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Breiller Pires (parte 3)

Equipe Ludopédio

O mineiro Breiller Pires é daquelas figuras que te permitem resgatar o clichê da ‘alma’ hospitaleira do brasileiro. Recebeu nosso convite para a entrevista com muita disposição e nos abriu as portas da redação do El País para uma hora de bate-papo que foi muito além das pautas do jornalismo esportivo. Como ele mesmo disse, o “o jornalismo no esporte não se resume ao campo, aos campeonatos e ao que acontece no jogo”. E não é por acaso: Breiller carrega na bagagem reportagens sobre a política da FIFA, escândalos de pedofilia no futebol e o encontro com ex-goleiro Bruno. Boa leitura!

Ludopédio entrevista o jornalista Breiller Pires.

Tem um rapaz que escreveu algo assim na internet: “Filho do presidente vira embaixador. Filho do técnico da seleção vira auxiliar. Filho de senador vira deputado. Nada surpreendente em um país que se acostumou ao longo da história ao tratar nepotismo e favorecimento familiar como meritocracia”. Antes de tratar as questões sobre o técnico da seleção, o seu Twitter tem bastante interação. Como as redes sociais têm sido úteis para o seu trabalho?

Acho que eu concordo com esse rapaz. Eu tenho usado mais redes sociais para divulgação de trabalhos e cada vez menos para entrar em debates e discussões porque a atmosfera criada em redes sociais não foi feita para isso. E as redes sociais lucram com uma atmosfera de ódio. Quanto mais polêmica, quanto mais agressão há ali mais repercussão elas têm, mais o algoritmo vai girar e fazer dinheiro. Há uma omissão terrível dessas redes sociais – que são empresas grandes – que lucram com uma cultura de ódio e não fazem nada para mudar. Eu uso simplesmente por protocolo profissional. Tenho tentado usar cada vez menos e postar uma foto direcionada para a família porque vejo que essas redes são coniventes com racismo, com homofobia, com xingamentos, com ameaças, intimidação a jornalistas. Cansei de ser ameaçado, de gente com ofensa racista, com ofensa explícita e já denunciei. Mas essas redes não tomam nenhuma providência. Normalizamos uma cultura de ódio.

Entendo que o Brasil, em geral, tem sim uma cultura autoritária mas não é o que a gente vê na esquina. Você conversa com uma pessoa que tem uma orientação política diferente você vai chegar no meio termo, a pessoa cede daqui e você dali. Nas redes sociais, isso não acontece. É direto para o xingamento. Acredito que as redes sociais tiveram um papel determinante, e aí incluindo WhatsApp, para jogar a gente nesse buraco que é o da intolerância. Criar uma atmosfera de animosidade cada vez maior. Então, por isso eu tenho evitado. Às vezes, eu não resisto para fazer um desabafo, mas tenho preferido me manter cada vez mais distante. Não vejo a rede social como um bom ambiente para debate porque não é isso que elas têm buscado incentivar.

De que maneira você pensa em discutir temas como, por exemplo, nos relacionamos com o poder público? Quais são as funções das autoridades, quais são as suas responsabilidades?

Eu sempre recebi ameaças. Bem antes, na época da revista Placar, publicando coisas de time. Intimidação de dirigente tentando fazer algo para barrar uma matéria. Isso daí é comum e eu nunca me deixei intimidar por isso, e não vou me deixar intimidar por reação de rede social. Precisamos caminhar para mudar algumas culturas que foram normalizadas por muito tempo e hoje com a informação, com mudanças que almejamos enquanto sociedade a gente tem que bater de frente. O caso do nepotismo, por exemplo, é muito comum no futebol. Tem o Cuca com o Cuquinha, o irmão. O Dorival Junior tem o filho como auxiliar. O Tite na segunda passagem pelo Corinthians levou o filho.

E aí quando eu questionei o Tite sobre isso não foi para constrangê-lo ou questionar a capacidade do filho. Não questionei em momento algum. Mas é para mostrar que um treinador da seleção, pelo peso que o cargo tem, jamais pode ter o filho como auxiliar.

