Maracanazo e Mineiratzen

Autores

Chico Brinati

Subtítulo

imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1950 e 2014

Orientador

Ronaldo George Helal

Banca

Letícia Cantarela Matheus, Édison Luis Gastaldo, Márcio de Oliveira Guerra, César Gordon Júnior

Faculdade / Instituição

Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Tipo

Tese

Área de concentração

Doutorado em Comunicação

Ano

2015

Páginas

260

Cidade

Rio de Janeiro

Resumo (pt)

O esporte, entre as suas diversas variantes, é meio de expressão das construções acerca da identidade nacional. O futebol atua como um elemento aglutinador de etnias e classes e é uma importante maneira de influenciar a visão que o brasileiro tem de si próprio. No Brasil, a Seleção funciona como instrumento unificador de nação, representante da cultura nacional. Ao representar os atletas e equipe, os meios de comunicação acabam por construir imagens que influenciam nos sentidos de pertencimento em relação ao objeto retratado. Por meio dos discursos adotados pela imprensa, atribuímos valores simbólicos que geram identificação. A disputa de uma Copa do Mundo FIFA é um momento em que o sentimento de nacionalidade é avivado diante da competição entre times de futebol que correspondem a Estados-nação. No entanto, os últimos anos teriam demonstrado uma queda de interesse do torcedor nacional pelo selecionado. O Brasil, por duas oportunidades, foi sede de um Mundial. E, nas duas ocasiões, a Seleção Brasileira sofreu derrotas e não conseguiu conquistar o título jogando em seu território. O trabalho, um estudo sobre Comunicação e Esporte, é uma análise dos textos dos jornais impressos O Globo e Folha na cobertura das Copas do Mundo de 1950 e 2014. Busca-se, uma vez que se percebera o vínculo simbólico entre o conceito de nação e o desempenho da Seleção nacional de futebol, entender como foram construídas as representações da equipe e, consequentemente, dos seus jogadores e quais amostras que podem identificar a relação de aproximação ou afastamento com os torcedores, nas competições que marcaram as duas principais derrotas da Seleção em cem anos de história.

Palavras-chave: Comunicação. Esporte. Representação. Identificação. Seleção Brasileira.

Abstract

Sport, among its many variants, is a means of expression that builds national identity. Soccer acts as a uniting element of ethnicities and classes and is an important way to influence the vision that Brazilians have of themselves. In Brazil, the National Soccer Team works as a unifying instrument of nation, representative of the national culture. Representing the athletes and the team, the media tends to build images that influence the meaning of belonging in relation to the object represented. The speeches by the press are filled with symbolic values that generate identification. The FIFA World Cup is a moment in which the sense of nationality is revived on a competition between football teams that correspond to Nation-States. However, the last few years would be showing a decline of interest of the National Team fan. On two occasions, Brazil hosted the World tournament. And, on both of them, the Brazilian National Team suffered losses and failed to win the title playing at home. The current work, a study on communication and sport, is an analysis of the texts from newspapers O Globo and Folha on the coverage of the FIFA World cups of 1950 and 2014. It seeks, once you understand the symbolic link between the concept of nation and the performance of the Brazilian National Soccer Team, to understand how team representations were built. Consequently, the work also addresses the team players and in which samples we can identify the approach or detachment with team supporters in the competitions that have marked the two major defeats of the National Team in one hundred years of history.

Keywords: Communication. Sport. Representation. Identification. Brazilian National Soccer Team.

