Estádio Olímpico Monumental

Autores

João Batista Lopes da Silva

Subtítulo

o templo da imortalidade

Orientador

Luís Otávio Teles Assumpção

Banca

Gislane Ferreira de Melo, José Tarcisio Grunennvaldt, Lino Castellani Filho, Elvio Marcos Boato

Faculdade / Instituição

Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física, Universidade Católica de Brasília

Tipo

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em Educação Física

Ano

2018

Páginas

229

Cidade

Brasília

Resumo (pt)

Este trabalho constitui-se em um resgate do sentido da memória do Estádio Olímpico Monumental, localizado em Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brasil, que foi o estádio oficial do Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense de 1954 a 2013. Nesse último ano, iniciou um processo de demolição que se encontra em andamento. Por ser uma praça esportiva de grande repercussão cultural, assim como um patrimônio do futebol e possuir vínculo identitário de torcedores do Grêmio, justifica-se a presente pesquisa. O objetivo geral foi interpretar, analisar e buscar o sentido do Estádio Olímpico Monumental enquanto um “lugar de memória” – conceito desenvolvido pelo historiador francês Piere Nora – a partir das vozes de atores sociais que possuem um vínculo de pertencimento ao Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense e ao próprio estádio. Para os objetivos específicos buscamos contribuir no registro da memória coletiva por meio da análise dos impactos que a demolição do Estádio Olímpico Monumental pode causar, já causam/causaram nas pessoas que fazem ou fizeram parte da história do estádio, especialmente àqueles que estão, de alguma forma, envolvidos com os desígnios e desmembramentos dos grandes acontecimentos ligados ao futebol. Aliados a Pierre Nora, constituem o aporte teórico desta investigação autores que corroboram os estudos da memória e identidade: Maurice Halbwachs, Joël Candau, Michel Pollak, Ecléa Bosi, Zygmunt Bauman; e autores que enquadram memórias do Estádio Olímpico Monumental a partir personagens que fizeram história naquele lugar, como Léo Gerchmann e Eduardo Bueno. A pesquisa tem caráter qualitativo de base etnográfica, utilizando-se das técnicas da história oral, uma vez que se caracteriza pela busca da compreensão dos sentidos narrados pelos vinte e dois entrevistados acerca de um patrimônio cultural concebido de forma particular e emotiva no imaginário desses atores sociais e recorre à descrição e interpretação dos dados em contexto natural em que o local de memória é caracterizado por ser um componente cultural presente na vida e experiências sociais do grupo envolvido. Além das entrevistas em profundidade que estimularam as narrativas dos atores sociais e, portanto, é o principal instrumento de coleta de dados, utilizamos como fontes empíricas um diário de campo do pesquisador, matérias jornalísticas e documentos oficiais do clube. Para o processo de análise, elencamos sete categorias de análise, escolhidas a posteriori. São elas: “O Estádio Olímpico como patrimônio”; “Memória e identidade: a noção de pertencimento”; “Os jogos monumentais no Estádio Olímpico”; “A personificação do lugar”; “O estádio como lugar de memória”; “Diversidade e gênero no campo e nas arquibancada” e “Da catarse coletiva ao drama da demolição”. Ao final do estudo, podemos considerar que as pessoas que têm relação de pertencimento com o Estádio Olímpico, ao mesmo tempo em que sofrem com a perda de uma estrutura física que remete a um lugar de memória com grande significado para construção de sua identidade e vínculos afetivos, alçam o Estádio Olímpico Monumental a uma dimensão que transcende a matéria, personifica o lugar e fortalece a caracterização de um lugar de memória que tem aura.

