A voz dos atletas: mídia e Jogos Paralímpicos no Brasil

Autores

Tatiane Hilgemberg Figueiredo

Periódico / Revista

Mediapolis

Cidade

Coimbra

Número

n. 8

Páginas

p. 85-99

Ano

2019

Tema

Dossiê Media, comunicação e desporto

ISSN

2183-6019

Resumo (pt)

Atualmente é impossível pensar em um grande evento esportivo sem a presença dos meios de comunicação. Assim é fácil notarmos que “o que” a mídia cobre e “como” realiza essa cobertura, e trata os participantes em cada esporte, podem ser questões que criam barreiras atitudinais, quando há o pré-julgamento de que a pessoa não será capaz de executar uma tarefa ou atingir um objetivo, ou constituídas a partir da comparação de resultados obtidos por pessoas sem e com deficiência na mesma tarefa/objetivo inferiorizando os últimos com base única e exclusivamente na deficiência; ou ainda avaliando de forma depreciativa as ações, objetivos alcançados e produções das pessoas com deficiência a partir de um pré-julgamento ou pré-conceito (Lima, 2011). No entanto, o objeto das coberturas midiáticas esportivas raramente é ouvido por pesquisadores. Assim, esse estudo visa analisar como atletas paralímpicos brasileiros percebem, entendem e interpretam suas próprias representações nos meios de comunicação, e o que pensam sobre a cobertura midiática dos Jogos Paralímpicos. Em linhas gerais, concluímos que alguns atletas preferem ser representados exclusivamente como atletas de alto nível, enquanto outros como exemplo de superação, no entanto, o tema mais forte apresentou-se como a indissociabilidade das características do ser em sua apresentação; os entrevistados querem que o esporte e a deficiência sejam representados como partes importantes que compõe sua identidade.

Palavras-chave: atletas, paralimpismo, Brasil, representação

Abstract

One cannot think about a major sports event without the presence of the media. It is, therefore, easy to realise that the issues of “what” the media covers and “how” it does it, and how it addresses the participants in each sports may create behavioural barriers when there is a preconceived idea that the person will not be able to perform a task or achieve an objective, or may arise from the comparison of results achieved by people with and without disabilities doing the same task/pursuing the same goal, undermining the latter solely on the basis of disability; or even belittling the activities, goals achieved and achievements of people with disabilities based on a preconception (LIMA, 2011). The subjects of sports media coverage, however, are rarely heard by researchers. This study, therefore, aims to analyse how Brazilian Paralympic athletes perceive, understand and interpret their own representations in the media, and their opinion on the media coverage of the Paralympic Games. In general, we conclude that some athletes prefer to be represented exclusively as top level athletes, while others as examples of perseverance. However, the strongest idea was that the features of the being cannot be dissociated from its representation; what interviewees want is for sports and disability to be represented as significant elements that make up their identity.

Keywords: athletes, Paralympic games, Brazil, representation

Referência

FIGUEIREDO, Tatiane Hilgemberg. A voz dos atletas: mídia e Jogos Paralímpicos no Brasil. Mediapolis. Coimbra, n. 8, p. 85-99, 2019.