Porque o recado que passa para a sociedade é que o presidente também pode ter o filho em uma embaixada. E justamente pelo fato de o Tite ter um discurso ético que eu admiro. Acho muito legal e eu o sigo admirando como treinador, mas acho que ele falha como cidadão ao dar um exemplo desse tipo. Ao permitir que o cargo dele normalize um nepotismo que é comum na sociedade, que é comum nas relações de federações, que é comum na CBF. Ele está cercado por essa realidade e fecha os olhos para isso em nome do favorecimento ao filho. A crítica não vai somente a ele. É para mostrar que a discussão sobre o técnico da seleção a gente precisa atacar todos os tipos de privilégio e favorecimento familiar que é algo tão normalizado na política. E o que busco no meu trabalho é jogar luz sobre as coisas, tirar questionamentos e gerar discussões.

Como vocês lidam com as ameaças na redação do El País?

Ultimamente, mais por rede social, em que a atmosfera e a permissividade delas contribuem para isso, mas até hoje não tivemos nenhum problema de censura, intervenção. O jornalista está acostumado a lidar com pressões, com intimidação para não publicar, para jogar panos quentes, algo que é do jogo. Mas a escalada desse ódio em redes sociais é algo gritante desde 2018, isso é perceptível, não dá para negar. Até hoje nunca tivemos problemas com ameaça de morte ou o que acontece em outras redações, e até muitos jornalistas já sofreram com isso – com a ameaça de censura –, o Intercept, que tem publicado os materiais sobre o Vaza Jato, tem sofrido.

Como vocês têm se manifestado em solidariedade ao Intercept e aos jornalistas desse outro veículo? Embora as manifestações de apoio aconteceram, houve muita gente desconfiada, muito menos pelo sigilo das fontes, que é uma questão de método jornalístico e de um Direito Constitucional, mas pensando nesse constrangimento e essa suposta criminalização do trabalho jornalístico. Como tem sido isso na relação entre redações?

O El País ajudou a checar esse conteúdo e atestou a veracidade das mensagens. Então, isso daí não é um tema, não é uma discussão e estamos no mesmo patamar do Intercept como um veículo estrangeiro fazendo jornalismo no Brasil. E isso pode ser usado de alguma forma para manipular as pessoas, para jogar a população contra a imprensa. Eu vejo essa história do Vaza Jato não como algo contra a Lava Jato ou contra a justiça brasileira. É um reflexo de como é o nosso sistema Judiciário e também como é uma parte dele porque, ao longo da minha carreira, fazendo matérias sobre abuso sexual de crianças e adolescentes, fazendo matérias em que há uma interlocução muito grande com o Ministério Público, com juízes, com promotores, e até no caso da FIFA e da CBF com os escândalos de corrupção, há gente muito séria que faz um trabalho seguindo estritamente o que diz a lei e seguindo a Constituição. Há muita frustração nesse trabalho.

Eu cito o caso do Eduardo Nepumoceno que, como jornalista, eu acompanho a história dele há muito tempo. Ele é um promotor de Minas Gerais, do Ministério Público, e desde 2003 ele começou a investigar o Zezé Perrela por negócios no Cruzeiro. Também investigou o Alexandre Kalil no Atlético Mineiro. Ele entendia que o futebol precisava ser investigado e em Minas Gerais isso nunca havia acontecido. Os dirigentes sempre “nadaram por braçada” por lá. E ele foi perseguido por essas investigações, perseguido não só pelo Zezé Perrela, que fez denúncias contra ele para tentar barrar as investigações, mas também pelo Aécio Neves, ex-governador, que ele investigava muito antes da Lava Jato, caso do Aécio de desvio, fraude em licitação. Ele levantou várias denúncias. Sofreu com isso e sofreu muitas frustrações e reveses também. Por mais que ele entendia que a causa era justa e que ele tinha material farto para denunciar esses políticos, ele nunca passou por cima da lei para fazer justiça com as próprias mãos. Sofreu com pressão. Ele conta um episódio em que tinha acabado de denunciar o Zezé Perrela e no dia seguinte entrou na sala dele uma turma de 15 desembargadores, todos Conselheiros do Cruzeiro falando: “Olha, não mexe com essa denúncia”. E ele falou: “É um exemplo de como o futebol envolve muita coisa”.

