Futebol e identidade nacional brasileira

Autores

Paulo Nascimento

Subtítulo

o caso da Copa do Mundo de 1938

Orientador

Tânia da Costa Garcia

Faculdade / Instituição

Faculdade de História, Direito e Serviço Social, Universidade Estadual Paulista

Tipo

Monografia

Área de concentração

História

Ano

2006

Páginas

69

Cidade

Franca

Resumo (pt)

A Copa do Mundo de futebol de 1938, disputada na França, foi o primeiro grande momento de entusiasmo do povo brasileiro com a seleção nacional. Ao ser trazido para o Brasil, na virada do século XIX para o XX, o futebol era praticado unicamente nos clubes de elite do Rio de Janeiro e São Paulo, sendo utilizado inclusive como traço distintivo desta classe. A sociedade, à época, se via às voltas com as mudanças ocasionadas por conta da troca de regime de governo, da monarquia para a república. Ao longo dos anos 10 e 20, o futebol foi adquirindo cada vez mais adeptos, na medida em que as cidades cresciam e o processo de urbanização e industrialização intensificava-se. Simultaneamente a este processo, a classe intelectual brasileira interessava-se cada vez mais em definir um arquétipo sobre o nacional, construir algumas ideias gerais definidoras que serviriam para, num âmbito global, diferir o brasileiro de outros povos e elaborar as peculiaridades do Brasil em relação a outras nações. A partir da década de 30, o futebol alcançou um enorme grau de difusão em várias camadas da sociedade brasileira. Este grau de popularidade do esporte serviu para que as vitórias que o time nacional de futebol conquistava em torneios no exterior servissem como parâmetro para propagar um modelo de identidade nacional que se construiu durante o Estado Novo. A teoria da “raça brasileira”, difundida por intelectuais na década de 30, e que tinha como alicerce a idéia de que a miscigenação promovida durante o período colonial brasileiro era um fator que enaltecia o brasileiro, foi diretamente projetada na seleção brasileira de 1938, por conta de seus jogadores negros e mulatos que, ineditamente, participavam de uma seleção nacional. Uma das principais características da política governamental de Getúlio Vargas, no que diz respeito à cultura, foi atrelar elementos de uma crescente “cultura popular” a idéias como “nação”, “cidadania” e “brasilidade”. A partir da cobertura que o jornal “Diario de S. Paulo” fez ao evento, pode se constatar o enorme grau de repercussão que o a Copa de 38 teve na sociedade brasileira, bem como o sucesso por parte do governo em transformar o time em um catalisador da identidade nacional.

Palavras-chave: nacionalismo, identidade nacional, Era Vargas, futebol.

 

Sumário

Introdução, 7

1. Início da República: contexto, 11
1.1 A sociedade e a política brasileira no início da república, 19
1.2 Intensificação do processo de industrialização e surgimento de metrópoles – processo de urbanização, 23
1.3 A abolição da escravidão e a marginalização do negro na sociedade brasileira, 25
 
2. A chegada do futebol no Brasil, 28
2.1 As práticas da sociedade brasileira no começo do século XX, 30
2.2 O futebol: dos clubes de elite aos campos de várzea das grandes cidades, 39
 
3. Institucionalização do futebol, 45
3.1 O Governo Vargas: elementos populares atrelados à noção de “brasilidade”, 47
3.2 Copa do Mundo de 1938: o futebol como fator de identidade nacional, 51
 
Considerações finais, 59
 
Fontes, 63
 
Bibliografia, 65

Referência

NASCIMENTO, Paulo. Futebol e identidade nacional brasileira: o caso da Copa do Mundo de 1938. 2006. 69 f. Monografia (História) - Faculdade de História, Direito e Serviço Social, Universidade Estadual Paulista, Franca, 2006.