COI x FIFA

Autores

Sérgio Settani Giglio

Subtítulo

a história política do futebol nos Jogos Olímpicos

Título original / alternativo

IOC x FIFA: the political history of football at the Olympic Games

Orientador

Katia Rubio

Banca

Ary José Rocco Júnior (Presidente), Arlei Sander Damo, Fábio Franzini, José Paulo Florenzano, Wanderley Marchi Júnior

Faculdade / Instituição

Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo

Tipo

Tese

Área de concentração

Doutorado em Ciências

Ano

2013

Páginas

518

Cidade

São Paulo

Resumo (pt)

Esta tese trata da constituição do campo esportivo (BOURDIEU, 1983) do futebol nos Jogos Olímpicos. Para apresentar a configuração dessa estrutura foi utilizada uma análise documental juntamente com a história de vida dos atletas brasileiros que participaram do torneio olímpico entre 1952 e 1988. O tema referente ao amadorismo e profissionalismo estruturou toda a tese. Os conflitos políticos em torno do COI e da FIFA pelo controle do futebol foram amparados na disputa de poder para estabelecer como seria definido o termo amador. As divergências sobre esse assunto fizeram com que a FIFA criasse a sua Copa do Mundo em 1930 e que o futebol ficasse fora do programa olímpico dos Jogos de 1932. Foi a partir desse debate que os múltiplos olhares em relação ao futebol e aos Jogos Olímpicos sustentaram a tese. Esses olhares foram construídos a partir da história de vida dos atletas brasileiros que defenderam o país no futebol, dos membros e presidentes do COI e da FIFA, dos dirigentes do COB e da CBD, depois CBF, e da imprensa que apareceu nos jornais Folha da Manhã, Folha de S. Paulo e O Estado de S. Paulo, e nos Boletins Olímpicos do COI. Desse modo, construiu-se a tese de que foram os conflitos políticos entre o COI e a FIFA em torno do estabelecimento das definições da condição de atleta amador e profissional que ditaram os rumos do futebol olímpico e da modalidade no mundo.

Palavras-Chave: Futebol; História; Política, Jogos Olímpicos; Copa do Mundo; COI; FIFA.

Abstract

This thesis deals with the establishment of football as a sport field (BOURDIEU, 1983) in the Olympic Games. In order to present the configuration of this structure, a documental analysis was performed as well as the review of Brazilian athletes’ life history, since 1952 until 1988. The theme related to amateurism and professionalism has completely structured this thesis. Political conflicts developed in the relationship of IOC and FIFA for control of football activities were based on the power dispute on how amateur should be defined. Deviations related to this subject lead to FIFA launching of its 1930 World Cup, and prevented football from being excluded in the Olympic Games of 1932. Rooted on this debate, multiple views related to football and Olympic Games maintained the thesis. Those multiple views were built upon the life history of Brazilian athletes that defended the country in football games, of members and presidents of IOC and FIFA, of the leaders of COB and CBD, later on CBF, and upon press articles shown on Folha da Manhã, Folha de S. Paulo and O Estado de S. Paulo diaries, as well as on IOC Olympic Bulletins. In this way, it was built the thesis that political conflicts between IOC and FIFA were the root for the establishment of the definitions on amateur and professional athlete conditions, which ruled the track of Olympic football, as well as professional football, worldwide.

Keywords: Football; History; Politic, Olympic Games; World Cup; IOC; FIFA.

Sumário

“… O TEMPO NÃO PARA”, 18

INTRODUÇÃO, 31

MÉTODO, 45
Memórias que contam histórias, 52
Entrevistas realizadas e atletas selecionados, 58

1. O COI E A FIFA, 62
1.1 O COI, 68
1.2 A FIFA, 87
1.3 Jogo de poder entre a FIFA e o COI, 104

2 FASE DE ESTABELECIMENTO (1894-1912), 117
2.1 “A César o que é de César”, 117

2.2 Atenas (1896): nenhum país se interessa pelo futebol, 127

2.3 Paris (1900): o futebol é modalidade exibição, 129

2.4 Saint Louis (1904): o grande evento é a Exposição Universal, 130

2.5 Atenas (1906): os Jogos Intermediários, 136

2.6 Londres (1908): o futebol é incluído no programa oficial, 137

2.7 Estocolmo (1912): cogita-se retirar o futebol do programa olímpico, 140

3 FASE DE AFIRMAÇÃO (1913-1936), 144
3.1 Antuérpia (1920): a final que não terminou, 144

3.2 Paris (1924): futebol é um esporte opcional, 145
3.2.1 Começam as divergências entre a FIFA e o COI, 148

3.3 Amsterdã (1928): a FIFA e o COI não entram em acordo, 156
3.3.1 A formação de um aparato burocrático para controlar o esporte, 162

3.4 Los Angeles (1932): a saída do futebol do programa olímpico não está relacionada com a
popularidade do esporte nos Estados Unidos, 172

3.5 Berlim (1936): na volta aos Jogos Olímpicos o futebol é marcado pela briga política, 180

4 FASE DE CONFLITO (1937-1983), 188
4.1 Anos sem Jogos (1940 e 1944): o amadorismo em pauta novamente, 188
4.1.1 A FIFA quer o futebol nos Jogos Olímpicos, 191

4.2 Londres (1948): após 40 anos, o futebol volta à Grã-Bretanha, 195

4.3 Helsinque (1952): o futebol está ameaçado de sair do programa olímpico?, 198
4.3.1 O COI quer reduzir o programa olímpico, 201
4.3.2 Sob os ecos de Helsinque 1952 a FIFA apresenta sua definição de amador, 203

