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Mauricio Noriega (parte 2)

Equipe Ludopédio

Mauricio Noriega pode ser considerado hoje um dos melhores comentaristas das transmissões esportivas no Brasil. Filho de Luiz Noriega, um dos mais importantes narradores esportivos brasileiros, Mauricio formou-se em Jornalismo pela Faculdade de Comunicação Social Cásper Líbero, de São Paulo, em 1989, e fez mestrado em Jornalismo Digital pelo Instituto Internacional de Ciências Sociais, em parceria com a Universidade de Navarra, de Pamplona, Espanha. Passou por diferentes veículos, entre eles: Folha da Tarde, A Gazeta Esportiva, Diário Popular, Lance!, SportsJá!, Rádio Bandeirantes e atualmente é comentarista do canal por assinatura SporTV, da Rede Globo, participando de diversos programas.

Foto: Max Rocha

Mauricio Noriega durante a entrevista para o Ludopédio. Foto: Max Rocha.

Segunda parte

O calendário do futebol brasileiro é problemático: poucos clubes jogam muito, muitos clubes jogam pouco. Os Estaduais continuam resistindo ao mesmo tempo em que surgem novos campeonatos (como a Primeira Liga) e novas propostas de duração dos torneios. Qual é sua expectativa para 2017, que traz uma nova proposta, com um calendário aparentemente mais inchado?

Acho que o calendário melhorou muito em dez ou quinze anos. Antes era um desastre, aconteciam situações que não imaginávamos que poderiam acontecer e aconteceram. Um jogo já chegou a valer para dois campeonatos. Houve uma evolução. Mas acho que ainda hoje os clubes de futebol no Brasil dependem muito do jogo, da bilheteria. Eles precisam jogar para ganhar dinheiro e isso acaba criando distorções no calendário. Acho que nós temos uma situação boa de série A, B e C no campeonato brasileiro, um calendário bacana para os clubes que estão nessa divisão, mas o problema é arrumar o calendário para quem não está. Como o futebol é meio de vida para os jogadores, já que apenas uma minoria é milionária, tem cara que depende dos três meses dos campeonatos estaduais. Primeiro, para ganhar aquela grana nesses meses, e depois para tentar arranjar uma boquinha nas séries B ou C. Essa indústria funciona assim, não é a forma correta, mas ainda não encontramos uma fórmula para fugir disso. Eu sou contra a adequação do calendário brasileiro ao europeu, absolutamente contra, acho que isso não vai melhorar em nada o futebol brasileiro. Estamos em um hemisfério, a Europa está em outro hemisfério. É inconcebível fazer um jogo no Brasil no dia 02 de janeiro, tal como propor fazer um jogo na Itália ou Espanha no alto verão. Os jogadores de lá vão rir da sua cara. No alto verão os jogadores querem descansar, ir para a praia, ficar com a família. Temos que buscar soluções dentro da nossa realidade. A Primeira Liga foi uma ideia boa, mas com uma execução desastrosa, tanto que ela está implodindo. Ela veio com uma proposta bacana, de fazer diferente, mas infelizmente as questões são as mesmas, com um clube reclamando que recebe menos que o outro. Enquanto os clubes não entenderem que quanto mais unidos eles estiverem serão mais fortes, o futebol brasileiro não vai evoluir. Um quer puxar o tapete do outro. Não existe outra realidade, infelizmente. Eles precisam entender que precisam dirigir o destino do futebol brasileiro unidos, como um grupo de 60 clubes. Os mais ricos precisam entender que devem ajudar os médios e pequenos. A série A precisa entender que a série B é importante para ela, e o mesmo vale para a série C. Só assim podemos avançar.

Nesse sentido, do ponto de vista da integração e colaboração, qual sua posição em relação aos campeonatos estaduais?

Defendo uma repaginação, não sei se a extinção seria legal. Mas tem uma questão afetiva, pois comecei a entender futebol vendo campeonato estadual. Para minha geração campeonato estadual tem uma coisa mística. Se eu falar isso para a molecada de hoje eles vão rir da minha cara. O campeonato estadual talvez fosse mais importante que o campeonato brasileiro, que a Libertadores. Tinha clube brasileiro que ia com time reserva para a Libertadores para preparar o time titular para o campeonato estadual. Então talvez eu seja muito nostálgico em relação a isso. “Pô, vai acabar com o Estadual…”. Foi o campeonato estadual que criou toda a mística em torno dos clássicos, do Fla x Flu, Corinthians x Palmeiras, GreNal, BaVi. Mas não mais como eles serem do jeito que eram. Eu vejo os estaduais hoje como torneios de pré-temporada, sendo utilizados para fazer testes de regra. O campeonato estadual não existe para a FIFA, que não o reconhece. Tanto que tem aquela polêmica dos gols do Pelé. É uma grande besteira por parte da FIFA. Mas é uma oportunidade para fazer testes: dois árbitros principais, árbitro atrás do gol, uma série de coisas. Acho que os campeonatos estaduais podem ser parecidos com os torneios de verão da Argentina. São tradicionais, têm valor, torcedor comemora quando ganha. São torneios que vão trazendo o futebol aos poucos depois das férias. Mas falamos isso com uma visão elitista. Uma visão de SP, RJ, RS, MG. Vai lá falar no Amazonas ou Pará para acabar com o campeonato estadual. Se você acabar com o campeonato estadual em algumas praças, acaba com o futebol.

