“O público que devemos abolir”

Autores

Irlan Simões da Cruz Santos

Subtítulo

a elitização do futebol brasileiro e as novas arenas

Orientador

Verlane Aragão Santos

Faculdade / Instituição

Departamento de Comunicação Social, Universidade Federal de Sergipe

Tipo

Monografia

Área de concentração

Comunicação

Ano

2014

Páginas

92

Cidade

São Cristóvão

Resumo (pt)

Esse trabalho tem como objetivo investigar o processo de elitização do público assistente do dos estádios do futebol brasileiro. Tem como ponto de partida a leitura desse jogo em seus diferentes estágios de estruturação, passando pela sua normatização, popularização, profissionalização e por fim na consolidação de uma sofisticada Indústria Cultural capaz de transformar em mercadoria esse bem simbólico de grande aceitação popular, fazendo-o um produto de consumo mundializado, em suas diferentes formas de expressão. Também busca investigar o processo histórico pelo qual passam as praças esportivas e consequentemente o público que as frequenta, na formação das diferentes “culturas torcedoras”, formas de comportamento que passam a ser vistas como desejáveis ou indesejáveis na medida em que as demandas da Indústria do Futebol avançam e se alteram ao longo do tempo. Esse resgate histórico servirá de arcabouço para a análise dos números que mostraram a queda do público nos estádios brasileiros nos últimos anos e a diminuição da presença de integrantes das classes menos favorecidas das principais cidades brasileiras. Analisará que o processo de elitização ocorre em paralelo ao processo de arenização (da construção das Arenas Multiuso para a Copa do Mundo FIFA 2014), ainda que o último sirva para colaborar ainda mais com o fenômeno identificado no primeiro. Este trabalho parte de estudos relacionados ao futebol de diferentes vertentes teóricas, desde a Economia Política da Comunicação e Cultura, até a antropologia, a história, geografia e a sociologia, a exemplo de Santos (2013), Brittos e Miguel (2010), Bolaño (1988; 2008; 2010), Sena dos Santos (2010), Holzmeister (2005), Cajazeiras (2008) e Alm (2012), úteis para a compreensão tanto do desenvolvimento histórico da indústria cultural do futebol, tanto da história dos estádios do mundo.

Abstract

This study aims to investigate the process of gentrification of Brazilian football stadiums’ audience. Its starting point is the analysis of this game in its different stages of structuring, through its ruling, popularization, professionalization and finally the consolidation of a sophisticated Cultural Industry able to turn this into a commodity of great symbolic and popular acceptance, making it a product of globalized consumption in its different forms of expression. It also investigates the historical process through which pass the ballparks and consequently the public that attends, the formation of different “supporter cultures”, forms of behavior come to be seen as desirable or undesirable in that the demands of the Industry Football advance and change over time. This historical review will serve as a framework for the analysis of the figures that showed the drop in public in Brazilian stadiums in recent years and the reduction of the presence of members of the main Brazilian cities’ lower classes. Therefore, this study considers the process of gentrification occurs in parallel to arenization process (construction of Arenas for the 2014 FIFA World Cup), although the latter serves to collaborate further with the phenomenon identified in the first. This work is part of football-related studies from different theoretical perspectives, from the Political Economy of Communication and Culture, to anthropology, history, geography and sociology, for instance Santos (2013), Brittos and Miguel (2010), Bolaño (1988; 2008; 2010), Sena dos Santos (2010), Holzmeister (2005), Cajazeiras (2008) and Alm (2012), useful for understanding both the historical development of the cultural industry of football, both history of the stadiums in the world.

Sumário

INTRODUÇÃO,11

CAPÍTULO 1: O JOGO, O ESPORTE E A SOFISTICADA INDÚSTRIA CULTURA, 19

1.1 Normatização e esportivização, 20

1.2 Expansão internacional e atividade lúdica da elite brasileira, 23

1.3 A popularização, a profissionalização e a busca da renda, 26

1.4 Desenvolvimento de uma indústria: superestádios e midiatização, 31

1.5 A “multiplicidade da oferta” e a nova era do futebol mundializado, 42

 

CAPÍTULO 2: ARENAS MULTIUSO: A COMERCIALIZAÇÃO ANTES, DURANTE E DEPOIS DO JOGO, 46

2.1 Histórico de um conceito de mercantilização do lazer, 48

2.2 Importação tupininquim desse conceito, 55

2.3 Copa do Mundo FIFA 2014: vetor da arenização do futebol brasileiro, 59

2.4 O caso da Arena de Salvador como exemplo de um imbróglio, 66

2.5 Da compensação financeira ao esvaziamento das arquibancadas, 75

2.5.1 Análise dos números dos últimos anos, 79

 

CONSIDERAÇÕES FINAIS, 84

REFERÊNCIAS, 90

Referência

SANTOS, Irlan Simões da Cruz. “O público que devemos abolir”: a elitização do futebol brasileiro e as novas arenas. 2014. 92 f. Monografia (Comunicação) - Departamento de Comunicação Social, Universidade Federal de Sergipe, São Cristóvão, 2014.