Com o time em campo

Autores

Michelle da Costa Portela

Subtítulo

megaeventos esportivos, Copa Verde e os conflitos de uma agenda ambiental global

Orientador

Lúcia da Costa Ferreira

Banca

Aline Vieira de Carvalho, Jose Eduardo Viglio, Thales Haddad Novaes De Andrade, Antonio Ribeiro de Almeida Junior

Faculdade / Instituição

Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas

Tipo

Tese

Área de concentração

Doutorado em Aspectos Sociais de Sustentabilidade e Conservação

Ano

2017

Páginas

155

Cidade

Campinas

Resumo (pt)

Este estudo versa sobre os conflitos sociais na arena ambiental da Copa do Mundo do Brasil, em 2014, no contexto da inclusão do Brasil e do BRIC’s no roteiro de megaeventos de abrangência global, e os sentidos sobre sustentabilidade desencadeados nesse processo. Se por um lado, o projeto desenvolvimentista soube incorporar esse elemento na centralidade da realização do evento, como força legitimadora do país hospedeiro às expectativas de países middle-class, a compreensão sobre os movimentos sociais que se organizaram em torno dos megaeventos corrobora estudos recentes sobre coalizões de grupos que, embora ainda de fundo de resistência neoliberal e mantendo uma grande variedade de objetivos, valores e modelos de organização, têm sido capazes de obter a convergência ideológica e compartilha formas de ação, enfatizadas pelas oportunidades oferecidas pelos eventos internacionais, tais como megaeventos. Dessa forma, a Copa 2014 marcou uma convergência momentânea de grupos e organizações de diferentes orientações ideológicas e estruturas de movimento em oposição a um adversário comum (neste caso, o capitalismo/neoliberalismo), a partir de diferentes características do que está em primeiro plano por cada movimento, tais como a posição dominante das empresas multinacionais, a exclusão das minorias e a destruição do ambiente, para dar amplitude às denúncias e reivindicações reformistas e denunciar o caráter top-down da promoção da responsabilidade ambiental corporativa como uma encenação de sustentabilidade, numa arena em que os impactos do eventos e as respostas sociais tornaram as contradições impossíveis de serem encobertas pelo agendamento oficial devido ao uso de estratégias de comunicação e conquista da opinião pública por meio das mídias alternativas criadas para ampliar o poder de crítica dos “atingidos pela Copa”.

Abstract

This study deals with the social conflicts in the environmental arena of the 2014 World Cup in the context of the inclusion of Brazil and BRIC in the global mega-events roadmap and the meanings about sustainability triggered in this process. If, on the one hand, the developmentalist project was able to incorporate this element in the centrality of the event, as a legitimizing force of the host country to the expectations of middle-class countries, an understanding of the social movements organized around mega-events corroborates recent studies on Coalitions of groups that, although still bottom of neoliberal resistance and maintaining a wide variety of goals, values and organizational models, have been able to achieve ideological convergence and share forms of action, emphasized by the opportunities offered by international events such as Mega events. To this point, the 2014 World Cup marked a momentary convergence of groups and organizations of different ideological orientations and structures of movement as opposed to a common adversary (in this case, capitalism / neoliberalism), from different characteristics of which is in the foreground by such as the dominant position of multinational corporations, the exclusion of minorities and the destruction of the environment, to give amplitude to the denunciations and reformist demands and denounce the top-down character of the promotion of corporate environmental responsibility as a staging of sustainability, in a an arena in which the impacts of events and social responses have made contradictions impossible to conceal by official scheduling using communication strategies and public opinion through alternative media created to broaden the critical power of those affected by the World Cup.

Sumário

INTRODUÇÃO, 13

CAPÍTULO 1. POSICIONANDO A QUESTÃO AMBIENTAL EM MEGAEVENTOS, 18

1.1 Que faz um evento ‘mega’, 18

1.2 O crescimento dos megaeventos e seu alcance no século XXI, 21

1.3 Os legados na centralidade de megaeventos, 25

1.4 Legado ambiental como elemento central de megaeventos modernos, 29

1.4.1 Megaeventos ambientais: perspectiva histórica, 33

1.4.2 O Green Goal e o legado ambiental, 35

1.5 O futuro do legado ambiental, 40

CAPÍTULO 2. ANALISANDO AS ARENAS AMBIENTAIS DA COPA DO MUNDO, 47

2.1 Introdução, 47

2.1.1 Pesquisando a copa do mundo no Brasil, 47

2.2 Aspectos teórico-metodológicos, 49

2.3 Os discursos e estratégias ambientais em disputa, 55

2.4 Delimitação do corpus, 62

CAPÍTULO 3. COPA 2014, SUSTENTABILIDADE E DESENVOLVIMENTO, 65

3.1 Agentes na arena: grupos de interesse e reflexos das suas atuações, 66

3.2 Arena 1: Megaeventos, meio ambiente e países em desenvolvimento, 68

3.3 Compensação de carbono: um exemplo de normatização internacional, 83

3.4 Outros legados da Copa, 98

CAPÍTULO 4. MEGAEVENTOS E CONFLITOS SOCIAIS, 100

4.1 Estratégias e conflitos em lugares em disputa, 101

4.1.1 “Vozes dissidentes”, 104

4.2 Avaliando os adversários: dois anos após a Copa, 128

CAPÍTULO 5. CONCLUSÃO, 130

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS, 138

Referência

PORTELA, Michelle da Costa. Com o time em campo: megaeventos esportivos, Copa Verde e os conflitos de uma agenda ambiental global. 2017. 155 f. Tese (Doutorado em Aspectos Sociais de Sustentabilidade e Conservação) - Instituto de Filosofia e Ciências Humanas, Universidade Estadual de Campinas, Campinas, 2017.