Veneno remédio

Autores

José Miguel Wisnik

Subtítulo

o futebol e o Brasil

Editora

Companhia das Letras

Cidade

São Paulo

Tema

Futebol - Aspectos Sociais; Futebol - História; Sociologia

Páginas

446

Ano

2008

ISBN

8535912282

Sumário

Agradecimentos, 7

1. Preliminares, 11
Livro e futebol, 11
O campo do assunto, 16
A ilha de São Vicente, 28
Roteiro, 40

2. A quadratura do circo: a invenção do futebol, 42
Pontapé inicial, 42
Bola e campo, 57
Capotão e capital, 61
Rito e jogo, 68
Soule, 76
O consenso inglês, 87
A lama e a grama, 95
O fino e o grosso, 100
O juiz, 104
O tempo, 110
Prosa e poesia, 114
Futebol não tem lógica, 120
A otimização do rendimento, 125
O técnico, 128
A “diferença”, 131
A maturidade viril, 133
O goleiro, 136
O rúgbi, o futebol americano e o soccer, 141
Donos do campo e donos da bola, 155
Berlim 2006, 158

3. A elipse: o futebol brasileiro, 168
O capoeira e o emblasto, 168
A prova dos nove, 174
1938: a epifania, 183
O futebol mulato, 194
A dupla cena, 200
Pegada “a Marcos de Mendonça”, 212
O moleque primordial, 217
O futebol, a prontidão e outras bossas, 221
O Homero do Maracanã, 232
A democracia racial em questão, 240
A catástrofe, 245
Garrincha e Pelé, 267
Macunaíma e seu outro, 275
A Copa das Copas, 293
O império da elipse, 309
O intermezzo, 321
Os Ronaldos: a futebolização do mundo, 350
Ronaldos, Ronaldinhos e Ronaldões, 363
Ronaldos e Rivaldo, 369
Ronaldos e Ronaldos, 385
Comentários finais: bola no chão, 395

4. Bola ao alto: interpretações do Brasil, 404
A droga, 404
Epílogo, 429

Sinopse

Os estudos de grande abrangência sobre o futebol, ao abordar as questões políticas, sociais, econômicas e comportamentais em torno do esporte, costumam deixar de lado o essencial: o jogo em si, aquilo que faz dele uma atividade capaz de apaixonar bilhões de pessoas dos mais remotos cantos do mundo.

O futebol, tal como foi incorporado e praticamente reinventado no Brasil, tem muito a dizer, com sua linguagem não-verbal, sobre algumas de nossas forças e fraquezas mais profundas, ajudando a ver sob outra luz questões centrais da nossa formação e identidade. Temas recorrentes na melhor ensaística brasileira, como a “democracia racial”, o “homem cordial” e a deglutição antropofágica do influxo cultural estrangeiro, encontram aqui um viés inesperado e original como um corta-luz, um drible de corpo, um lançamento com efeito ou uma folha-seca – jogadas que os craques brasileiros inventaram ou desenvolveram, encontrando novos caminhos para chegar ao gol e à vitória.

Lançando mão de um sofisticado instrumental crítico que bebe na filosofia, na sociologia, na psicanálise e na crítica estética, José Miguel Wisnik desce às minúcias do jogo da bola e de sua evolução ao longo das décadas. Nas páginas deste ensaio, craques como Domingos da Guia, Pelé, Garrincha e Romário põem à prova, com sua linguagem não-verbal, ideias sobre o país de escritores como Machado de Assis, Mário e Oswald de Andrade, sociólogos como Gilberto Freyre, historiadores como Sérgio Buarque de Holanda e Caio Prado Júnior.

O futebol, em Veneno remédio, não é mero “reflexo” da sociedade, mas tampouco se desenvolve à margem dela. É, como mostra Wisnik, uma instância em que as linhas de força e de fuga do embate social e da construção do imaginário se apresentam de modo ao mesmo tempo claro e cifrado, como costuma acontecer com as expressões artísticas.

Referência

WISNIK, José Miguel. Veneno remédio: o futebol e o Brasil. São Paulo: Companhia das Letras, 2008.