Quem são os Conselheiros de futebol? Quem são os aliados da CBF? São gente muito poderosa. A gente precisa questionar esse sistema, precisa investigar a CBF, principalmente. Mas para fazer isso não se pode passar por cima da lei.

No meu caso, como jornalista, por mais que eu saiba que tem muita gente picareta no meio do futebol não posso simplesmente inventar uma denúncia ou forçar a barra para criticar um dirigente ou derrubar alguém. Eu preciso seguir regras de apuração. Respeitar a democracia também. Espero que fique claro com esse caso da Lava Jato que tem muita gente séria também na Operação, muita gente que faz um bom trabalho de investigação. A gente que é do esporte sabe a farra que foi Copa do Mundo e Olimpíada no Brasil, que isso envolveu compra de voto para se tornar sede, que isso envolveu muitos interesses, desvio de muito dinheiro. E há gente séria na Lava Jato investigando isso, mas é preciso também estabelecer os limites para que a Justiça não faça o papel de justiceiro que temos visto como uma escalada na sociedade, também. Você vê no celular uma pessoa na praia de Copacabana amarrando um adolescente no poste porque foi acusado de furtar, linchando esse adolescente, é um reflexo do que também acontece no Judiciário ao desrespeitar a lei. Então, espero que esse sintoma da sociedade ao ser colocada à prova seja devidamente debatido. E que a gente possa fazer justiça não com as próprias mãos, mas seguindo a Constituição.

O Tite respondeu a crítica?

Respondeu. Eu acho que ele foi até elegante na resposta. Ele fugiu, saiu pela tangente. A reação dos jornalista foi: “ah, você está querendo derrubar o Tite!”. Para mim, o Tite tem que ficar lá, é o melhor técnico do Brasil. Mas é um absurdo ter um filho como auxiliar. E as pessoas dizem: “é normal no futebol”. E porque é normal a gente vai permitir que o cara que justamente prega esse discurso ético? Não dá. A reação não foi nem de gente da CBF, foi de jornalistas.

Sempre teve um burburinho de Renato Gaúcho no lugar do Tite e justamente em uma época em que os técnicos seriam alternativos ao Tite também não estão muito bem. Justamente pós-Copa 2018 o Tite foi tirar foto com o Presidente e aí vem o Renato Gaúcho e dá uma entrevista dizendo que ama os Bolsonaros etc. etc… que o Brasil agora vai para frente. Tudo muito estranho. Você tem alguma percepção de que tem alguma coisa acontecendo nos bastidores em relação ao Tite?

Ele está desconfortável porque perdeu boa parte da retaguarda, mas ele está também em uma posição interessante. Porque quando o Dunga entra, volta para a seleção brasileira, ele entra para ser para-raio. Foi a sacada perfeita da CBF no momento em que estava atolada por denúncia de corrupção, a repercussão do 7 a 1. O holofote estava todo no Dunga. O que ele apanhou porque já tinha saído com aquele ranço da Copa, a personalidade dura dele. Então, ele chegou para ser escudo da CBF e funcionou muito bem. O Tite chegou praticamente na mesma situação porque ele tinha uma popularidade muito alta, era praticamente uma unanimidade. A partir do momento em que perdeu a Copa esse capital diminuiu bastante. Começou a ser questionado, criticado, e a CBF já passa olhá-lo de outro jeito. Não vamos conceder todas as regalias para ele. Os técnicos acabam sendo usados. Entendo o ponto do Tite de querer fazer algo de dentro, ter a oportunidade de estar lá e tentar melhorar da forma dele. Mas, do jeito que é a estrutura da CBF, é muito difícil para um técnico sozinho conseguir mudar a estrutura, a filosofia interna. Dificilmente, mesmo ele sendo muito bom – ele pode ter bons resultados, ganhar uma Copa –, mas mudar coisas que são necessárias para o futebol brasileiro eu acho muito difícil.

Dentro do mundo do futebol para qual personagem você gostaria de direcionar uma pergunta capciosa? 

