A memória do trauma de 1950 no testemunho do goleiro Barbosa

Autores

Elcio Loureiro Cornelsen

Tipo de evento

Simpósio

Nome do evento

História Oral

Nome do congresso

Memória, Democracia e Justiça

Edição do Congresso

XI Encontro Nacional de História Oral

Cidade

Rio de Janeiro

Ano

2012

Páginas

16

Entidade Organizadora

UFRJ

Resumo (pt)

Nossa contribuição visa a uma análise discursiva de depoimentos do goleiro Moacyr Barbosa a respeito da derrota da Seleção Brasileira na final da Copa do Mundo de 1950 contra o Uruguai. Momento singular na história do futebol brasileiro, tido como “a nossa catástrofe, a nossa Hiroshima” (Nelson Rodrigues), que transformou o Maracanã no “maior velório da face da Terra” (Betty Milan) frente ao “silêncio mortal de duzentos e vinte mil brasileiros” (Mario Filho), “o mais estrepitoso silêncio da história do futebol” (Eduardo Galeano), sem dúvida, a memória discursiva que se constrói sobre a derrota da Seleção Brasileira em 1950 é perpassada pelo trauma. Como bem apontam Arthur Nestróvski e Márcio Seligmann-Silva, “a catástrofe dificulta, ou impede a representação”, pois “a catástrofe é, por definição, um evento que provoca um trauma”. Por assim dizer, o goleiro da Seleção Brasileira naquela Copa é um autêntico testemunho do evento traumático, um superstes (Giorgio Agamben), ou seja, aquele que não é mera testemunha ocular do ocorrido – o testis –, mas aquele que atravessou uma verdadeira provação. Nesse sentido, baseados na teoria do testemunho e conceitos e métodos dos estudos da linguagem, nossa intenção é avaliar em termos discursivos não só o quê, mas, sobretudo, como, décadas mais tarde, o goleiro enunciava, através da memória, sua versão sobre aquele fatídico 16 de julho de 1950 e seus desdobramentos. Para formar o corpus de análise, adotamos os seguintes materiais, pensados enquanto fontes orais de caráter jornalístico: os textos das entrevistas com o goleiro Barbosa, publicados em 2000 no Dossiê 50: os onze jogadores revelam os segredos da maior tragédia do futebol brasileiro, de Geneton Moraes Neto e, respectivamente, no livro Barbosa. Um gol faz cinqüenta anos, de Roberto Muylaert; além dos textos indicados, os breves depoimentos audiovisuais do goleiro que compõem o curtametragem Barbosa (1988), filme de ficção dirigido por Anna Luiza Azevedo e Jorge Furtado e baseado no conto “O dia em que o Brasil perdeu a copa” (1975), de Paulo Perdigão, publicado em sua obra Anatomia de uma derrota (1986); as entrevistas concedidas por Barbosa em 1994 (TV Cultura) e, respectivamente, em 2000 (ESPN Brasil) ao jornalista Helvídio Mattos; por fim, demais depoimentos audiovisuais do goleiro, que faleceu em 2000, integrados em programas especiais recentes sobre a Copa de 1950, pela Rede Bandeirantes e, respectivamente, pelo canais SporTV, GloboNews e ESPN Brasil. Barbosa, tido como um dos “bodes expiatórios” daquela derrota – juntamente com os jogadores Juvenal e Bigode –, condenado pelo “frango eterno” (Nelson Rodrigues), por diversas vezes, revela em sua fala as marcas de um momento traumático – individual e coletivo –, que o acompanharia pelo resto de sua vida.

Palavras-chave: Memória; Trauma; Discurso; Copa do Mundo de 1950; Barbosa.

Referência

CORNELSEN, Elcio Loureiro. A memória do trauma de 1950 no testemunho do goleiro Barbosa. In: UFRJ, XI Encontro Nacional de História Oral, 2012, Rio de Janeiro. Memória, Democracia e Justiça, UFRJ. Simpósio, UFRJ, 2012.