Psicanálise e futebol

Autores

Claudinei Chelles

Subtítulo

o jogo como situação sublimatória e (contra) transferencial no processo formativo

Orientador

Mauro Betti

Banca

Diana Pancini de Sá Antunes Ribeiro, Walter Roberto Correia, Pierre Normando Gomes da Silva, Jose Miltom de Lima

Faculdade / Instituição

Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulistana

Tipo

Tese

Área de concentração

Doutor em Educação

Ano

2016

Páginas

142

Cidade

Presidente Prudente

Resumo (pt)

Esta tese está vinculada à linha de pesquisa “Práticas e Processos Formativos em Educação” no Programa de Pós-graduação em Educação na Faculdade de Ciências e Tecnologia da Universidade Estadual Paulista, campus de Presidente Prudente. A importância sociocultural do futebol, nossa própria experiência profissional nesta modalidade e a escassez de estudos com uma abordagem psicanalítica do futebol que contemplasse o “processo formativo do/no futebol” de crianças, adolescentes e jovens, constituíram o cenário em que se deu o ponto de partida deste estudo. Nosso objetivo geral foi verificar as possibilidades de contribuição da psicanálise no “processo formativo do/no futebol”. A incursão inicial nos domínios da psicanálise proposta por Sigmund Freud levou a identificar, de um lado, o tema do “desejo de jogar”, e de outro, a relação entre o aluno-atleta e o professor-treinador, o que nos levou a destacar os conceitos de sublimação e (contra) transferência. Buscamos então responder aos seguintes questionamentos específicos: como e por que o jogo de futebol poderia contemplar (propiciar) a sublimação? Qual a contribuição do saber (contra) transferencial na atuação do professor-treinador na condição de educador? Verificamos que a prática do jogo de futebol pode ser agente relevante para ocorrência da sublimação das forças pulsionais, possibilitando sua ocorrência de modo socialmente aceitável, o que torna compreensivo o “desejo de jogar”. Em relação ao aspecto sublimatório, o alento pulsional está intimamente relacionado à “pulsão de morte”, caracterizada como uma energia que se direciona à realização do ato de jogar futebol. Detectamos que, ao menos parcialmente, o prazer em jogar fica limitado quando o futebol submete-se à formatação do que se denomina “esporte”, caracterizando o recalque no ato de jogar, devido o rigor e enquadramento às regras. Outro aspecto relevante nesta investigação acena ao saber (contra) transferencial que se instala na atuação do professor-treinador em sua relação com o aluno-atleta, pautada pela mediação entre o permitido e o proibido a este último. Ou seja, o professor-treinador atua no fortalecimento do superego, para que condutas para além da prática do futebol sejam também acolhidas. Por fim, sugerimos as grafias “professortreinador” e “alunoatleta” para indicar nosso entendimento de por que e como o profissional do esporte deve operar na compreensão psicanalítica do “ato pedagógico”, o que exige ir além dos aspectos biomecânicos, fisiológicos e pedagógicos da modalidade, em direção a uma compreensão da existência do inconsciente.

Abstract

This doctoral thesis has been developed at the research line “Practices and Formative Processes in Education”, Postgraduate Program of Education, in the Faculty of Sciences and Technology at the State University of São Paulo (UNESP), Presidente Prudente campus. The sociocultural importance of football, our own professional experience in this sport modality and the lack of psychoanalytic approach studies on football that have contemplated children’s, adolescents’ and youngsters’ “educative process of/in football” constituted this study starting point scenario. Our general objective was to verify the possibilities of contribution from psychoanalysis to the “educative process of/in football”. The initial incursion into psychoanalysis, as proposed by Sigmund Freud, led us to identify, on the one hand, the theme of the “desire to play”, and on the other, the relationship between the student-athlete and the teacher-coach, which led us to highlight the concepts of sublimation and (counter) transference. Then, we try to answer the following specific questions: how and why could the football game contemplate (propitiate) sublimation? What is the contribution of (counter) transferential knowledge in the teacher-coach performance as educator? We verified that football game practice can be a relevant agent for the occurrence of drive forces sublimation, allowing its occurrence in a socially acceptable way, which makes the “desire to play” comprehensive. In relation to the sublimatory aspect, the drive is closely related to the “death drive”, characterized as an energy that is directed to the accomplishment of the act of playing football. We have found that, at least partially, the pleasure of playing is limited when football undergoes the formatting of what is called “sport”, characterizing constraint in the act of playing, given the rigor and compliance with the rules. Another relevant aspect in this investigation is the (counter) transference knowledge that is installed in the teacher-coach performance in relation to the student-athlete, guided by the mediation between the allowed and the prohibited to the latter. That is, the teacher-coach acts in strengthening the superego, so that beyond the football practice conducts are also welcomed. Finally, we suggest the words “teachercoach” and “studentathlete” to indicate our understanding that the sports professional must operate in the psychoanalytic understanding of the “pedagogical act”, which requires going beyond the biomechanical, physiological and pedagogical aspects of sport, towards an understanding of the unconscious existence.

Sumário

1 INTRODUÇÃO, 11
1.1 Do “jogo de futebol” à psicanálise, 16

2 A SUBLIMAÇÃO: DA LIBIDO À REALIZAÇÃO SIMBÓLICA, 28
2.1 O desejo e o ato criativo pela via da sublimação, 31
2.2 “Além do princípio do prazer” e repetição, 33
2.3 Eros e Tanatos: as pulsões de vida e de morte, 37
2.4 Epistemofilia: a pulsão e a relação com o saber, 45
2.5 O jogar e a psicanálise, 49
2.5.1 O pensamento winnicottiano sobre o brincar, 57
2.5.2 Objetos e fenômenos transicionais, 63
2.5.3 Contradições sobre o brincar na psicanálise de crianças, 66
2.6 O Fort-Da: o brincar de Freud , 70
2.7 A educação e a criança em sua maior especialidade, 72
2.8 O enfoque sociológico, 77

3 A TRANSFERÊNCIA: A ATUALIZAÇÃO DE UMA RELAÇÃO DE AMOR E ÓDIO, 82
3.1 A psicanálise e a educação, 86
3.2 A transferência e o educador, 92
3.3 Tendências da pedagogia do esporte e o jogo, 101
3.4 O “processo formativo do/no futebol”: (contra) transferência e sublimação pelo jogo,104
3.5 O professor-treinador e a agressividade, 117

4 CONCLUSÃO, 123

REFERÊNCIAS, 127

Referência

CHELLES, Claudinei. Psicanálise e futebol: o jogo como situação sublimatória e (contra) transferencial no processo formativo. 2016. 142 f. Tese (Doutor em Educação) - Faculdade de Ciências e Tecnologia, Universidade Estadual Paulistana, Presidente Prudente, 2016.