Os jogos olímpicos na capital da República

Autores

Fausto Amaro Ribeiro Picoreli Montanha

Subtítulo

narrativas da imprensa e campo esportivo no Rio de Janeiro (1890-1935)

Orientador

Ronaldo George Helal

Banca

Letícia Cantarela Matheus, Victor Andrade de Melo, André Nunes de Azevedo, Édison Luís Gastaldo

Faculdade / Instituição

Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro

Tipo

Tese

Área de concentração

Doutorado em Comunicação

Ano

2018

Páginas

417

Cidade

Rio de Janeiro

Resumo (pt)

A presente tese investiga a produção de narrativas sobre os jogos olímpicos na imprensa carioca entre as décadas de 1890 a 1930, tendo como objetivo principal discutir criticamente o processo de constituição de um campo olímpico no Rio de Janeiro. Para tanto, foram utilizados como fontes documentais os textos jornalísticos de periódicos cariocas, selecionados a partir de sua relevância e o destaque dado aos jogos olímpicos. Quanto ao método, empregou-se inicialmente uma análise prospectiva de conteúdo seguida por um estudo detido das narrativas. A história cultural foi o norte teórico desse trabalho, contribuindo para o entendimento dos conceitos de narrativa e representação. Os resultados encontrados apontam para a presença de jogos olímpicos em contextos para além do esportivo e fora do eixo de submissão ao Comitê Olímpico Internacional. Foram verificados, por exemplo, jogos olímpicos enquanto divertimento (exibições esportivas em eventos comemorativos) e prática artístico-cultural (em circos e teatros), sem um caráter necessariamente competitivo. Para entendermos a chegada e a disseminação do movimento olímpico no Brasil, foi necessário acompanhar as operações engendradas por atores variados, na mídia, na sociedade civil e no aparelho estatal. As interações sociais e os ajustamentos culturais foram peremptórios na aceitação da nova ideia olímpica entre os cariocas. Os argumentos da imprensa para estimular o envolvimento do Brasil com o circuito olímpico internacional giravam em torno de três pontos básicos: modernidade, civilização e raça. Em suma, esta pesquisa vem a reforçar a hipótese de que a imprensa é causa e consequência da popularização dos esportes no Rio de Janeiro.

Abstract

This PhD dissertation investigates the production of narratives about the olympic games in the press of Rio de Janeiro between the decades of 1890 and 1930, with the main objective of critically discuss the process of constituting an Olympic field in Rio de Janeiro. For this purpose, the documentary sources that support this research were the journalistic texts of Rio newspapers, which were selected based on their relevance and the emphasis given to the olympic games. As for the method, I used initially a prospective analysis of content followed by a detained study of the narratives. Cultural history was the theoretical framework of this dissertation, contributing to the understanding of the concepts of narrative, representation and imaginary. The results indicate the presence of olympic games in contexts beyond the sport and outside the axis of submission to the International Olympic Committee. For example, olympic games were experienced by the Carioca as entertainment (sporting exhibitions at commemorative events) and as artistic-cultural practice (in circuses and theaters), without a necessarily competitive character. To understand the arrival and spread of the Olympic movement in Brazil, it was necessary to follow the operations engendered by various actors, in the media, in civil society and in the state apparatus. Social interactions and cultural adjustments were peremptory for the acceptance of the new Olympic idea among the Cariocas. Press arguments to stimulate Brazil’s involvement with the international Olympic circuit revolved around three basic points: modernity, civilization and race. In short, this research reinforces the hypothesis that the press is the cause and consequence of the popularization of sports in Rio de Janeiro.

Sumário

INTRODUÇÃO, 18

1 DÉCADAS DE 1890, 1900 E 1910, 32

1.1 Jogos olímpicos plurais: o rio republicano e o lazer na metrópole, 32

1.1.1 O Rio na entrada do século XX: capitalidade, modernidade e mídia, 33

1.1.2 Um cenário favorável: o lazer e o esporte na capital nacional, 45

1.1.3 Os jogos olímpicos enquanto divertimento e atividade artístico-cultural, 52

1.1.4 “Isso é um erro”: os jogos “não-oficiais” de Atenas, Montevidéu e Paris, 61

1.1.5 Usos cotidianos variados: comparação, cronologia, lazer e esporte, 75

1.1.6 Considerações parciais, 78

1.2 O esporte civiliza o rio: jogos olímpicos nas décadas de 1890 a 1910, 81

1.2.1 A “bela bondade” e os jogos gregos da Antiguidade, 83

1.2.2 Mens sana in corpore sano: a recuperação do legado grego nos Jogos Modernos, 94

1.2.3 Coubertin, o patriarca olímpico, 103

1.2.4 Os primeiros Jogos Olímpicos sob as lentes da imprensa carioca, 109

1.2.5 O 1º Comitê Olímpico Nacional e os jogos olímpicos no Rio, 132

1.2.6 Considerações parciais, 153

2 DE 1920 A 1935, 157

2.1 1920, a década dourada: consolidação do campo olímpico brasileiro, 159

2.1.1 O fim da Primeira República e o Estado Novo, 160

2.1.2 Para Anvers! A primeira participação olímpica nacional., 167

2.1.3 “O que é o olimpismo?”: difusão dos Jogos na América Latina, 186

2.1.4 1922: Rio, uma metrópole no “jardim de infância” olímpico, 189

2.1.5 Da Olimpíada da Paz à Olimpíada da Guerra: Paris/1924, 204

2.1.6 A cisão entre a Amea e a Liga Metropolitana e sua repercussão no esporte olímpico, 216

2.1.7 Da Olimpíada de Amsterdã para a praia do Caju, 220

2.1.8 Considerações parciais, 228

2.2 A década de 1930 para o esporte olímpico nacional, 229

2.2.1 A Era Vargas e os esportes: breves comentários, 232

2.2.2 Os jornais cariocas e o jornalismo esportivo nas décadas de 1920 e 1930, 236

2.2.3 “A Los Angeles para aprender!”: a imprensa em prol da causa olímpica,  240

2.2.4 “O sport é necessário ao sexo fraco?”: as mulheres nos Jogos Olímpicos, 265

