Ludopédio em casa #12: Doze Futebol e Peleja

Autores

Equipe Ludopédio

Formato do vídeo / especificação

HD

País

Brasil

Duração

111 min.

Ano

2020

Produtora

Ludopédio

Elenco

João Pedro Castro [Doze Futebol]

Murilo Megale [Peleja]

Marco Lourenço

Sérgio Settani Giglio

Sinopse

Depois de uma quarentena inteira tropeçando nas lives e (tentando) construir na raça novos conteúdos, o Ludopédio convidou os canais Peleja e Doze Futebol para contar sobre a experiência no youtube e o que tem mudado na plataforma nos últimos anos.

Referência

LUDOPéDIO EM CASA #12: DOZE FUTEBOL E PELEJA. Direção: Equipe Ludopédio. Brasil. Ludopédio, 2020. HD.

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Perguntas

 

O que significa procurar entender a audiência, pensando basicamente o YouTube?

PELEJA

“A gente busca Netflix, Amazon, Dazn.”

Do nosso caso são audiências diferentes. No IGTV, a audiência é diferente. Tem gente que só consome a gente no Instagram. No Facebook, por ex., eu vejo que a galera é mais descontraída. No YouTube, o público está mais preparado para receber outras coisas. No YouTube são quase 500 mil pessoas inscritas. No Face, são 450 mil.

DOZE

“Com a gente acontece a mesma coisa”

O que a gente tentou fazer foi postar numa rede e colocar o link na outra.

A gente pensa muito em expandir, não ficar restrito ao YouTube. No Twitter, a gente faz threads. A gente usa Stories.

A gente percebeu um pouco essa zoação, mais no Face.

Em Campinas, tem uma galera bastante mobilizada por conta do dérbi.

Como é lidar com paixão clubística? Com torcedores que não sabem lidar com brincadeiras ou críticas?

DOZE

A gente não tem muito problema com isso. Não tem muita agressividade.  Pra gente, sempre foi tranquilo.

Tivemos problemas pessoais. Por ex.: no Chile. A torcida da La U e a do Colo Colo não queriam se ver juntas, no mesmo vídeo.

No nosso Twitter ou Face, nunca chegou a isso.

Isso que ele falou é verdade.

Quando a gente foi ao Chile, teve uma manifestação contra o Bolsonaro lá.

Os torcedores não querem que os rostos sejam mostrados. É bem difícil lidar com isso.

O que a gente vê aqui no Rio, a gente fez um vídeo sobre o primeiro jogo após o acidente no Ninho do Urubu. Tinha torcedor do Fluminense com a camisa do Flamengo. A gente tenta passar no vídeo com uma maneira “tranquila” de lidar com a rivalidade. A gente não tenta jogar gasolina nisso.

PELEJA

A gente fez vídeos fora do eixo.

A gente fala de rivalidades locais, específicas, construindo uma base plural, entendendo as rivalidades de cada região.

Falando de um clube que tem um grande rival, acaba falando do outro, e vice-versa. Por isso o cuidado ao abordar as duas histórias. Se fala de um clube, não pode demorar tanto tempo para falar do outro.

Como a gente gosta de confusão, estamos fazendo uma série sobre as rivalidades no Brasil, para saber qual é a maior. A gente, antes da pandemia, estava em Porto Alegre para falar do Gre-Nal.

Você está falando de produção.

Quando você vai fazer vídeo de rivalidades, você tem de dizer a verdade. Vamos retratar os dois lados. Ninguém quer estar por fora do vídeo. “Deixa eu mostrar bem a minha torcida”

Vocês falaram da audiência. Tem marcadores (10 min). Produz vídeos maiores, menores, documentário?

DOZE

Pra gente, nunca tivemos foco de tamanho de vídeo. A gente trata cada vídeo com o olhar. Certas histórias demoram mais para ser contadas do que outras. A gente quer contar de maneira fluida, segundo a narrativa de cada vídeo. Temos vídeos de 3 min, 10 min e a do Simas tem quase uma hora de vídeo. Apesar disso este vídeo do Simas é um dos mais visualizados. Sobre o dérbi campineiro, a mesma coisa. Pensando em nossa linha editorial, a gente deixa a história se contar por meio dela. A gente esquece o que é melhor para o YouTube.

PELEJA

A gente começou assim, mas hoje a gente tenta entender a lógica de cada plataforma. A maioria das pessoas não chega à metade de nossos vídeos.

Um vídeo maior, documentário, é mais caro de fazer, requer mais viagens. Temos de lançar 5 vídeos semanais, de futebol e basquete.

