Nordestinando as arquibancadas

Autores

Artur Alves de Vasconcelos

Subtítulo

os Cangaceiros Alvinegros no universo das Torcidas Organizadas Cearenses

Orientador

Isabelle Braz Peixoto da Silva

Banca

Domingos Sávio Abreu, Luiz Fábio Silva Paiva, Josiane Maria de Castro Ribeiro, Rosângela Duarte Pimenta

Faculdade / Instituição

Programa de Pós-graduação em Sociologia, Universidade Federal do Ceará

Tipo

Tese

Área de concentração

Doutorado em Sociologia

Ano

2016

Páginas

256

Cidade

Fortaleza

Resumo (pt)

Esta pesquisa tem como objetivo compreender de que modo a Torcida Cangaceiros Alvinegros se posiciona dentro do universo das Torcidas Organizadas de futebol cearenses, notadamente as qual abrangem os dois principais times da cidade de Fortaleza: o Ceará SC e o Fortaleza EC. Metodologicamente, observou-se esses torcedores em dias de jogos, dentro dos estádios e em seus entornos. Realizou-se entrevistas com integrantes, além de questionários com componentes dos Cangaceiros e também com de duas Organizadas tradicionais: a Cearamor e a TUF, constituindo assim uma abordagem qualitativa, com viés também quantitativo. As Torcidas Organizadas podem ser divididas em dois grupos: as “tradicionais” e as “alternativas”. Enquanto as primeiras surgiram a partir da década de 1980, estas últimas aparecem já nos anos 2000. Os Cangaceiros afirmam ser uma “torcida diferente” em relação às tradicionais. Para isso, lançam mão de dois discursos principais: o de “movimento cultural nordestino” e o de condenação à violência física. Entretanto, constatou-se que os Cangaceiros estão em um movimento constante de aproximação e distanciamento em relação às Organizadas tradicionais. Se em alguns momentos eles buscam uma diferenciação, em outros demonstram desejo de se inserir no campo das torcidas, compartilhando de certos capitais comuns à Organizadas tradicionais. Menos do que uma contradição, esse movimento indica estratégias conscientes de inserção e de reconhecimento dentro desse campo.

Palavras-chave: Futebol. Juventude. Nordeste. Regionalismo. Torcidas Organizadas. Violência.

Abstract

This research aims to understand how the football cheerleaders named “Cangaceiros Alvinegros” position themselves in the universe of cheerleaders in the brazilian state of Ceará, mainly those who support the two principal teams from the city of Fortaleza. Methodologically, “Cangaceiros” were observed in the stadiums and in its surrounds. It was realized interviews with this group members, and also questionnaires with “Cangaceiros” and members of the cheerleaders Cearamor and TUF It’s a qualitative and quantitative aproach. The cheerleaders groups can be categorized into two types: the “tradicional cheerleaders” (Organizadas tradicionais) ad the “alternative cheerleders” groups (Organizadas alternativas). The “tradicional” appeared in the 80s; while the “aternatives”are from the 2000s. “Cangaceiros” say that they are a “diferente type of soccer fans”, based on two speeches: the “cultural moviment” about the Northeast region of Brazil, and the condemnation to physical violence. However, it was noticed that “Cangaceiros” are in a constant moviment of approaching and distancing to “tradicional cheerleaders”. In some moments they try to affirm themselves as “diferentes”, but in other times they try to enter the field cheerleaders groups, sharing certain types of capital that are typical in “tradicional cheerleaders” groups. This isn’t a contradiction, but a conscious strategy of insertion and recognition in this field.

Key words: Football. Youth. Northeast. Localism. Cheerleaders groups. Violence.

Sumário

1. INTRODUÇÃO, 19

2. TORCIDAS ORGANIZADAS NO ESTADO DO CEARÁ: BREVE HISTÓRICO, 38
2.1 As Organizadas tradicionais do estado do Ceará, 42
2.2 As Organizadas alternativas do Ceará SC, 49
2.3 Surgem os Cangaceiros Alvinegros, 51
2.3.1 Um “movimento cultural” sobre o Nordeste, 52
2.3.2 Uma torcida não-violenta, 53
2.3.3 Exofiliação vs anti-exofiliação clubística: “Sou Nordestino e tenho time pra torcer”, 59
2.4 O universo das Torcidas Organizadas como um campo, 65
2.5 A setorização dos torcedores, 75
2.6 As diferentes motivações dos torcedores organizados para ir ao estádio, 80
2.7 Perfis socioeconômicos, 85
2.7.1 Idade, 86
2.7.2 Renda, 89
2.7.3 Escolaridade, 92
2.7.4 Bairros de moradia, 95

3. “NORDESTINANDO AS ARQUIBANCADAS”, 102
3.1 A cor laranja, 103
3.2 Mascote, 105
3.3 Emblemas, 106
3.4 Camisas, 110
3.5 Faixas, 126
3.6 Bandeiras, 132
3.7 Músicas e bateria, 137
3.7.1 O primeiro CD dos Cangaceiros Alvinegros, 137
3.7.2 Os instrumentos e as canções nos estádios, 140
3.8 Chapéus de couro, 145
3.9 Discurso regionalista nordestino, 150
3.9.1 Conceitos de região e regionalismo, 151
3.9.2 O nascimento de uma identidade regional, 152
3.9.3 O Nordeste “atrasado”, 154
3.9.4 O nascimento institucional da Região, 162
3.9.5 O cangaço, 165
3.9.6 Tradições inventadas, culturas em movimento, 166
3.10 O Nordeste da Torcida Organizada Cangaceiros Alvinegros, 169

4. OS CANGACEIROS ALVINEGROS NO UNIVERSO DAS TORCIDAS ORGANIZADAS CEARENSES, 172
4.1 Ritmos musicais: funk, forró, axé, samba, 172
4.2 Visões sobre violência entre torcidas, 182
4.2.1 Resignificando o cangaço, 183
4.2.2 Bebida alcoólica e violência, 185
4.2.3 Violência e Torcidas Organizadas, 193
4.2.4 Violência verbal e questões de gênero, 210
4.3 Identificação com outras Organizadas, 216
4.4 Identificação com os torcedores comuns, 224
4.5 Companhias e influências para torcer e para entrar na Organizada, 227

REFERÊNCIAS, 245

APÊNDICE A – ROTEIRO DE ENTREVISTA, 250
APÊNDICE B – MODELO DE QUESTIONÁRIO, 251

Referência

VASCONCELOS, Artur Alves de. Nordestinando as arquibancadas: os Cangaceiros Alvinegros no universo das Torcidas Organizadas Cearenses. 2016. 256 f. Tese (Doutorado em Sociologia) - Programa de Pós-graduação em Sociologia, Universidade Federal do Ceará, Fortaleza, 2016.