Abstract

This research constitutes a rescue of the sense of memory of the Monumental Olympic Stadium, located in Porto Alegre, Rio Grande do Sul, Brazil, which was the official stadium of the Foot-Ball Porto Alegre Alegrense from 1954 to 2013. In that last year, has begun a demolition process that is under way. As it is a sport plaza with a great cultural repercussion, as well as a football heritage and has an identity bond of Grêmio supporters, this research is justified. The general aim was to understand, analyze and seek for the meaning of the Monumental Olympic Stadium as a “place of memory” – a concept developed by the French historian Piere Nora – from the voices of social actors who have a bond of belonging to the Grêmio Foot-Ball Porto Alegrense and the stadium itself. For the specific aims we seek to contribute to the registration of collective memory by analyzing the impacts that the demolition of the Monumental Olympic Stadium can cause, already causes / caused in the people who make or were part of the history of the stadium, especially to those who are, in some way, involved in the design and dismemberment of major football events. The theoretical contribution, beyond Pierre Nora, are based on research authors that corroborate the studies of memory and identity such as Maurice Halbwachs, Joël Candau, Michel Pollak, Ecléa Bosi, Zygmunt Bauman; and authors who discuss the memories of the Monumental Olympic Stadium from characters who made history in that place, such as Léo Gerchmann and Eduardo Bueno. The research has a qualitative ethnographic basis, using oral history techniques, since it is characterized by the search for the understanding of the meanings narrated by the twenty-two interviewees about a cultural heritage conceived in a particular and emotional way in the imaginary of these social actors and it uses the description and interpretation of data in a natural context in which the place of memory is characterized as being a cultural component presented in the life and social experiences of the group involved. In addition to the in-depth interviews, that stimulated the narratives of the social actors and, therefore, is the main instrument of data collection, we use as empirical sources a field journal of the researcher, journalistic materials and official documents of the club. For the process of analysis, we list seven categories of analysis, chosen a posteriori. They are: “The Olympic Stadium as patrimony”; “Memory and identity: the notion of belonging”; “The monumental games at the Olympic Stadium”; “The personification of the place”; “The stadium as a place of memory”; “Diversity and gender in the field and in the stands” and “From collective catharsis to the drama of demolition”. At the end of the study, we can consider that people who have a relation of belonging to the Olympic Stadium, at the same time, they suffer from the loss of a physical structure that refers to a place of memory with great significance for the construction of their identity and also affective bonds, they elevate the Monumental Olympic Stadium to a dimension that transcends matter, personifies the place and strengthens the characterization of a place of memory that has aura.

Sumário

1. INTRODUÇÃO, 24

2. METODOLOGIA DA PESQUISA, 37
2.1 O Contexto do Estudo, 37
2.1.1 O Grêmio de Foot-Ball Porto Alegrense, 38
2.1.2 O Estádio Olímpico Monumental,. 40
2.2 Aproximação ao Método, 44
2.2.1 Pesquisa Qualitativa de Base Etnográfica, 44
2.3 Instrumentos de Coleta de Dados, 45
2.3.1 Entrevista Qualitativa, 45
2.3.2 Narrativas, 47
2.3.3 Análise Documental, 48
2.3.4 Observação Participante, 48
2.4 Os Atores Sociais, 49
2.4.1 Quadro Descritivo dos Sujeitos da Pesquisa,. 49
2.4.2 O Grupo Focal “Gremistas do DF”, 51
2.5 Abordagem Interpretativa dos Dados, 52
2.6 Categorias Analíticas, 53

3. FUNDAMENTAÇÃO TEÓRICA, 54
3.1 O que é memória ?, 55
3.2 Memória Coletiva, Identidade e Sociedade, 58
3.3 Lugar de Memória, 67
3.3.1 Os lugares de memória são “restos”, 74
3.3.2 Domínios/Classificação dos lugares de memória, 76

4. MEMÓRIAS DO ESTÁDIO OLÍMPICO MONUMENTAL NAS VOZES DE SEUS
PROTAGONISTAS, 78
4.1 O Estádio Olímpico como Patrimônio, 79
4.1.1 Ressonância, 85
4.1.2 Materialidade, 86
4.1.3 Subjetividade, 87
4.2 Memória e Identidade: a noção de pertencimento, 91
4.3 Os Jogos Monumentais, 113
4.4 Memória da Diversidade, 132
4.4.1 A mulher no Olímpico Monumental, 133
4.4.2 Coligay – a primeira torcida gay do Brasil, 142
4.4.3 O Grêmio em azul, preto e branco: o papel do negro na constituição da identidade gremista, 147
4.4.3.1 Everaldo, 143
4.4.3.2 Lupicínio, 153
4.4.3.3 O negro estádio, 157
4.5 A Personificação do Lugar,161
4.5.1 Hélio Dourado – “O Pai do Olímpico”,162
4.5.2 Ema Coelho de Souza – “A Mãe do Olímpico” , 173
4.5.3 Danrlei – “O Filho do Olímpico” , 179
4.6 O Olímpico Monumental como Lugar de Memória, 185

5. CONSIDERAÇÕES FINAIS, 207
REFERÊNCIAS,  212

Referência

SILVA, João Batista Lopes da. Estádio Olímpico Monumental: o templo da imortalidade. 2018. 229 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Programa de Pós-Graduação Stricto Sensu em Educação Física, Universidade Católica de Brasília, Brasília, 2018.