A gente tem uma equipe na produção. Como a gente está conseguindo ganhar uma grana, a gente tem chamado gente que entende e as coisas estão melhorando.

A gente tem o Ponto a Ponto, um programa que surgiu na pandemia.

Esse momento é muito atípico. Vocês estão conseguindo acessar outros nichos. Vocês discutiram sobre linguagens? Como driblar limites?

PELEJA

A gente não faz só conteúdo político. A gente entende que não tem como falar de futebol sem falar de política.

A gente sempre se preocupa em ser responsável com o que a gente produz. E tem crianças que veem esses vídeos.

São raros os canais do YouTube que o público é acima de 30 anos. Você vê molecada de 16 anos que ama nosso canal.

Tem um monte de gente que diz: Vocês estão ferrando com o meu estudo.

A gente tem experimentado algumas coisas. Temos um programa de animação para ser lançado.

É olhar para formatos, referências.

O comentário é parte da produção. A gente consegue fixar um comentário nosso. Tem muitos comentários. Teve caso que a gente teve de intervir, gente espalhando mentiras. Os comentários são responsabilidade nossa também. Ninguém pode sair com uma fake news que saiu dali.

A gente era um canal menor. Nos últimos dois anos, um ano e meio, a gente cresceu.

Tem gente que corrige a gente, com dados corretos. O erro faz parte. Quando a gente chamou uma equipe é para minimizar isso.

DOZE

Não vou dizer que não rolou mugidos nos comentários… A gente tirou um comentário de um vídeo nosso certa vez. N não se posiciona. A gente põe visão de pessoas que passaram por aquilo que estamos abordando.

Quem vê o Doze sabe nossa linha política.

Como a gente não se expõe, a gente se protege mais. Isso ajuda um pouco. Já teve, mas é raro também.

O que a gente tem de mais agressivo foi de torcedores rivais se zoarem.

O que vocês acham das franquias da Red Bull espalhadas pelo mundo? Ex. futebol moderno.

DOZE

Pensando na linha editorial do DOZE, a gente tentaria pensar o que é o torcedor do Red Bull, a partir da fala deles. Esse é um debate muito presente e a gente tem que pensar bem. Tem de entender a lei sobre futebol empresa. No main stream, vi que exaltam demais. Mas existem diversos exemplos que isso deu errado. A ideia no Doze traria a discussão à tona para discutir com pessoas, como o Irlan. Tem de tentar ver com quem entende.

Em determinados momentos, a gente quer falar, trazer à tona questões que torcedores não abordam. Não estar exposto, dá uma sensação de que a gente está mais protegido, principalmente questões políticas.

A nossa voz, na edição ou no roteiro, sempre deixa presente nossa posição.

PELEJA

Sempre entendi o Doze assim. Por vocês não aparecerem no vídeo.

Somos dois sócios. Nem sempre temos posições idênticas, políticas. O Pacheco e eu temos questões que acreditamos. A linha editorial do Peleja não é a visão do Murilo ou do Pacheco.

Sobre a polêmica do Caio, ele pedir para alguém falar menos me soa ingênuo. O entorno dele é político. O horário do jogo é política. Não é tudo pelo futebol. Se fosse por isso, talvez não teria jogos às 10h da noite. A escala para um jogo é política. O Cléber Machado fazer chamada de vídeo cassetadas é política. Não estou dizendo que é certo ou errado. A transmissão é política. Tem coisas muito mais políticas do que isso. Tudo é política.

Sobre o Red Bull. Fizemos um Fora do Eixo sobre os clubes Red Bull no mundo. Fizemos um vídeo mostrando a situação, tentamos incentivar um debate sobre isso.

Eu acho que tem que ser respeitado o torcedor. Você acha que funcionaria isso com a Ponte ou o Guarani? Eu acho que não funcionaria.

Eu tento não ser a favor de mudar um clube. Esse lance do futebol moderno é perigoso para mim. Sou contra esse futebol das marcas, mas ao mesmo tempo me pergunto: quando ele não foi das marcas? Tem muita gente dos anos 90 que é nostálgica, mas o que foi aquilo? Futebol era político, fazia grana. Futebol moderno é um pouco do que estamos fazendo aqui, discutindo produção de futebol durante uma pandemia. Não posso ser contra o futebol moderno. Isso tudo é futebol moderno. Tem coisas do futebol moderno que eu odeio. As páginas que odeiam futebol moderno enaltecem aquilo que também gosto.

O futebol é um produto moderno, das fábricas.