Sumário

INTRODUÇÃO, 13

1 FUTEBOL NO BRASIL: CULTURA E IDENTIDADE NACIONAL, 18
1.1 A chegada de Charles Miller e os primeiros anos no país, 20
1.2 O surgimento da Seleção Brasileira de Futebol, 22
1.3 A Copa do Mundo: O sonho de Jules Rimet, 24
1.3.1 Uruguai, 1930: Paulistas x Cariocas, 25
1.3.2 Itália, 1934: Amadores x Profissionais, 28
1.4 Identidade nacional pelo futebol, 33

2 IMPRENSA, IDENTIFICAÇÃO E IDOLATRIA: HERÓIS E VILÕES NO ESPORTE, 40
2.1 As escolhas da mídia e as relações de identificação, 42
2.2 França, 1938: A representação e o êxito do futebol mulato, 46
2.3 Idolatria no futebol: mitos, heróis e vilões pelo esporte, 51

3 COPA DE 1950 – MARACANAZO: A DERROTA DO SCRATCH NO ESTÁDIO MUNICIPAL, 61
3.1 O discurso dos jornais: A escolha dos dispositivos analíticos, 64
3.1.1 Folha da Manhã / Folha de S. Paulo, 68
3.1.2 O Globo, 69
3.1.3 Estereótipo, emblema e mito, 71
3.2 Análise dos jornais em 1950, 73
3.2.1 Os selecionados por Flávio e a preparação do scratch, 74
3.1.2 A “Orquestra” do Brasil na disputa do Mundial, 89
3.2.3 “Campeão o Uruguai”, 106
3.3 A representação da Seleção Brasileira de 1950, 114

4 O BRASIL EM COPAS PÓS-MARACANAZO: AS CONQUISTAS DO MUNDO E A BUSCA DE NOVAS IDENTIFICAÇÕES, 119
4.1 1954 a 1970: Dos resquícios do trauma à conquista do Tricampeonato, 119
4.1.1 Suíça, 1954: O medo da Hungria e a culpa de Mr. Ellis, 120
4.1.2 Suécia, 1958: “Com brasileiro, não há quem possa!”, 123
4.1.3 Chile, 1962: O bi sem Pelé, mas com a estrela de Garrincha, 126
4.1.4 Inglaterra, 1966: A queda dos campeões, 128
4.1.5 México, 1970: “Todos juntos vamos” em busca da Jules Rimet, 130
4.2 1974 a 1990: O hiato sem taça e a crise de identidade do futebol brasileiro, 136
4.2.1 Alemanha, 1974: O carrossel passa, o Brasil empaca, 136
4.2.2 Argentina, 1978: Campeões morais no nascer de uma geração, 138
4.2.3 Espanha, 1982: A derrota para Paolo Rossi no Sarriá, 140
4.2.4 México, 1986: Nos pênaltis, a despedida da Geração Canarinho, 143
4.2.5 Itália, 1990: O futebol pragmático de resultados, sem resultado, 146
4.3 1994 a 2002: Romário a Ronaldo, a reconquista pelo Mundo, 149
4.3.1 Megaeventos FIFA: As Copas como negócio, 149
4.3.2 EUA, 1994: Yes, nós temos a Taça FIFA!, 152
4.3.3 França, 1998: A chance do Penta e o drama de Ronaldo, 155
4.3.4 Japão e Coreia do Sul, 2002: A hegemonia na redenção de um herói, 156
4.4 2006 e 2010: Pelas quartas, reforço numa possível queda de identificação, 160
4.4.1 Alemanha, 2006: “O quadrado mágico” não encanta, 160
4.4.2 África do Sul, 2010: Desequilíbrio emocional na “Era Dunga” como treinador, 163
4.4.3 O torcedor estaria se afastando da Seleção?, 166

5 COPA DE 2014 – MINEIRATZEN: 7X1, A “DERROTA DAS DERROTAS”, 170
5.1 Análise dos jornais em 2014, 176
5.1.1 A nova família Scolari com a “mão na taça”, 177
5.1.2 A “Copa das Copas” e o medo de repetir 1950, 191
5.1.3 “Gol da Alemanha”: o vexame da, agora, “pátria sem chuteiras”, 213
5.2 A representação da Seleção Brasileira de 2014, 233

CONCLUSÃO, 240
REFERÊNCIAS, 246

Referência

BRINATI, Chico. Maracanazo e Mineiratzen: imprensa e Representação da Seleção Brasileira nas Copas do Mundo de 1950 e 2014. 2015. 260 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Faculdade de Comunicação Social da Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2015.