Aspectos sociológicos da profissionalização do futebol em Belo Horizonte nas décadas de 1920 e 1930

Autores

Regina de Paula Medeiros

Periódico / Revista

Esporte e Sociedade

Número

n.23

Páginas

p. 1-14

Área de concentração

Sociologia

ISSN

18091296

Resumo (pt)

O futebol profissional se constituiu em categoria regulamentada nos principais centros urbanos brasileiros em 1933, ano que alguns clubes se organizaram para fundar novas entidades privadas de gestão da referida modalidade esportiva. Seguindo as orientações da FIFA, as recém-criadas Associações, Ligas e Federações definiam em seus Estatutos dois níveis de competições e de clubes, a saber: a 1ª Divisão, ou Divisão Profissional; e a 2ª Divisão, ou Divisão Amadora. O marco oficial da regulamentação do futebol profissional acima exposto não pode, contudo, ser compreendido como momento que a profissão de jogador se originou. Entendemos a categoria sociológica “profissão” como uma função social especializada que é ofertada frente uma demanda existente. Nesse sentido, a gênese da profissão de jogador de futebol se insere no conjunto de transformações do significado social da prática e do consumo dessa modalidade esportiva, caracterizando-a como uma indústria do espetáculo esportivo e como via de ascensão social para praticantes das camadas menos favorecidas da sociedade. A investigação da conformação do jogador de futebol profissional em Belo Horizonte tem sido objeto de pesquisa empírica do Mestrado em Ciências Sociais, cujos resultados preliminares trazemos para o presente Seminário. A partir da análise documental de periódicos e de memórias de atores sociais daquele contexto, concluímos que durante a década de 1920 a Liga local e os principais clubes belo-horizontinos inseriram o futebol nas engrenagens do sistema capitalista através da oferta de disputas futebolísticas. Frente à crescente demanda social caracterizada pela conformação da identidade clubística, os dirigentes esportivos alcançavam prestígio social e conquistas políticas. Para aprimorar o jogo de futebol, passou-se a se exigir cada vez mais dos jogadores, produtores do espetáculo esportivo em questão. Por isso, antes mesmo da regulamentação profissional, constatamos a existência de jogadores especializados, mesmo que de forma incipiente, no campo futebolístico, sendo pagos extraoficialmente para praticarem o futebol, já que a Liga reconhecia apenas o amadorismo esportivo. A criação da Divisão Profissional em 1933 rompeu com a indefinição do status do jogador daquele contexto, que era inscrito como amador e atuava como profissional, garantindo-lhe direitos básicos. Entretanto, as fontes apresentam o fato como uma iniciativa dos dirigentes esportivos e não como conquista dos “trabalhadores da bola”.

Observações

Link para o site da revista: www.uff.br/esportesociedade/

Referência

MEDEIROS, Regina de Paula. Aspectos sociológicos da profissionalização do futebol em Belo Horizonte nas décadas de 1920 e 1930. Esporte e Sociedade. Rio de Janeiro, n.23, p. 1-14, 2014.