Joia ou gente?

Autores

Arthur Sales Pinto

Subtítulo

opinião de treinadores brasileiros sobre jogadores de futebol da categoria masculino sub-15

Orientador

Alexandre Janotta Drigo

Banca

Lenadro Carlos Mazzei, Roberto Tadeu Iaochite

Faculdade / Instituição

Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista

Tipo

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em Educação Física

Ano

2018

Páginas

109

Cidade

Rio Claro

Resumo (pt)

Na presente pesquisa, buscou-se entender como o treinador das categorias de base do futebol masculino no Brasil, na faixa etária sub-15, define o jovem jogador, levando em consideração as possíveis influências mercadológicas e midiáticas em seu ambiente de trabalho e, consequentemente, em seu olhar. No meio do futebol, é usual que jogadores sejam descritos como mercadorias. Um exemplo disso é a palavra joia, usada como referência a um jovem jogador de grande talento ou potencial. Também são frequentes relatos de que, nos ambientes de formação, jovens jogadores enfrentam situações como distanciamento escolar e familiar, além de diversos tipos de abusos conflitantes com o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), uma lei federal que versa sobre os direitos básicos de crianças e jovens no Brasil. Por meio de entrevistas com 25 treinadores da categoria sub-15 de clubes de futebol filiados à Confederação Brasileira de Futebol (CBF); da análise da Lei Pelé e do Certificado de Clube Formador (CCF), que regula a relação de trabalho entre clubes e jovens jogadores; da descrição de jogadores como “joias” em sites jornalísticos especializados; do ECA e de documentos balizadores da ética profissional na área da Educação Física, formação frequente dos treinadores de futebol no Brasil; e com o auxílio dos estudos de mídia e esporte de Bourdieu e Mauro Betti, verificou-se que o modo como os treinadores entrevistados definem os jovens jogadores se apresentou distanciado do praticado pela mídia, demonstrando uma baixa influência da segunda sobre as definições dos primeiros. Enquanto a mídia define, frequentemente, o jovem jogador como uma mercadoria, ou joia, o treinador o enxerga de maneira mais humanizada. As influências midiáticas apontadas na rotina do treinador se relacionam mais ao ambiente de trabalho. Em contrapartida, de acordo com as respostas dos entrevistados, os clubes enxergam os mesmos jovens muito mais como mercadorias do que como seres humanos, conceito próximo do que é apresentado na redação do artigo 29 da Lei Pelé, que versa sobre a relação de trabalho entre clube e jogador em formação. Em relação aos direitos básicos dos jovens jogadores, dados disponibilizados pela CBF sobre o CCF e pela Federação Paulista de Futebol (FPF) sobre competições sub-15 reforçam a impressão de que as violações ao ECA são frequentes nos centros de formação e, por conta disso, o treinador se encontra atuando em um ambiente que o coloca em conflito tanto com o próprio estatuto quanto com documentos balizadores da ética de sua profissão. O desempenho profissional dos treinadores é avaliado majoritariamente por questões esportivas, sendo pouco observada a sua conduta ou o processo de formação humana dos jovens jogadores, de modo que, de acordo com as respostas dos entrevistados, os treinadores são pouco exigidos nesses dois aspectos pelos seus empregadores.

Abstract

This study aims to understand how youth football coaches (U-15) define young players, considering possible influences from media and market on those definitions and on the coaches’ work environment. Inside the football environment, including all its agents, it is usual to describe players as commodities, like the example: jewel is a word used to describe young talented players. Different sources indicate that young players face situations like: being held off school and family and many kinds of abuse, which oppose to “Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA)”, a Brazilian children’s rights federal law. By interviewing 25 U-15 coaches working on “Confederação Brasileira de Futebol” (CBF)’s filiated clubs, and through the analisis of “lei Pelé” and “Certificado de Clube Formador” (CCF), which regulates the employee relationship between young players and clubs; the use of the word jewel to describe players in sports websites; the ECA and ethical profesional guidelines in Physical Education (most of the coaches have this degree) and supported by Bourdieu and Betti’s media and sport studies, it has been shown that the way coaches define the young players is not close to the one performed by the media, indicating its low influence on coaches’ young-player definitions. Media defines, usually, young players as commodities, or jewels, while coaches have a more humanized understanding about them. Media influences are more related to its impact over coaches’ work environment. Otherwise, according to coaches’ answers, for the clubs, young players are much more like commodities than human beings. A very similar understanding is shown in lei Pele’s 29th article. About the young players’ rights, data from CCF’s, CBF and Federação Paulista de Futebol (FPF) from tournments reafirm the assumption that ECA’s violations happen oftenly in youth academies, which indicates that the coaches’ work environment pushes them against ECA and Phisycal Education professional ethical guidelines. According to coaches’ answers, they are evaluated basically for sports results, players’ human development, and professional behaviour are almost not considered by their employers.

Sumário

1 INTRODUÇÃO,11
1.1 O Estatuto da Criança e do Adolescente: o ponto de partida para reflexões sobre as categorias de base, 16
1.2 O jovem jogador como mercadoria: percepções iniciais, 16

2 JUSTIFICATIVAS, 19

3 OBJETIVOS, 20
3.1 Objetivo geral, 20
3.2 Objetivos específicos, 20

4 REFERENCIAL TEÓRICO, 21
4.1 Influência da mídia no esporte, 23
4.2 O esporte “da mídia”, 24
4.3 A mídia, a joia e o trabalho do treinador, 27
5 Revisão da literatura, 29
5.1. Desrespeito aos direitos da criança e do adolescente no futebol masculino
de base brasileiro, 29
5.1.1 Dentro do CT, fora da escola, 30
5.1.2 O “sair de casa” como marco da transformação do lúdico em trabalho, 31
5.1.3 Longe de casa e vulneráveis, 32
5.2 O talento e a concorrência no futebol masculino brasileiro, 33
5.3 A formação de treinadores de futebol no Brasil, 34
5.4. A ética da Educação Física no contexto esportivo: conceitos da Pedagogia do Esporte, 39
5.4.1. Ética, 39
5.4.2. Ética esportiva segundo a Educação Física, 41
5.4.3. A formação esportiva segundo a Educação Física: área de atuação da Pedagogia do Esporte, 47

6 Metodologia, 51
6.1 A entrevista, 53
6.2. Os documentos analisados, 57
6.3 Análise das entrevistas, 59
6.4 A triangulação dos dados, 60

7 Resultados, 62 
7.1 Análise de conteúdo das respostas dos entrevistados, 62
7.2 Análise documental, 75

8 Discussão, 84

9 Conclusões, 90

Referências bibliográficas, 95
APÊNDICES, 104

Referência

PINTO, Arthur Sales. Joia ou gente?: opinião de treinadores brasileiros sobre jogadores de futebol da categoria masculino sub-15. 2018. 109 f. Dissertação (Mestrado em Educação Física) - Instituto de Biociências do Campus de Rio Claro, Universidade Estadual Paulista, Rio Claro, 2018.