PELEJA

Tivemos uma CPI para discutir futebol. Quando os políticos não discutiram futebol?

Produções independentes e outras nem tanto. Uma coisa é ver uma produção no YouTube e outra na televisão. Quais tem sido as influÊncias de vocÊs

DOZE

Cinema e futebol vai virar conteúdo para gente. Por que fazer um filme sobre futebol? Hoje a gente vê um boom muito grande de séries, a Amazon, a NetFlix. O Cinefoot fez com que a gente conhecesse o trabalho de outras pessoas. Quando a gente fala de filme de futebol, a gente fala de outras questões.

Nessa questão de referência, a gente precisa olhar para fora, fora da nossa caixinha, temos de expandir um pouco.

PELEJA

Eu concordo.

A gente tem de ficar atento com coisas que estão rolando, com coisas que surgem pequenas, mas logo tem muitos seguidores. O Ponta de Lança é um exemplo.

O PELEJA bebe de projetos independentes muito menores do que a gente.

Com as redes sociais, com as ferramentas, com acesso a equipamentos, o acesso a consumir conteúdos.

O que seria as redes sociais com Túlio Maravilha, Romário… Não sou a favor de muitas coisas. As coisas mudaram com o tempo.

Resgatar um ponto da Lu Castro. Que lugar que o futebol feminino acaba ocupando na produção de vocês?

PELEJA

Durante o mundial do ano passado, algumas coisas mudaram. A gente quer muito falar disso. Temos o radar Peleja, um programa que talvez tenha mais acesso por semana. Queremos fazer um programa só com mulheres, da produção, roteiro e apresentação. Acho que tem que ser elas a fazer isso. Estamos nos movimentando a fazer isso.

O que eu acho importante pra isso? Colocar quem entende para falar. Tem muitos perfis legais para isso. A Dibradoras, a gente segue a Olga, a Fernanda Lima (que cuida das nossas redes sociais) tem um trabalho de pesquisa incrível. Ela nos ajuda a abrir nossos olhos para essa questão.

DOZE

No primeiro vídeo que editamos, falamos das dificuldades de torcedoras em jogos de futebol masculino, no caso. A gente pensou em fazer uma cobertura do Brasileirão feminino. Tem uma história da Dinagram, da década de 30, muito boa. A gente tem que dar voz a quem produz esses conteúdos. Pra elas poderem expressar a voz delas, pra não ser a gente, quatro homens, fazendo isso.

Parte do conteúdo dá para fazer dentro de casa. Como é que se pensa para fora do YouTube? Vocês dominam o conteúdo ou a plataforma? Como pensar um conteúdo dinâmico?

PELEJA

A gente estava com uma questão dessa até pouco tempo. O Peleja vai ser muito maior do que o YouTube. Por isso estamos fazendo um canal de NFL, NBA. Você se basear em conteúdo só usando esse algoritmo é muito perigoso. A gente tem 5 vídeos por semana em nossos canais. A audiência é importante para nossa monetização, mas ficar refém disso é perigoso.

O Peleja está no Facebook, com vídeos com mais de 1 mi de visualizações. Tem gente usando, vendo vídeo, consumindo.

O Facebook não monetiza vídeos. A plataforma em si coloca um anúncio no início, meio ou fim. Parte da grana vai para os produtores de conteúdo.

No Face, vídeos abaixo de 3 min de duração não são monetizados.

A monetização é importante para fazermos conteúdos legais, de outras coisas. Daí a gente alterou alguns vídeos para passar desse tempo e ser monetizado lá também.

Tente encontrar meios. No início, não tinha gente fazendo o que fazemos. O melhor conteúdo do mundo é brasileiro, é dos Impedidos.

É preciso entender a plataforma, entender o público.

Como é usar imagens sem poder usar imagens com direitos de imagem? Como lidar com isso? Quais saídas?

DOZE

Eu acho que isso não tem impactado pra gente porque a gente não monetiza nossos vídeos. Até porque não teríamos grandes retornos. Quando a gente acha que um gol precisa ser mostrado, a gente anima ele. Às vezes, a gente usa e aí não monetiza o vídeo.

Depende muito do que a gente quer falar. O gol do Angelim foi assim. A gente usa vídeos das pessoas, dos celulares, mas trabalhamos com a subjetividade.

É isso. No YouTube, ele está aí muito antes da Amazon, do Netflix. Ele é universal, consegue mostrar um vídeo para todo mundo. Orlando Pirates. É muito bom ter seu trabalho sendo visto ao redor do mundo, sendo mostrado para um público que não tinha conhecimento com a gente.