O grande personagem do futebol que eu queria entrevistar é o Maradona. Apesar de ser argentino, da rivalidade, não enquanto jogador porque eu considero que o Pelé foi melhor do que ele e até hoje podemos dizer que o Messi pode ser considerado não o melhor, mas maior que o Maradona como jogador. Mas, como personalidade do futebol, eu acho que é a que mais me intriga e que eu gostaria de saber como ele conseguiu suportar toda essa carga do futebol sobre ele, principalmente, depois de ser pego no exame antidoping na Copa de 1994. E até algo para saber dele se ali tem alguma perseguição do sistema à figura do Maradona. Afinal, era um jogador daquele tamanho e com um olhar questionador sobre tudo. E desde o começo da carreira dele me parece ser um cara antissistema. Ele é a grande personalidade que eu queria de entrevistar. Tem outra também, mas Maradona está no topo da fila.

Dos seus ídolos, dos grandes personagens do futebol brasileiro qual é o cara?

Romário. Romário pela lembrança da Copa de 1994, que foi minha primeira Copa que eu acompanhei. Lembro bem de todos os jogos, colecionei o álbum. E o que o Romário fez naquela Copa foi sensacional. E uma das melhores entrevistas que eu fiz foi justamente com o Romário. Ele já Senador. Era uma comemoração dos 45 anos da revista Placar e fomos entrevistar o Romário. Levamos o uniforme da Copa de 1994 para ele vestir e posar para a foto. A entrevista foi ótima. Ele contou vários casos.

A gente entregou o uniforme para ele, perguntou se ele topava fazer. Ele subiu para trocar de roupa, tirar o terno e a gravata, e de repente desce o Romário com aquele uniforme de 1994 e todo mundo fica boquiaberto. Era a aura ali de um personagem de realismo fantástico.

Você fala: “estamos vendo aquele Romário de 1994”, e até o porte físico dele – ele emagreceu bastante depois da cirurgia [feita em 2017 para diminuir a diabetes], mas a silhueta dele é a mesma. Ele descendo as escadas parecia que estava no vestiário. E a capa ficou legal. Ele vestiu o uniforme, o fotógrafo fez as fotos e depois pediu para fazer uma foto de paletó. Aí ele fez de paletó, depois colocou a gravata e aquela camisa de 1994 tem uma gola. E ele ficou ajeitando e essa capa ficou linda

Ele é um personagem muito curioso. De você ter um cara que saiu da favela, se tornou um astro de futebol e jogou no Barcelona, desprezou o Barcelona de certa forma e foi curtir o carnaval no Rio, e esse cara se torna Deputado, se torna Senador. E de certa forma até me surpreendeu por levantar algumas bandeiras. Discordo 100% da orientação política dele, da visão do Romário, mas acho que ele representa muito bem a sociedade brasileira. Não só por se ídolo de 1994, mas como um cara negro, que saiu da favela e hoje levanta algumas bandeiras interessantes. Para o Romário, não seria nada interessante bater na CBF. Ele é um ídolo. Até seria normal imaginar o Romário como uma pessoa que se aliaria à CBF, que seria da bancada da bola. E só o fato de ele bater na CBF e ser um contraponto a tanta gente que bajula lá dentro é algo muito representativo. Eu tenho diversas discordâncias, eu acho que não votaria no Romário mesmo o tendo como ídolo. Mas acho que ele representa a sociedade brasileira muito melhor do que a maioria dos congressistas.

Levando isso em consideração, imaginamos que o seu jogo inesquecível talvez tenha a presença do baixinho? Qual seria esse jogo?