Assistimos, nos últimos anos, uma retomada das manifestações de cunho político nas arquibancadas. Como você vê esse momento? Como é essa relação entre futebol e política, especialmente na arquibancada?

A arquibancada sempre foi voz para muitas situações. Mas temos que fazer uma leitura muito tranquila e profunda do que ecoa da arquibancada. Trata-se de um ambiente de emoção pura, um ambiente quase patológico. Existe uma questão de manipulação de massa naquela situação, de grupos que acabam incentivando. Eu não acredito em manifestação política de Torcida Organizada. Isso não existe, não sei quem está pagando, não sei qual o interesse daquele posicionamento. Eu não sou contra Torcida Organizada, ao contrário, acho que cada um faz o que quiser da sua vida. Sou contra atitudes de TOs, que vemos nos noticiários, inclusive de ligação com o crime organizado. Mas a manifestação, contrária ou favorável, a governos, presidente, prefeito, governador, dentro do estádio de futebol, acho que ela é necessária, é super saudável. Mas muitas vezes ela é instrumento de manipulação de massa. De repente o cara está gritando o que ele nem quer gritar. Ele é levado por aquela situação. Quais têm sido os interesses das manifestações políticas de algumas TOs? Essa é a pergunta que eu deixo no ar. Por que protesta contra uma diretoria de clube? Deixou de receber dinheiro ou outro benefício? Tem o direito de se manifestar, mas não acredito nesse tipo de manifestação. Acho que as TOs foram deturpadas no decorrer de sua história. Quando elas surgiram, apresentavam movimentos completamente diferentes do que vemos hoje. Torcida Organizada, no começo, era aquela que levava almofada para mulher e criança sentar, para todos irem com a mesma roupa, para fazer coreografia. Hoje é uma coisa diferente, que move milhões, que perdeu a característica da sua criação.

Foto: Max Rocha

Mauricio Noriega com a Equipe Ludopédio e a NAV. Foto: Max Rocha.

Existem diversas formas de torcer, das TOs, arquibancadas, até os antigos geraldinos, que perderam seus espaços. Nós estamos “gourmetizando” os estádios?

É um tanto contraditório, pois passamos tanto tempo brigando por melhores estádios. E agora que temos estádios mais confortáveis, queremos voltar para o cimento duro e sujo. O ideal do estádio seria atender a todo e qualquer tipo de necessidade do torcedor.  O estádio do Grêmio tem, o do Chivas de Guadalajara também tem. Vários estádios pelo mundo têm espaços mais raiz e menos nutella (risos). É difícil chegar a uma conclusão. Eu me divirto muito com o Juventus, a experiência Juventus. O futebol que não moderno, o futebol mais retrô. Mas será que isso funciona para clube grande hoje? Acho que tem que ter um espaço para quem gosta de ver jogo em pé. O futebol ficou muito caro. E mudou o perfil. Tente achar negros nas arquibancadas de um estádio de futebol. Isso é um reflexo da severa questão econômica racial que o Brasil tem. O Brasil melhorou em alguns aspectos, mas ainda existe uma brutal segregação econômica da sociedade. Os estádios novos deixam isso muito evidente. O percentual de negros nos estádios hoje deve ser parecido aos negros em escolas particulares. O futebol popular, hoje, acaba ficando restrito à TV aberta. Apesar de melhorado nesse ponto, a TV por assinatura ainda é um pouco elitista. Mas como vai financiar o futebol hoje, com esses orçamentos absurdos? Acaba tendo que cobrar mais caro pelo produto. Embora seja possível, com boas ideias e uma boa gestão, preservar esses espaços populares. Os estádios não estão cheios, mas existem fenômenos esporádicos: Palmeiras, Flamengo, Corinthians. Se cai o resultado, cai também um pouco a média de público. E têm as questões novas, como a fidelização, os programas de Sócio-Torcedor. Mudou muito o perfil. Eu, quando moleque, ia com meus amigos assistir todo tipo de jogo de futebol, na geral, tobogã. No meu tempo o estádio era mais popular. Embora dentro o estádio esteja mais confortável, fora não mudou muita coisa. Ainda tem bagunça, fila mal organizada, a entrada no estádio é um caos.

O que podemos esperar ou o que é possível fazer em um momento desse, quando ainda estamos vivendo um período de “legados” da Copa do Mundo e dos Jogos Olímpicos? O cheque foi assinado, a festa foi bacana, mas e agora?

