerda e direita se assumissem nos estádios.

Puxando pelo lado direitista, podemos citar os “Ultras” – denominação das torcidas organizadas europeias, de Legia Varsóvia/POL, Paris Sáint-Germain/FRA, Zenit St. Petersburgo/RUS, Lazio/ITA e outras simpatizantes por inúmeros países. E nesta linha de raciocínio, também existem os Ultras esquerdistas. Representados pelas torcidas do Rayo Vallecano/ESP, St. Pauli,/ALE Besiktas/TUR, Standard Liége/BEL,  AEK/GRE, Marseille/FRA e Livorno/ITA.

Foto: Reprodução Facebook

Aliança ANTIFA

Presentes em diversos países, nas mais variadas divisões, a comunidade ANTIFA representa os torcedores que se promovem ou manifestem contra atitudes ou rivais denominados fascistas. Ainda que os clubes apoiados ideologicamente por rivais, não necessariamente estejam no mesmo país, em partidas de Champions ou Euro League, são comum embates. Mas você sabia que por trás desta união ANTIFA, 3 clubes encabeçam os manifestos?

AEK Athenas, Olympique de Marseille e Livorno. Clubes de torcidas completamente ligadas com a classe operária em suas regiões, lideram o seleto grupo nas arquibancadas. Historicamente Marseille (região portuária francesa) recebeu imigrantes expulsos do regime ditador de Franco, na Espanha. A cidade também é repleta de portugueses, argelinos e italianos deslocados de seus países, e politicamente é uma potência de esquerda por lá. Seus ultras são denominados de “Ultras Velódromos”.

Resistência do fascismo de Mussolini, Livorno possui uma das mais importantes torcidas da Itália. Ainda que o time seja de pequena expressão, os ultras do clube são famosos pela militância a favor do Comunismo. É comum vermos bandeiras de Che Guevara e Lênin, além de outras referências. É considerada a torcida mais ativa da aliança, e como esperado, é alvo de inúmeras rivalidades na Itália: Lazio, Atalanta e Roma são exemplos.

Antifascista, a torcida do AEK Athenas é uma das potências na Grécia. Time popular da capital grega, divide rivalidades com o Olympiakos e Pannathinaykos. Sua torcida é uma das mais fanáticas por futebol e política, visto que grande parte de seu povo é descendente de refugiados da Turquia. Com a guerra de 1919-1922, os turcos dominaram Anatólia e Capadócia, fazendo assim, muitos familiares de gregos se deslocarem para Athenas. Com a ascensão do time, a torcida carrega o status de manter vivo o orgulho de ancestrais, vítimas do Império Otomano, abrigando-se na política esquerdista.

Tríplice aliança ANTIFA (AEK, Livorno e Marseille)

Tríplice aliança ANTIFA (AEK, Livorno e Marseille). Imagem: reprodução Facebook

Legado

A Brigate 21 (AEK), Ultras 84 Livonersi (Livorno) e Ultras Velódromo (Marseille) são referências na cultura política nos estádios. Campanhas contra o racismo também são populares no movimento e especialmente os cânticos contra políticas responsáveis por grandes tragédias mundiais, como os regimes de Hitler e Mussolini. Ao longo dos anos, muitas torcidas simpatizantes resolveram expandir o grupo, e ainda que sejam minorias diante das torcidas direitistas, são fundamentais na preservação de seus ideais.

Entretanto, um dos pontos negativos do movimento é o pavio curto com policiais. Muitas vezes ofendidos por xingamentos, é comum o confronto especialmente nos arredores do estádio, contra os militares. Um dos incentivos para esse confronto é a cultura anti-repreensão militar.


 

Como citar

COSTA, Gabriel de Oliveira. Futebol e política: conheça a união ANTIFA – AEK Athenas, Marseille e Livorno. Ludopédio, São Paulo, v. 137, n. 38, 2020.