Tradição e modernidade no “novo” Mineirão

Autores

Priscila Augusta Ferreira Campos, Silvio Ricardo da Silva, Silvia Cristina Franco Amaral

Periódico / Revista

Esporte e Sociedade

Cidade

Niterói

Número

n. 23

Área de concentração

Sociologia

ISSN

18091296

Resumo (pt)

Desde sua inauguração, o Estádio Governador Magalhães Pinto, popularmente conhecido como Mineirão, localizado na cidade de Belo Horizonte/MG, tem sido palco de importantes eventos futebolísticos e uma importante praça de eventos e equipamento de lazer para o município. Em 2010, quarenta e cinco anos após a sua inauguração, uma grande reforma iniciou-se no estádio. O motivo: Belo Horizonte ter sido escolhida como uma das cidades-sede para a Copa do Mundo de Futebol 2014, a ser realizada em nosso País. Em dezembro de 2012, depois de dois anos fechado o estádio foi reaberto, sendo que os responsáveis pela sua reforma e gestão, bem como a imprensa mineira colaram o adjetivo “novo” ao nome Mineirão para denominar o atual momento. Sendo assim, esse artigo objetiva analisar o conceito ‘novo’ que adjetiva o Mineirão, Belo Horizonte/MG tentando captar o que ele esconde e revela. Para isso, far-se-á uma análise entre os discursos e documentos de sua construção, em 1965, de sua reforma para a Copa em 2014 e de sua inauguração em 21 de dezembro de 2012, utilizando-se de documentos, artigos de jornais dos períodos analisados e observação participante nos dias 21 e 22 de dezembro de 2012. Percebe-se que nesse contexto, o adjetivo “novo” insere-se em uma categoria dicotômica e envolve um processo dialético entre a tradição e a modernidade e que perpassa pelo ethos belohorizontino, uma vez que essa cidade foi construída sob a base de um tradicionalismo mineiro e uma vocação para a modernidade. Dessa forma, as análises sobre os três períodos indicados envolvem permanências (necessidade de ser moderno, passar uma autoimagem positiva da cidade, plataforma política) e mudanças (diferenciação do conhecimento técnico-científicoinformacional, transformação dos estádios, apropriação do espaço público pelo setor privado). Além disso, no atual contexto, há uma supremacia do fator global influenciando o local, que pode ser percebido pelas diretrizes da FIFA, uma corporação transnacional que possui os recursos necessários para diagnosticar, planejar e por em prática decisões que influenciam a economia de modo geral, induzindo, intensificando e generalizando o consumo. Tudo isso, sendo absorvido de maneira subserviente pelo País-Sede, através de cooptações, atropelos, exceções e acordos, maculando as organizações, diretrizes e intenções desses Estados Nacionais.

Referência

CAMPOS, Priscila Augusta Ferreira; SILVA, Silvio Ricardo da; AMARAL, Silvia Cristina Franco. Tradição e modernidade no “novo” Mineirão. Esporte e Sociedade. Niterói, n. 23, 2014.