Territórios peladeiros da periferia proletária de Goiânia

Autores

Alexsander Batista E. Silva

Subtítulo

o jogo de bola que subverte o tempo e o espaço

Orientador

Eguimar Felício Chaveiro

Banca

Maria Geralda de Almeida, Gilmar Mascarenhas

Faculdade / Instituição

Instituto de Estudos Sócio-Ambientais, Universidade Federal de Goiás

Tipo

Dissertação

Área de concentração

Mestrado em Geografia

Ano

2008

Páginas

119

Cidade

Goiânia

Resumo (pt)

O futebol, esporte mais praticado do mundo, reúne multidões, mobiliza capitais, participa da geopolítica atual, fotografa as contradições viscerais do sujeito contemporâneo, expressa a violência, a corporeidade, as condições psíquicas e desenvolve afetos, dissidências, junções, alegrias e tristezas. Entende-se que estudar o futebol na sua vertente informal, tendo como escopo às territorialidades dos peladeiros na periferia da metrópole, implica lançar olhares imbuídos de indagações sobre a prática desse esporte na contemporaneidade. Existe uma questão espacial no futebol? O espaço geográfico está presente na ontologia do futebol? Paralelamente, indaga-se: há alguma relação particular entre futebol e periferia? Qual o sentido do futebol de pelada para os sujeitos da periferia proletária? Desse modo, a pesquisa teve como objetivo central, analisar as territorialidades dos peladeiros na periferia da metrópole goianiense, buscando compreendê-las como um lugar lúdico, criativo e alegre onde se dá o encontro e a sociabilidades dos sujeitos sociais, em meio à acirrada disputa por espaço na cidade contemporânea. Devido a natureza do fenômeno estudado e a abordagem que empreendida, o instrumental metodológico mais adequado é a abordagem qualitativa. Nessa esteira de metodologias alternativas, em termos de procedimentos de coleta de dados trabalhamos com a experiência vivencial, a qual consiste também em observação e conversas com os sujeitos sociais envolvidos. A experiência vivencial abriu a possibilidade de sentirmos o pulsar, de perceber os significados mais sutis dos momentos e movimentos do fenômeno, isso por um olhar situado num ângulo privilegiado. Através da experiência vivencial acompanhamos e participamos da pelada “por dentro”, como um legítimo peladeiro. Esse olhar localizado no interior dos territórios das peladas carregado de sensações, emoções, sentimentos emanados diretamente da pelada, articulado com as observações realizadas fora do campo de jogo e das conversas com o peladeiros, nos permitiu uma leitura mais ampla dos territórios dos peladeiros. Mesmo diante da voraz territorialização do capital que gera um novo esquadrinhamento no espaço urbano, a paisagem que observamos ao transitar pela metrópole, principalmente na periferia, é repleta de futebol de pelada. Com todos esses cenários pouco propícios, os territórios das peladas acenam como uma espécie de resistência/persistência. Nas peladas, os sujeitos da periferia se comunicam na realização de um lazer possível. O corpo explorado e enrijecido pela pressão do capital se liberta e se solta, a pelada torna-se um lugar da rebelião alegre do corpo. A pelada se coloca como um interstício sobre o qual, o trabalho, não se tem controle. É momento de liberdade e da vida livre, do encontro e do festejamento. Essas artimanhas são possibilidades reais de sujeitos sofridos, vilipendiados, explorados golpearem o sofrimento, distender dores, criar espaços de comunicação e de prazer onde o controle parece reinar. O certo mesmo é que a pelada afina-se enormemente com a vida, e expurga o tempo produzido pelo capital. A vida na pelada pulsa em variadas intensidades, revelando-se no grande leque de emoções pronunciadas. Nesse jogo de bola aparecem a alegria, tristeza, realização, frustração, paixão, raiva etc. O fazer político da pelada, com a negação do tempo do mundo, privilegia, rega, cultiva e valoriza a vida. Na seara do brincar livre, peladeiros – na fresta do tempo e do espaço – encontram com outra possibilidade de vida, descortina virtualidades, sonhos. A vida pode aparecer com timbre de esperança e com insígnia de resistência – e de liberdade porque alegre.