A final da Copa Mercosul, Vasco 4 a 3 no Palmeiras, tem gente que fica brava… mas esse jogo foi espetacular. Eu estava assistindo em casa e até tenho uma história curiosa. Eu sou vascaíno, por influência do meu pai, e a gente sempre tentava ir em Belo Horizonte nos jogos do Vasco no Mineirão. Só que eu tinha um azar impressionante que eu nunca vi o Vasco ganhar lá como visitante. Ou perdia ou no máximo saía feliz com um empate. E, nesse ano de 2000, a gente queria muito ir ao jogo do Vasco contra o Cruzeiro na semifinal da Copa João Havelange. Por alguma coisa que aconteceu, a gente não conseguiu ir e o Vasco ganhou por 3 a 1, um jogo espetacular do Romário, ele fez gol. E, nessa final da Copa Mercosul, eu estava assistindo com um primo meu, flamenguista, que morava com a gente. E ele na beliche de cima e eu embaixo, 3 a 0 e ele enchendo o saco. Eu falei: “Eu vou dormir porque tá um vexame, tomando de 3 a 0”. Eu acordo com o terceiro gol do Vasco, meu pai avisou que saiu o gol de empate. “Será que eu estou sonhando?” E logo depois saiu o quarto gol e o Romário ainda pediu silêncio com aquele jeito provocador. Foi algo que me marcou como torcedor.

Em 2000, o Palmeiras não tinha um timaço, mas estava jogando muito bem. O Romário fala que ele chegou no vestiário, deitou na maca e pediu uma Coca Zero – ele disse que sempre tomava uma Coca Zero no intervalo. Eu perguntei: “O que vocês conversaram?”. Ele respondeu que não conversaram, o pessoal ficou sério e na saída para o campo só falou: “Vamos ganhar esse jogo! Olha o nosso time”. O Vasco tinha um timaço na época, era uma máquina. Os Juninhos [Paulista e Pernambucano] jogaram muito. Tem um lance nesse jogo quando estava 3 a 3, o Juninho corre, dá um carrinho e recupera a bola perto da torcida do Vasco e bate no peito. Eu tenho para mim que o Romário é flamenguista, ele diz que é torcedor do América do Rio de Janeiro por causa do pai, mas aquela volta dele ao Flamengo em 1995 me parece que ele sempre foi flamenguista. Mas acho que o que ele deixou para o Vasco no imaginário do torcedor, o gol mil já no fim de carreira, as lembranças dele são as melhores possíveis. Gosto obviamente do Edmundo. Foi um jogador que em 1997 fez um campeonato espetacular, mas, como ídolo, para mim, o Romário é maior.

O que é o futebol para você?

O futebol representa muito para mim, não só pela ligação familiar, essa ligação familiar expandida da relação com o meu pai. O que a vivência de estádio proporcionou foi uma aproximação que talvez a gente não tivesse. Na arquibancada, quando você está com torcedores do seu time, você não quer saber se o cara é de direita, de esquerda, orientação política, sexual, se sair um gol você vai se abraçar e todo mundo está junto. O futebol proporciona isso. E é, de fato, para mim, a alegria do povo. Um patrimônio cultural que a gente tem e que eu fico muito triste quando vejo esse movimento de elitização do futebol se normalizando pelo Brasil e a gente vê estádios vazios, mas um clube achar que está certo por cobrar o preço que ele acha justo por um espetáculo que, vamos combinar, não é tão espetacular assim. Eu lamento muito que o futebol tenha se tornado isso, mas acredito muito ainda essência do futebol e que ela já não está mais nesses grandes clubes, nesses grandes centros, ela ainda permanece em quem joga de forma amadora, quem joga no Guarajá Futebol Clube sem cobrar nada. Em quem enxerga o futebol como algo além do resultado.

Eu não virei torcedor porque meu time ganhava campeonatos ou porque tinha ídolos. Não sei por que eu virei. E acho que vou seguir assim até o fim da vida. Dificilmente, alguém muda de time. A gente precisa rever a nossa relação com o futebol também. Às vezes, ela se apega a resultado. Será que esse clube não te oferece algo mais do que as vitórias? Algo mais do que um ídolo? E para mim o futebol é isso. Não só na relação com o Vasco, da memória afetiva que eu tenho da seleção brasileira, mas com tudo o que ele move em volta. Espero que a gente saiba valorizar mais o futebol. Não como no passado com certo preconceito em torno do futebol. O futebol é um patrimônio cultural valiosíssimo da nossa sociedade. Espero que a gente saiba que esse futebol seja cada vez mais acessível e democrático dentro dos clubes.