Do dom à Profissão

Autores

Arlei Sander Damo

Subtítulo

a formação de futebolistas no Brasil e na França

Editora

Aderaldo & Rithschild Ed., Anpocs

Cidade

São Paulo

Tema

Jogadores de futebol

Área de concentração

Antropologia Social

Páginas

359

Ano

2007

ISBN

9788560438341

Sumário

Prefácio – Ruben George Oliven, 17

Introdução, 21

Capítulo 1 – A diversidade futebolística e a dinâmica das emoções na versão espetacularizada, 33
1.1 Football e futebóis, 35
1.1.1 Codificação, diáspora e bricolagem do football association, 35
1.1.2 As matrizes futebolísticas, 39
1.1.2.1 A matriz bricolada, 40
1.1.2.2 A matriz espetacularizada, 42
1.1.2.3 A matriz comunitária, 45
1.1.2.4 A matriz escolar, 47
1.2 A dinâmica das emoções no futebol de espetáculo, 49
1.2.1 Paixão Clubística e emoções engajadas, 51
1.2.2 O clubismo brasileiro como trama social e simbólica, 56

Capítulo 2 – Espetacularização do futebol e a mercadorização dos jogadores, 68
2.1 Profissionalização e mercadorização em diacronia, 70
2.1.1 A compensação pelo não trabalho, 70
2.1.2 Os primórdios da mercadorização dos futebolístas, 74
2.1.3 A ética capitalista e o mercado para pés-de-obra, 81
2.2 As políticas de recrutamento da dupla Gre-Nal, 85
2.2.1 O recrutamento estratégico de negros pelo Inter, 85
2.2.2 As estratégias de recrutamento num mercado periférico, 88

Capítulo 3 – O estatuto dos jogadores e os capitais futebolísticos, 93
3.1 As especificidades da carreira de futebolista, 94
3.1.1 A face oculta da profissão, 94
3.1.2  A impressão de meninos e meninas sobre os boleiros, 103
3.1.3 Brasil, “celeiro de craques”, 108
3.2 Os capitais futebolísticos, 112

Capítulo 4 – Os modelos de formação/produção, 124
4.1 Os modelos de produção com base no futebol, 127
4.1.1 A produção endógena, 127
4.1.2 A produção exógena, 136
4.1.3 A produção híbrida, 144
4.2 A formação de futebolistas “à francesa” e “à brasileira”, 144
4.2.1 A performance futebolística das formações “à francesa” e “à brasileira”, 147
4.2.2 O desempenho escolar das formações “à francesa” e “à brasileira”, 151

Capítulo 5 – Nos bastidores da configuração colorada, 156
5.1 A nação colorada, 157
5.2 Homens à beira de um “ataque de nervos”, 162
5.2.1 A crise de resultados e o desespero dos torcedores, 163
5.2.2 As categorias de base como solução para a crise, 166
5.3 Meninos no meio de homens, 174

Capítulo 6 – O espectro do dom, 185
6.1 Definições e indefinições do dom, 187
6.1.1 O dom/talento e o dom/dádiva, 187
6.1.2 O dom futebolístico matizado pelas teorias da reciprocidade, 195
6.2 A transmutação do dom no futebol, 203
6.2.1 Os ganhos ambivalentes advindos do dom, 203
6.2.2 O “dinheiro do dom” a partir de “A história de Iranildo”, 207

Capítulo 7 – Jogando na rua
, 226
7.1 A rua no imaginário futebolístico, 227
7.2 Virilidade, coragem e outros atributos masculinos, 237
7.3 O engendramento do gênero a partir dos jogos de futebol, 243

Iconografia, 253

Capítulo 8 – As rotinas de um centro de formação, 265
8.1 Progressões e exclusões, 266
8.2 Dois dispositivos estratégicos da formação colorada, 278
8.2.1 Recrutamento e seleção precoce de talentos, 278
8.2.2 O internato e as suas múltiplas funcionalidades, 281

Capítulo 9 – A lapidação do dom e o futebol moderno, 289
9.1 As categorias espaço e tempo, 290
9.2 O senso prático e as práticas esportivas, 292
9.3 Treino é trabalho, 296
9.4 Trabalho e rotina, 299
9.5 A pior das rotinas: a preparação física, 302

Capítulo 10 – Os mercadores do dom, 310
10.1 A garipagem de dons, 314
10.2 Os agentes/empresários, 321

Considerações finais, 331

Notas, 335

Referências bibliográficas, 349

Sinopse

Do moleque que joga bola na esquina do bairro, ao craque vendido no mercado mundial de pés-de-obra, circulando entre atletas das mais variadas delegações no Brasil e na França, esse livro segue os percalços surpreendentes da formação do futebolista. O autor procura entender o que atrai tantos jovens para essa arena altamente competitiva e desgastante. O enfoque comparativo acompanha uma análise que coloca em destaque não somente os processos globalizados do “futebol de espetáculo”, mas também as particularidades nacionais que, ampliando ou limitando o leque de alternativas, canaliza certos jovens para a carreira de esportista.

Cláudia Lee Fonseca antropóloga, professora da UFRGS.

Ao contrário do que se imagina seguidamente, para ser jogador profissional de futebol não basta talento. A formação de futebolistas é um processo extremamente competitivo: em torno de 5.000 horas de investimentos realizados diretamente no corpo, através de rotinas altamente disciplinadas, extenuantes e monótonas. Os dispositivos usados na produção de jogadores constituem-se numa série extensa e heteróclita de elementos, entre os quais se destacam os centros de formação, as técnicas de recrutamento de talentos precoces, as tecnologias de treinamentos, os especialistas as redes de agenciamentos e as normas legais, entre outros. Articulados a partir de lógicas distintas, tais dispositivos cumprem estrategicamente a função de prover o mercado de pés-de-obra, atendendo as demandas de times vinculados a clubes que, por seu turno, representam comunidades afetivas. Este livro explica a trama social e simbólica que constitui o poder de sedução da profissão de jogador. A partir de um detalhado estudo etnográfico, realizado no Brasil e na França, o livro explora as práticas dos agentes e das agências que gravitam no entorno de jovens em vias de converterem o dom em profissão.

Referência

DAMO, Arlei Sander. Do dom à Profissão: a formação de futebolistas no Brasil e na França. São Paulo: Aderaldo & Rithschild Ed., Anpocs, 2007.