Aranha, macaco e veado: O legítimo e o não legítimo no zoológico linguístico nos estádios de futebol

Autores

Gustavo Andrada Bandeira, Fernando Seffner

Periódico / Revista

Movimento

Cidade

Porto Alegre

Volume

v. 22

Número

n. 3

Páginas

p. 985-998

Ano

2016

ISSN

1982-8918

Resumo (pt)

As atitudes dos torcedores nos estádios produzem narrativas construídas de forma agonística. Diferentes representações de gênero, sexualidade e pertencimento étnico estão em disputas. Parece existir certa tolerância para manifestações entre torcedores quando essas acontecem através de cânticos e xingamentos. A proposta desse ensaio é problematizar como manifestações verbais se tornaram um problema a partir de quatro partidas do Grêmio em 2014. Após uma partida contra o Santos, em que o goleiro Aranha foi chamado de macaco por um grupo de torcedores, diferentes argumentos foram colocados para justificar ou não uma punição ao clube. Além disso, o termo “macaco”, e sua derivação “macacada”, historicamente autorizado para fazer referência ao Internacional, clube rival do Grêmio, foi interditado. Analisam-se quais os cânticos, xingamentos e termos foram problematizados durante essa temporada no futebol brasileiro. O foco da problematização se dará sobre o que foi entendido como legítimo ou não para as manifestações da torcida.

Abstract

Fans’ behavior in stadiums produces agonistic narratives. Different representations of gender, sexuality and ethnic belonging are in dispute. There seems to be some tolerance toward fans’ demonstrations when they happen through chanting and name-calling. This essay discusses how verbal manifestations have become a problem in four matches of Brazilian football team Grêmio in 2014. After a match against Santos, where goalkeeper Aranha (Spider) was called monkey by a group of fans, different arguments have been put forward to justify or not punishment to the club. In addition, the term “macaco” (monkey), and its derivation “macacada” (bunch of monkeys, historically used to offend the Grêmio’s rival Internacional’s fans) was interdicted. We analyze which chants, names and terms were debated during that season in Brazilian football. The debate will focus on what was seen as legitimate or not in fan’s demonstrations.

Resumo (outro idioma)

Las actitudes de los hinchas en los estadios producen narrativas construidas en forma agonística. Diferentes representaciones de género, sexualidad y pertenencia étnica están en disputa. Parece existir cierta tolerancia hacia las manifestaciones entre los hinchas cuando éstas ocurren a través de cantos e insultos. El propósito de este ensayo es problematizar cómo manifestaciones verbales se han convertido en un
problema partiendo de cuatro partidos del Grêmio en 2014. Después de un partido contra el Santos, donde el arquero Aranha fue llamado de mono por algunos hinchas, diferentes argumentos han sido puestos para justificar o no un castigo al club. Además, el término “mono”, y su derivación “macacada”, históricamente autorizados para referirse al Internacional, club rival de Grêmio, se prohibió. Analizamos qué canciones
e insultos fueron problematizados durante esa temporada del fútbol brasileño. El foco de la problematización estará en lo que fue percibido como legítimo o no para las manifestaciones de la hinchada.

Referência

BANDEIRA, Gustavo Andrada; SEFFNER, Fernando. Aranha, macaco e veado: O legítimo e o não legítimo no zoológico linguístico nos estádios de futebol. Movimento. Porto Alegre, v. 22, n. 3, p. 985-998, 2016.