Campeonato brasileiro de futebol e a esportificação do futebol profissional (1971-1979)

Autores

Sandro Luis Montanheiro Francischini

Orientador

Luiz Henrique de Toledo

Banca

Marco Antonio Villa, José Paulo Florenzano

Faculdade / Instituição

Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos

Tipo

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em Ciências Humanas

Ano

2005

Páginas

143

Cidade

São Carlos

Resumo (pt)

Esta dissertação intitulada Campeonato Brasileiro de Futebol e a esportificação do futebol profissional (1971-1979) tem como propósito abordar o Campeonato Brasileiro de Futebol, cujo marco inaugural é 1971, e suas implicações sócio-históricas. Pelo modelo de organização dos campeonatos organizados pela CBD observamos que a notória “paixão” do brasileiro pelo futebol não pode ser vista como algo da “essência” da cultura brasileira, mas também como uma deliberada construção social que mobilizou vários agentes e, no período aqui delimitado (1971-1979), destaca-se o empenho do projeto militar de nação, mas sobretudo da elite política em instrumentalizar o futebol na obtenção de dividendos eleitorais. Mas é claro que esse dirigismo estava assentado em estruturas simbólicas mais amplas e o projeto de nação então em voga era maximizar o exemplo do futebol brasileiro, um esporte vitorioso. Lembrar que o futebol brasileiro conquistara definitivamente a taça Julies Rimet ao vencer pela terceira vez a Copa do Mundo em 1970, no México.

Se existia uma unidade simbólica em torno do selecionado, reconhecida no plano internacional, internamente o futebol estava fracionado em competições estaduais e interestaduais, em consonância ao universo da política jogado no plano de seus localismos. Foi preciso promover essa unidade, que outros nos outorgavam “de fora”, para dentro do país e consolidar no plano futebolístico a idéia da nação forte. Sendo assim, o Campeonato Nacional veio como uma necessidade que transbordava os limites de um mero simbolismo esportivo, mobilizando as várias esferas da vida pública, primeiro governadores, deputados, depois prefeitos, vereadores, num escalonamento que se seguiu até o esgotamento do modelo de aliciamento dos clubes na busca da “completa integração”, num jogo assentado no personalismo de dirigentes e na lógica do favorecimento dinamizado pelo bipartidarismo então vigente.

Este trabalho foi dividido em três capítulos: no primeiro fizemos um breve mapeamento das instituições que organizam e comandam o futebol brasileiro e mundial. Ainda neste capítulo enfocamos as primeiras competições até o surgimento do primeiro Campeonato Brasileiro destacando os fatos que precederam o mesmo como, por exemplo, a briga por uma vaga na primeira edição do Nacional.

No segundo capítulo mostramos o avanço das ingerências políticas, sendo mais ativa nesse momento a participação de governadores de estados, deputados federais entre outras autoridades objetivando integrar seu estado na competição Nacional. Outro ponto deste capítulo foi a maneira como o presidente máxima do futebol brasileiro administra as pressões vindas de diversos setores. Primeiro exigiu-se que os interessados possuíssem estádios de grande capacidade e em seguida observamos que a força política valia mais em detrimento dos critérios técnicos. Devido ao carisma do presidente da CBD João Havelange que neste período estava em campanha para conseguir a presidência da FIFA relatamos um perfil da trajetória de Havelange até sua chegada a líder da entidade máxima do futebol mundial.

No terceiro e último capítulo destacamos a completa integração com mudança de esferas que passam a disputar uma brecha no certame nacional. Tais disputas são feitas no âmbito regional com participação de prefeitos, vereadores e liderança locais. Enfatizamos ainda a queda deste modelo que provocou sérios problemas financeiros aos clubes sejam eles grandes, médios ou pequenos com o sucateamento da entidade culminando com o surgimento da Confederação Brasileira de Futebol.

Palavras-chave: Campeonato Brasileiro, Nacionalização, Futebol, Política, Organização, Eleições, Calendário Nacional.

Sumário

APRESENTAÇÃO, 9

CAPÍTULO I – Unidade nacional e a bola, 11
Primeira parte: breve mapeamento das instituições que organizam o futebol profissional,  12
1. A FIFA e seus filiados, 12
2 No Brasil, 14
2a. A sede da CBD, 15
2b. O CND: disciplinar o desporto brasileiro, 16
2c. No caminho da CBF, a CBD, 19

Segunda parte: contexto e surgimento do nacional, 23
1. Antecedentes, 23
2. Os campeonatos regionais e a situação dos clubes, 25
2a. Preparativos para o nacional, 30
2b. A loteria esportiva como captadora de recursos e mobilização simbólica do ethos do jogo, 34
2c. 1971: começa o Nacional, 38
2d. Um balanço do primeiro campeonato nacional, 41

CAPÍTULO 2 – Racionalidade ou carisma?, 48
Primeira parte: a lógica das influências, 49
1. O nacional de 1972: aspectos organizativos e a dinâmica das influências políticas, 49 2. A ampliação do nacional, 59
2a. A segunda vaga, 61
3. Normas e regulamentos do nacional de 1973, 64

Segunda parte: João Havellange, 67
1. O nacional de 1974 e o fim da “era Havellange”, 67
1a. A transição na CBD, 71
1b. 1975: primeiro campeonato nacionalizado sem Havellange, 75
1c. João Havellange: um breve perfil, 78

CAPÍTULO 3 – Expansão e crise do modelo personalista, 84
Primeira parte: a completa integração, 85
1. O “brasileirão” de 1976, 85
1a. Tabelinha entre futebol e política, 86
1b. São Paulo: mais vagas, 88
2. Heleno Nunes, 94
3. O “brasileirão” rumo à integração, 94
3a. Conhecendo o país: um guia do nacional para os torcedores, 97
4. 1977 e 1978, 101
4a. Contornando a crise, 108
4b. A transição CBD-CBF, 112
5. A completa integração em números, 118

Segunda parte: um balanço final, 122
1. A estrutura do futebol brasileiro: uma retomada panorâmica, 122
2. Os campeonatos estaduais, 124
3. Fórmulas e regulamentos do Campeonato Nacional, 129

CONSIDERAÇÕES FINAIS, 133

REFERÊNCIAS,  138

ANEXO, 142

Referência

FRANCISCHINI, Sandro Luis Montanheiro. Campeonato brasileiro de futebol e a esportificação do futebol profissional (1971-1979). 2005. 143 f. Dissertação (Mestrado em Ciências Humanas) - Programa de Pós-Graduação em Ciências Humanas, Universidade Federal de São Carlos, São Carlos, 2005.