2.2.5 As diversas camadas olímpicas: apontamentos baseados na História dos Conceitos, 274

2.2.6 Dois Comitês para a todos governar: tensões pré-Berlim/1936, 282

2.2.7 Considerações parciais, 296

2.2.8 Às margens do Olimpo: usos não-oficiais das expressões olímpicas, 297

CONCLUSÃO, 309

REFERÊNCIAS, 315

APÊNDICE A – Jornal do Brasil, 335

APÊNDICE B – O Paiz, 338

APÊNDICE C – Gazeta de Notícias, 340

APÊNDICE D – Correio da Manhã, 342

APÊNDICE E – Gazeta da Tarde, 344

APÊNDICE F – Revista da Semana, 345

APÊNDICE G – O Imparcial, 346

APÊNDICE H – Careta, 348

APÊNDICE I – O Malho, 349

APÊNDICE J – O Jornal, 350

APÊNDICE L – Eu sei tudo, 351

APÊNDICE M – Sport Illustrado, 352

APÊNDICE N – Fon Fon, 354

APÊNDICE O – A Noite, 355

APÊNDICE P – Jornal dos Sports, 356

ANEXO A – Pesquisa por palavras-chave realizada em: 24/11/2014 (décadas de 1890 e 1900), 26/10/2015 (déc. de 1910), 01/05/2017 (déc. de 1920), 22/05/2017 (déc. de 1930), 358

ANEXO B – Pesquisa por palavras-chave realizada na semana de 24 a 28 de novembro de 2014 (décadas de 1890 e 1900) e 18 a 22 de janeiro de 2016 (década de 1910), 359

ANEXO C – Pesquisa por palavras-chave realizada na semana de 01 a 05 de maio de 2017, 360

ANEXO D – Pesquisa por palavras-chave realizada na semana de 01 a 05 de maio de 2017, 361

ANEXO E – Carta do Comitê Organidor dos jogos de Montevidéu/1907 ao presidente da Federação Brasileira das Sociedades do Remo, 362

ANEXO F – Circular enviada pelo Jornal do Brasil às federações e clubes da cidade do Rio de Janeiro, convidando-os a tomar parte nos Jogos Olímpicos Brasileiros, 363

ANEXO G – Carta de Duarte Rodrigues a Almeida Brito, 364

ANEXO H – Carta Circular de Raul do Rio Branco, 366

ANEXO I – Primeira formação do Comitê Olímpico Nacional, em 1914, 372

ANEXO J – Circular encaminhada pela CBD às ligas e associações confederadas por ocasião dos Jogos de 1920, 373

ANEXO L – Decreto n. 4.094, 374

ANEXO M – Decreto n. 14.290, 375

ANEXO N – Nota oficial da CBD sobre os créditos e débitos da delegação brasileira, 376

ANEXO O – Ofício da Comissão Terrestre acerca da ausência do futebol em 1920, .377

ANEXO P – Ofício enviado pelo presidente da CBD ao prefeito do Rio de Janeiro Carlos Sampaio, 379

ANEXO Q – Ofício da CBD encaminhado ao Congresso para solicitar apoio à delegação brasileira, 380

ANEXO R – Decreto n. 11 de 31 de julho de 1935, 383

ANEXO S – Comunicado de Renato Pacheco aos clubes e federações, 384

ANEXO T – Circular da CBD às entidades estaduais acerca do treinamento físico e técnicos dos atletas, 386

ANEXO U Decreto assinado por Vargas oficializando a delegação brasileira, 388

ANEXO V – Representação Brasileira nos Jogos de Los Angeles, 389

ANEXO X – Relatório de Emmanuel Amaral entregue a ACD, 392

ANEXO Z – Boletim “Olympia”, serviço de imprensa da Comissão Organizadora dos Jogos no Brasil, 396

ANEXO AA – Ofício da secretaria da CBD em resposta à missiva de Arnaldo Guinle e Ferreira dos Santos, 398

ANEXO BB – Nota oficial da CBD contrária à criação do Comitê Olímpico Nacional pelos delegados olímpicos brasileiros, 404

ANEXO CC – Ofício de Célio de Barros em resposta a Ferreira dos Santos acerca da colaboração da CBD no projeto olímpico, 405

ANEXO DD – Ofício de Celio de Barros a Ferreira dos Santos e Prado Junior solicitando respostas ao primeiro ofício, 406

ANEXO EE – Carta de Celio de Barros a Antônio Prado Junior, 407

ANEXO FF – Ofício de Ferreira dos Santos ao presidente da Federação Brasileira de Boxe (demais entidades esportivas, incluindo para a CBD), 409

ANEXO GG – Nota Oficial de Ferreira Santos contrária à organização de um Comitê Olímpico Nacional pela CBD, 410

Anexo HH – Resposta de Ferreira Santos ao convite da CBD para a fundação do Comitê Olímpico Nacional da CBD, 414

Referência

MONTANHA, Fausto Amaro Ribeiro Picoreli. Os jogos olímpicos na capital da República: narrativas da imprensa e campo esportivo no Rio de Janeiro (1890-1935). 2018. 417 f. Tese (Doutorado em Comunicação) - Faculdade de Comunicação Social, Universidade do Estado do Rio de Janeiro, Rio de Janeiro, 2018.