Somos Azuis, Pretos e Brancos

Autores

Léo Gerchmann

Editora

AGE Editora

Cidade

Porto Alegre

Páginas

136

Ano

2016

ISBN

9788583432494

Sinopse

O Grêmio foi fundado quinze anos depois da abolição da escravatura no Brasil. Não havia sede, não havia lugar de reunião, não havia nada. O único patrimônio do clube era uma bola de futebol, a primeira surgida em Porto Alegre, trazida pelo paulista Cândido Dias. Os fundadores não eram empresários, nem nababos, não tinham posses. Eram jovens que se encontravam no restaurante Dona Maria, no Centro, e que tinham ficado entusiasmados com um evento ocorrido no feriado de Independência de 1903. Naquele dia, o Sport Club Rio Grande, que viera à capital numa custosa viagem de vapor, fizera uma apresentação do novíssimo esporte criado na Inglaterra e que fora trazido ao Brasil pelo centroavante bigodudo Charles Miller oito anos antes. A apresentação do Rio Grande foi tão empolgante que dois grupos de amigos resolveram organizar clubes de futebol: os comerciários liderados por Cândido Dias, que fundaram o Grêmio, e alguns alemães e descendentes de alemães, que fundaram um clube denominado Fussball. Os dois clubes nasceram no mesmo dia, 15 de setembro de 1903. A ideia inicial desses dois clubes era promover encontros internos. Eles não jogavam nem um contra o outro. Os amigos jogavam entre si, como garotos de subúrbio. Não existia campeonato, nem torneio, nem mesmo amistoso. Mais tarde é que o Grêmio e o Fussball decidiram se enfrentar, colocaram uma taça em disputa, e o Grêmio venceu. Mas era uma partida por semestre, imagine. Esse começo mais do que amador, quase casual, talvez fosse suficiente para mostrar que a intenção dos jovens fundadores era apenas recreativa. Jamais um clube, nessas circunstâncias, seria concebido com intenção de ser democrático, antidemocrático ou de alguma forma ideológico. A ideia era bater uma bolinha com os amigos. Como disse no início, fazia apenas quinze anos que a escravidão havia sido abolida. Negros e brancos não participavam de atividades conjuntas simplesmente porque não seria natural que isso ocorresse.

Referência

GERCHMANN, Léo. Somos Azuis, Pretos e Brancos. Porto Alegre: AGE Editora, 2016.