Abstract

Le football, le sport plus pratiqué au monde, réunit des gens, mobilise des capitales, participe de la géopolitique actuel, photographe les contradictions internes du sujet contemporain, expresse la violence, la corporeité, les conditions psychique et développe des affections, des dissidences, des joies et des tristesses. On comprend qu’étudier le football dans une façon informel, ayant comme détache les territorialités des « peladeiros » dans la périphérie de la métropole, implique lancer des regards pleins des indagations sur la pratique de ce sport dans la contemporaneité. Il y a une question spatial au football ? L’espace géographique est présent dans l’ontologie du football ? Il y a une relation particulière entre le football et la périphérie ? Quel est le sens du football de « pelada » pour les sujets de la périphérie prolétaire ? Ainsi, l’objectif centrale de la recherche est d’analyser les territorialités des « peladeiros » dans la périphérie de la métropole goianiense, en recherchant leur compréhension comme un lieu ludique, créatif et gai où il y a le rencontre et la sociabilité des sujets sociales sur la dispute pour l’espace dans la ville contemporaine. La méthodologie utilisée est l’abordage qualitatif, avec l’experience de vie, l’observation et les entrevues avec les sujets sociales présents. L’experience de vie a ouvrit la possibilité d’apercevoir les significats plus sutis des moments et des mouvements du phenomène. Nous avons accompagné et nous avons participé des « peladas » « à son intérieur», comme un legitime « peladeiro ». Ce regard dans les territoires des « peladas » pleins des sensations, des emoctions, des sentiments venus des observations realisées hors du jeu et des bavardages avec les « peladeiros », a donné une lecture plus ample sur les territoires des « peladeiros ». Même avec la « territorialização » du capital en créant un nouveau arrangement de l’espace urbain, le paysage observée dans la périphérie est plein de football de « pelada ». Avec tous ces cénaires peu propices au jeu, les territoires des « peladas » sont une espèce de résistance/persistance. Dans les « peladas », les sujets de la périphérie se communiquent dans la réalisation d’un loisir possible. Le corps exploité et endurci pour la pression du capital se décolle à cause de la « pelada », un lieu des joies, des moments de la vie libre, des rendez-vous et des fêtes. C’est le moment de dribbler le souffrance, les douleurs et de créer des espaces de communication et de plaisir. La « pelada » accompagne la vie et expulse le temps fait par le capital et apparaît la joie, la tristesse, la réalisation, la frustration, la passion, la rage. Le faire politique de la « pelada » privilégie, cultive la vie. Les « peladeiros », sur le temps et l’espace, trouvent une autre possibilité de vie, des rêves. La vie peut apparaître avec des espoirs, de résistance et de liberté.

Sumário

INTRODUÇÃO, 05

1 A GEOGRAFICIDADE DO FUTEBOL: A PELADA NA PERIFERIA E A PERIFERIA NA PELADA, 10
1.1 Um dia de futebol: o peladeiro da periferia, 11
1.2 Um bate-bola sobre a categoria território, 18
1.3 A dispersão do futebol e os territórios das peladas, 26

O JOGO DE BOLA NO ESPAÇO DA METRÓPOLE CONTEMPORÂNEA: A BOLA É DA PERIFERIA, 37
2.1 A cultura do futebol e o futebol como cultura: a bola rola no solo da pátria, 39
2.2 O futebol na metrópole globalizada: a bola do mundo, 51
2.3 As peladas em Aparecida de Goiânia: a bola gira nos territórios da periferia,55
2.3.1 Desemprego e trabalho informal, 57
2.3.2 Novas centralidades e lotes baldios, 59
2.3.3 Futebol de pelada e a subversão do cotidiano, 66

3 A POLÍTICA DA PELADA: CULTURA E SUBJETIVIDADE NO JOGO DE BOLA, 71
3.1 A subversão do espaço: a rebelião alegre da pelada, 72
3.2 O dizer político da pelada, 76
3.3 O corpo alegre do peladeiro, 81
3.4 Aspectos da subjetividade capitalística: as dores do mundo e as peladas, 88
3.5 A pelada e o sentido de comunidade, 91

CONSIDERAÇÕES FINAIS, 96

Referência

SILVA, Alexsander Batista E.. Territórios peladeiros da periferia proletária de Goiânia: o jogo de bola que subverte o tempo e o espaço. 2008. 119 f. Dissertação (Mestrado em Geografia) - Instituto de Estudos Sócio-Ambientais, Universidade Federal de Goiás, Goiânia, 2008.