4.4 Melbourne (1956): podem os amadores se profissionalizar?, 206
4.4.1 Os profissionais nos tempos do amadorismo, 207
4.4.2 A desistência de alguns países enfraquece o futebol em 1956, 212
4.4.3 O mundo de Sofia é dos amadores, 216

4.5 Roma (1960): os Jogos são para os amadores, mas os “profissionais” participam, 220
4.5.1 A FIFA quer distinguir a Copa do Mundo do torneio Olímpico, 221
4.5.2 Ainda o amadorismo, 222

4.6 Tóquio (1964): os novos rumos do movimento olímpico, 224
4.6.1 O referendo do COI revela que o futebol não possui prestígio interno, 226
4.6.2 Reduzir o programa olímpico torna-se a preocupação do COI, 229
4.6.3 As regras do amadorismo são revisadas, 231

4.7 Cidade do México (1968): o ano em que o mundo mudou, 233
4.7.1 O COI e a FIFA retomam o debate, 234
4.7.2 A política e o esporte se aproximam: os Panteras Negras, 237

4.8 Munique (1972): “os Jogos devem continuar”, 244
4.8.1 Os Jogos Olímpicos estão ameaçados, 249
4.8.2 Alguns esportes coletivos podem ser eliminados do programa olímpico, 251

4.9 Montreal (1976): os Jogos mais caros da história olímpica, 255
4.9.1 Mudanças no amadorismo: as novas regras sobre a elegibilidade dos atletas, 263

4.10 Moscou (1980): esporte e política cada vez mais juntos, 266
4.10.1 O COI não usa mais a palavra amador e os assuntos políticos continuam na pauta, 267
4.10.2 Os Estados Unidos lideram o maior boicote da história dos Jogos Olímpicos, 270
4.10.3 Em discussão o lugar do futebol olímpico, 274

5 FASE PROFISSIONAL (1984-1988), 280
5.1 Los Angeles (1984): os jogadores de futebol podem ser profissionais, 281
5.1.1 O troco soviético: “olho por olho, dente por dente”, 282
5.1.2 Mudança na regra da elegibilidade, 286

5.2 Seul (1988): os profissionais ganham espaço, 288
5.2.1 Após a experiência com o futebol a regra de elegibilidade é alterada, 292
5.2.2 O limite idade vai ser implantado no futebol olímpico, 295

6 O FUTEBOL BRASILEIRO NOS JOGOS OLÍMPICOS, 297
O mosaico de figurinhas, 297
O não dito, o silêncio e o esquecimento, 301
6.1 O futebol brasileiro quer participar dos Jogos Olímpicos, 305

6.2 Em 52 temia-se um fracasso do futebol brasileiro, 314
6.2.1 Carlos Alberto Martins Cavalheiro (1952): “O futebol olímpico é brincadeira perto do futebol de Copa”, 321

6.3 As desconfianças em torno do futebol brasileiro para os Jogos de Roma, 329
6.3.1 Edmar Japiassu Maia (1960): “O problema do futebol olímpico é que não é um futebol com jogadores já consagrados”, 335
6.4 A CBD impede a profissionalização dos jogadores pré-convocados, 343

6.4.1 Humberto André Rêdes Filho (1964): “A seleção adulta é a principal e a seleção olímpica vai ser sempre um espetáculo menor”, 345
6.5 O Brasil consegue a classificação no futebol, mas os problemas estruturais do esporte amador no país continuam, 353

6.5.1 Hamilton Chance Rubio (1968): “o amador sente mais a perda do que o profissional”, 358
6.6 Nos anos 70 o debate é sobre futebol, Educação Física e estrutura do esporte amador brasileiro, 368

6.6.1 Jorge Osmar Guarnelli (1972): “Olímpicos estão em busca da experiência”, 379
6.7 Enquanto o COB e a CBD querem transformar o Brasil em uma potência esportiva, Havelange vai para a FIFA, 392
6.7.1 “Por que os tricampeões mundiais de futebol não podem ser campeões olímpicos?”, 397

6.7.2 Carlos Roberto Rocha Gallo (1976): “a força máxima do futebol é a Copa do Mundo”, 410
6.8 Não muda a situação do esporte amador no país e o futebol brasileiro não se classifica para os Jogos de Moscou,  419
6.9 Apesar da tumultuada preparação o Brasil conquista a primeira medalha do futebol, 428

6.9.1 Gilmar Popoca (1984): “não valorizam muito a Olimpíada”, 442
6.10 Brasil: dos conflitos no Pré-Olímpico à medalha de prata em Seul, 453

6.10.1 Neto (1988): “O futebol olímpico não deveria ser profissional”, 467

CONCLUSÕES, 474

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 481

ANEXOS, 502
Carta de Baillet-Latour informa o retorno do futebol aos Jogos Olímpicos (1935), 502
Formulário de inscrição para os Jogos Olímpicos e declaração de amador (1967), 504
Comitê Executivo da FIFA (2013), 505
Comitê Executivo do COI (2013), 506

APÊNDICE
, 508
Apêndice A: Termo de consentimento livre e esclarecido, 508
Apêndice B: Entrevistados do futebol masculino pelo Projeto Memórias Olímpicas por Atletas Olímpicos, 509
Apêndice C: Tabela dos quatro primeiros colocados em cada edição olímpica do futebol masculino, 518

Referência

GIGLIO, Sérgio Settani. COI x FIFA: a história política do futebol nos Jogos Olímpicos. 2013. 518 f. Tese (Doutorado em Ciências) - Escola de Educação Física e Esporte, Universidade de São Paulo, São Paulo, 2013.