O jogo bonito: futebol na Inglaterra e no Brasil dos anos 50 e 60

Autores

Kevin Foster

Periódico / Revista

Eco-Pós

Volume

v.5

Número

n.1

Páginas

p.12-26

Tema

Dossiê A (re)invenção do nacional no futebol-espetáculo

Área de concentração

Comunicação

ISSN

01046160

Resumo (pt)

Quando a Inglaterra, no dia 17 de junho, derrotou a Alemanha em Charleroi, na Eurocopa 2000, pareceu, pelo menos aos ingleses, que a ordem natural do futebol europeu – se não a ordem natural do mundo – finalmente havia sido restaurada. Os meios de comunicação britânicos têm descrito, com freqüência, as competições esportivas contra a Alemanha – sobretudo as partidas de futebol – como decisões tomadas a título de reforçar as polaridades morais da Primeira e da Segunda Guerras Mundiais. Este caso não foi diferente. A eficiência mecânica das equipes alemães – que conseguiram êxito nos anos 70, 80 e 90 – havia substituído o fanatismo desafortunado do nazismo como o emblema da outra Alemanha. Contudo, derrotar a Alemanha no futebol significava uma volta aos dias gloriosos da temporada pósguerra, quando, apesar da austeridade inglesa e dos crescentes indícios de marginalização desta nação no contexto da guerra fria, se deleitavam com a refulgência de suas reivindicações morais e militares. Ao derrotar a Alemanha no futebol, a seleção inglesa ofereceu uma confirmação fugaz e ilusória de que Deus, certamente inglês, estava no céu, e que tudo estava em ordem no mundo.

Referência

FOSTER, Kevin. O jogo bonito: futebol na Inglaterra e no Brasil dos anos 50 e 60. Eco-Pós. Rio de Janeiro, v.5, n.1, p.12-26, 2002.