A “copa das copas”

Autores

Ariane Boaventura da Silva Sá

Subtítulo

o uso político-ideológico do futebol em propagandas governamentais

Orientador

Fernando Augusto Starepravo

Banca

Veronica Regina Muller, Larissa Michelle Lara

Faculdade / Instituição

Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá

Tipo

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em Educação Física

Ano

2016

Páginas

170

Cidade

Maringá

Resumo (pt)

Em 2014, o Brasil foi sede da Copa do Mundo de Futebol da FIFA. Por conta disso, o governo federal lançou na mídia, em especial na televisão aberta, um conjunto de propagandas sobre o megaevento, dando indícios de perpetuar a prática histórica de utilização do futebol com finalidades político-ideológicas em nosso país. Sendo assim, o objetivo desta dissertação é verificar como se deu o uso político-ideológico do futebol nas propagandas governamentais relacionadas à realização da Copa do Mundo 2014. Do conjunto de propagandas, selecionamos quatro peças, analisadas a partir de quatro categorias diferentes:1) Plataforma Política; 2) Nacionalismo; 3) Aceitação da Copa; 4) Combate ao Racismo. Para as análises, apropriamo-nos de conceitos da Análise de Texto, baseada na Semiótica. Dessa forma, utilizamos as orientações de Mikhail Bakhtin para os textos verbais e os pensamentos de Roland Barthes e seu seguidor direto, Jacques Durand, para os textos não-verbais. Tendo como fio condutor esse referencial teórico, identificamos nas peças de propagandas – por meio de relações intertextuais – a tentativa de promoção política do Partido dos Trabalhadores (PT), agremiação que sustenta a base do Governo Federal, bem como incursões que poderiam ajudar a alavancar a candidatura do referido partido à reeleição à Presidência da República, posto que 2014 também foi ano eleitoral no Brasil. As peças analisadas incentivaram o exacerbado sentimento de nacionalismo por meio de signos ideológicos, como cores da bandeira nacional, gestos e expressões de orgulho, felicidade e união. Além disso, intencionou-se, por meio delas, a aceitação popular da Copa do Mundo em si, uma vez que, no período aproximado de um ano que antecedeu o início do megaevento, a população encontrava-se insatisfeita com questões políticas, as quais incluíam a realização da Copa. Por fim, foi atribuído ao futebol a capacidade de combater o racismo, ao menos durante a Copa do Mundo. Diante disso, concluímos que o uso político ideológico do futebol se deu na construção do conjunto de propagandas governamentais da “Copa das Copas” pelos seguintes motivos: tentativa de exacerbar o sentimento de nacionalismo; promover o principal partido da base do governo; criar expectativas favoráveis à realização do megaevento; e finalmente, contribuir com o combater ao racismo.

Palavras-Chave: Copa do Mundo 2014. Futebol. Propaganda. Governo Federal. Finalidades político-ideológicas.

Abstract

In 2014, Brazil hosted the FIFA (Fédération Internationale de Football Association) World Cup. Due of this, the Federal Government launched a set of advertisements about the mega event in the media, especially in open television, perpetuating the historical practice of using football with political and ideological purposes in the country. Thus, the aim of this research is to check how was the political and ideological usage of football in government advertisements related to the World Cup 2014.Among the set of the advertisements launched, four pieces were selected and analyzed into four different categories:1)Policy Platform; 2) Nationalism; 3) Acceptance of the Cup; 4) For the analyzes were based on the concepts of Text Analysis and Semiotics, both in verbal and non-verbal elements. To this end, it was used Mikhail Bakhtin’s guidelines for verbal texts and Roland Barthes`s and Jacques Durand for the non-verbal texts. Considering the selected ads and the theoretical framework it was identified, in terms of intertextual relations, the attempt to promote politically the Labor Party (PT); Party that sustains the base of the Federal Government nowadays, as well as inroads that could trigger the Party re-election, in 2014, due to it was an election year in Brazil. Thus, there was a need to bloom the exacerbated nationalism feeling through ideological signals such as the Brazilian flag colors, gestures and expression of proud, happiness and unity. Further to this, there was an intention to promote the World Cup acceptance by itself, once one year before the event the population was unsatisfied with the event execution. At last, it was identified the usage of Football in order to avoid racism, especially during the event. Therefore, it can be conclude that the political and ideological usage of football took place in the construction of the set of government advertisements “Cup of the Cups” for the following reasons: an attempt to exacerbate the sense of nationalism; promote the main party of the government coalition; create expectations conducive to the realization of the mega event; and ultimately contribute to the fight against racism.

Keywords: World Cup 2014. Football. Advertisements. Federal Government. Political and Ideological Purposes.

Sumário

1 INTRODUÇÃO, 14

2 QUADRO TEÓRICO METODOLÓGICO, 27
2.1 ANÁLISE TEXTUAL: considerações da Semiótica em textos verbais e nãoverbais, 27
2.2 PROPAGANDA NA MÍDIA TELEVISIVA: alguns apontamentos, 37

3 BRASIL: de “País do Futebol” ao País-sede da Copa do Mundo, 45
3.1 RELAÇÃO ESTADO-ESPORTE: uso político-ideológico do esporte, 46
3.2 A CONJUNTURA DA COPA DO MUNDO DE 2014, 54

4 DESCRIÇÃO E ANÁLISE DAS PEÇAS, 67
4.1 NACIONALISMO: a representação do “orgulho de ser brasileiro”, 69
4.2 A “COPA DAS COPAS”: uma plataforma política de governo, 86
4.3 “ESSA É A NOSSA COPA”: aceitação do Megaevento, 105
4.4 COMBATE AO RACISMO: a luta pela igualdade, 130

5 CONSIDERAÇÕES FINAIS, 149

Referência

, Ariane Boaventura da Silva. A “copa das copas”: o uso político-ideológico do futebol em propagandas governamentais. 2016. 170 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Departamento de Educação Física da Universidade Estadual de Maringá, Maringá, 2016.