Argentina/78 – Uma Copa do Mundo

Autores

Alvaro Vicente Graça Truppel Pereira do Cabo

Subtítulo

política, popular e polêmica

Editora

Appris

Cidade

Curitiba

Páginas

277

Ano

2018

ISBN

9788547316495

Sumário

Introdução, 17

1 A Copa do Mundo na Argentina – nacionalismo e mobilização social prévia em torno do evento, 41
1.1 Mundial na Argentina: nacionalismo e defesa da pátria “en la fiesta de todos”, 41
1.2 O caminho para o torneio: expectativas no Brasil e na Argentina, 57

2 Seleção nacional e manifestações populares, 83
2.1 Dos “papelitos” ao carnaval, 83
2.2 Vozes dissonantes e integradoras, 103
2.3 A retórica ufanista da conquista e as críticas no invicto revés, 117

3 Personalidades legitimadoras e marcantes do evento, 141
3.1 Militares – a onipresença do general Rafael Videla e do Almirante Heleno Nunes, 142
3.1.1 Videla, o anfitrião, 142
3.1.2 Heleno Nunes, o inventor, 157
3.2 Técnicos – o “comunista” Menotti e o “capitão” Coutinho, 172

4 Estilos de jogo e a construção dos estereótipos nacionais, 207
4.1 Brasil – futebol-força x futebol-arte, 207
4.2 Argentina – a redenção da “viveza criolla”, 223
4.3 Peru – de grata surpresa a polêmico vilão, 241

Considerações finais, 265

Referências, 273

Sinopse

Pedi para entrevistar o ministro de esportes argentino. Não tinha a menor intenção em ouvi-lo. É preciso agora confessar que não passava de um vergonhoso golpe. O que eu precisava era entrar no prédio da Secretaría de Deporte, Educación Física y Recreación, o equivalente à pasta de esportes daqui. Chegar até a Avenida Miguel B. Sánchez 1050, enganar com algumas perguntas e botar em prática a última parte do plano: dar uma desculpa e conseguir autorização para ir ao teto do prédio. O prédio fica exatamente no meio do caminho entre o Monumental de Nuñez e a Esma (Escuela Superior de Mecánica de la Armada), o maior campo de concentração e genocídio das ditaduras do continente. Quatro décadas depois, tentar mostrar em imagem a aberração que foi tudo aquilo: enquanto se jogava uma final de Copa do Mundo, gente era torturada. Entre um e outro, 700 metros de distância. Impossível não perder a respiração ali quando se consegue estabelecer no raio do seu olhar a dimensão do absurdo. Pois ler este “Argentina 78: uma Copa do Mundo política, popular e polêmica” é um pouco como estar de novo no teto daquele prédio entre a Esma e o campo do River. Ler a obra de Alvaro do Cabo é, palavra por palavra, ter no olhar a dimensão do absurdo do que foi aquilo tudo. O rigor acadêmico de Alvaro aliado à narrativa digna de uma grande reportagem. Memória fundamental de um tempo para que “nunca más”. Os pecados de sempre da imprensa, salvo as exceções de sempre, estão no que já é um dos livros mais relevantes sobre esse período. Expõe as exacerbadas “defesas da nação” presentes nas crônicas tanto aqui como lá. Que nos dão boas pistas para entendermos como chegamos até aqui: outros tempos, outros temas e a mesma imprensa cúmplice que outrora “não viu” os horrores das ditaduras e anos depois “não viu” o mar de lama que inundava a Fifa. Ler Alvaro do Cabo é mais do que nunca a expressão da velha definição do que é História: “conhecer o passado para entender o presente”.

Lúcio de Castro Historiador e Jornalista.

Referência

CABO, Alvaro Vicente Graça Truppel Pereira do. Argentina/78 – Uma Copa do Mundo: política, popular e polêmica. Curitiba: Appris, 2018.