Não temos preocupação com isso ainda. A gente tenta diversificar nosso conteúdo. Não nos vemos distantes do YouTube por causa disso. Enquanto a gente não monetiza nossos vídeos, essa questão do direito de imagem não nos impacta.

PELEJA

Nossos documentários no Chile. Colo Colo. Tem uma parte de cenas da ditadura militar. A mesma coisa com fotos da época do Sim ou do Não ao Pinochet. Você vai tentando creditar as pessoas.

Não escolher monetizar vídeos, o próprio YouTube faz isso, com vídeos de terceiros. Ele bloqueia o vídeo e é desmonetizado. Com fotos é menos complexo, mas sempre tentamos dar o crédito.

Isso gerou problemas com fotógrafos ou com agências?

PELEJA

A liberação nem sempre vem fácil. O que a gente costuma fazer, explicar o PELEJA e o que a gente quer com o documentário. Nesses casos, a tendência é ser positiva a resposta.

Como é seu trampo com o Cinefoot, João?

DOZE

Não participei de todas as edições do Cinefoot. Estou desde 2012. Comecei como assistente de produção e fui começando. É uma escola de fato. É uma referência. Tomei contato com filmes de tudo quanto é lugar do mundo. Ligar a câmera com essa referência e experiência conta muito. Estar ao lado de craques ajuda muito.

Eu estudo Cinema na UFF, tenho uma base de estudo, de graduação, participei de uma série de produções. Antes de contar histórias, é importante ouvir histórias. Como eu vou falar do Palestino no Chile. Você tem de estar de olhos abertos, ouvidos abertos.

Sobre sua trajetória

PELEJA

Eu saí da VICE em dezembro de 2009. Quase cinco anos de Vice foi para aprender sobre produção de conteúdos. Tive sorte de a Vice ser uma empresa global. Tive muitas referências, em que fui bebendo, entendendo. Ela deu espaço para o PELEJA crescer em paralelo. Ela entendeu que precisava me ajudar para fazer documentários. O documentário BICHA é de 2018. Ninguém falava de homofobia. Foi importantíssimo o editorial da Vice permitir isso. Depois fizemos sobre as camisas da várzea. Cada documentário que eu faço a gente sabe que o próximo seria melhor ainda.

Dicas. Primeiro, não há sorte. É competência nossa. Ninguém assistia o Fora do Eixo no início. Não pelos clubes. A visualização é a mesma. Hoje a gente reclama quando o vídeo não chega a 100 mil. É muita competência, mas é um privilégio meu eu ser um cara branco, homem, hétero. Isso me dá abertura no mercado. As portas do futebol que é o que eu amo se abrem mais para mim.

Não gosto de ver vídeos de youtubers falando que basta acreditar que vai chegar. Eu sempre vou ter consciência disso. É um pouco de sorte da minha parte.

Dando uma dica, as coisas estão mais acessíveis agora do que há vinte anos. Todos os smartphones fazem vídeos aceitáveis para colocar numa plataforma. Faça conteúdo. Cuidado ao seguir o que está dando muito certo. São milhares de fatores que influenciaram para dar certo. Não existe uma fórmula para dar certo.

O Peleja tem um negócio com a Umbro hoje.

Acredite no seu conteúdo e tente espalhar.

Quando saímos de mil visualizações, quando um conteúdo seu saiu daquele grupinho.

O conteúdo pouco visto não quer dizer que seja ruim.

Cuidado ao insistir muito tempo em um conteúdo que não deu certo. Quanto tempo é muito tempo. Não sei.

DOZE

Eu vou muito no caminho do PELEJA. A pessoa estar feliz com o que produz.

O retorno não necessariamente financeiro.

No Doze, estamos muito felizes com o que fazemos. Antes de pensar em monetizar, estamos querendo contar essas histórias.

A gente sempre tenta mostrar as vozes. Tentamos levantar outros projetos independentes.

Se você está contente com seu conteúdo, é isso que tem que buscar. A monetização vem depois.

O lance é esse deixar o entrevistando falando.

João Pedro Castro (Doze Futebol) – DOZE

“A gente também olha pra torcida. A gente já tinha a ideia de contar a história de torcedores pela voz dos torcedores.”

“A gente dá voz aos torcedores.”

O Doze está com três anos. Desde 2018, a gente começou a criar mais conteúdo, direto.

Murilo Megale (Canal Peleja) – PELEJA

 “A gente foi entendendo nossa audiência”