Tradicionalmente temos poucos jogadores de futebol com posicionamento político. Afonsinho, Sócrates, poucos. Não sei se por uma questão de conforto, medo, a grande maioria sempre optou por não se manifestar. Tivemos a Democracia Corinthiana, depois o Bom Senso,  mas nunca é um posicionamento de classe. Isso não existe. Se for comparar com nossos vizinhos, Argentina e Uruguai, várias greves de jogadores já aconteceram. Esse posicionamento político do jogador de futebol é muito recente e muito restrito. Os atletas de outros esportes, como vôlei e basquete, caras que vêm de outros estratos sociais, também apresentam limitação no posicionamento, mas o coletivo é mais forte, têm figuras emblemáticas, como Ana Moser, Paula.  Mas ainda falta muita coisa. O meio influencia muito no atleta indivíduo. Quando está tudo bem, quando ele está ganhando, quando tem patrocínio, está tudo legal. Mas quando não tem, o atleta começa a se manifestar. Vi isso no esporte que escolhi na minha época, o voleibol. É um esporte que sabe se promover como nenhum outro esporte no Brasil. Os jogadores se expressam bem. Mas quando é um assunto mais pesado, o jogador quer manter o status que ele atingiu. É possível que ocorra uma transformação no voleibol agora, pois os patrocínios estão minguando, equipes tradicionais estão acabando, o mercado de trabalho está diminuindo. Vamos sentir qual o posicionamento deles. Esquece o futebol, que já está consagrado e tem seu meio de subsistência. Mas o que vai acontecer com o esporte amador depois do “largado” olímpico? Eu sou pai de atleta. Minha filha é da seleção brasileira juvenil de nado sincronizado. Eles não têm hotel, eu hospedo atleta na minha casa para elas treinarem aqui em São Paulo.  As atletas que vêm para São Paulo ficam hospedadas em casas de familiares de outras atletas. Não tem dinheiro, ou tem dinheiro e os caras gastaram errado. Seria interessante que mais atletas se posicionassem, pois o meio de trabalho deles está morrendo, e os caras não percebem isso. Temos esportes que não têm condições de existir no Brasil. Não tem campeonatos, não tem organização, as federações estão com presidentes pendurados com várias denúncias. Nos não temos modelo esportivo no Brasil. Eu fui atleta: você sai da escola para um clube, do clube vai para a seleção estadual, da seleção estadual vai para a seleção principal. Se seu esporte tem uma liga profissional você consegue ganhar um dinheiro, ou a alternativa é ir para a Itália, Espanha. Esse modelo não serve mais. E não temos modelo de esporte estudantil. Tem cara que joga pela faculdade e nunca sentou em um banco de aula da faculdade, não sabe nem onde fica.

No caso específico do jogador de futebol, ele teme muito as sanções da FIFA quando ele se manifesta, política ou religiosamente. Passa por isso, o futuro dele pode estar em jogo.

O futebol não é dirigido por atletas de futebol. E quando é dirigido, percebe-se como o meio acaba corrompendo, caso do Platini, cooptado por essa roda-viva. A FIFA é um instrumento tão poderoso hoje, que tem influência inclusive em governos, tanto democráticos quanto ditatoriais, reinados, parlamentarismo, presidencialismo. É inacreditável que essa entidade tenha atingido esse patamar de poder e sem que o jogador participe. Apesar de toda sua maluquice, Maradona tem razão quando contesta. Quem faz o futebol? Os jogadores. E eles não mandam em nada no futebol. É cruel isso. Na maioria dos casos, os jogadores brasileiros param de estudar. Ele é levado pela vida a só treinar, só jogar, só viajar. E acaba vivendo numa bolha, numa realidade paralela. Já tive oportunidade de entrevistar o Neymar, que se mostrou bastante esclarecido, mas acho pouco provável imaginar dele uma postura sindical. Não é possível esperar dele algo como Afonsinho, Sócrates, Paulo André, Alex.Talvez, se Messi, Cristiano Ronaldo e Neymar tivessem um pensamento mais classista, o futebol todo ganhasse.

Qual seu jogo inesquecível?

Sem dúvida, Gana x Uruguai, na Copa da África do Sul. Pela atmosfera do jogo, pela circunstância, foi logo depois da eliminação do Brasil, era o último time africano na Copa da África, justamente contra o Uruguai, que é a resistência no futebol. O Uruguai representa o futebol antigo. São 3 milhões de pessoas e um país desse tamanho consegue montar times. Eles conseguem feitos inacreditáveis. Aquele jogo é sensacional. Outro dia assisti novamente nossa transmissão, com Milton Leite transmitindo e eu comentando. Foi muito legal, fiquei assistindo como se estivesse acontecendo. Aquilo é um roteiro de teatro: pênalti, bola na trave, cavadinha do Loco Abreu, estádio tomado de africanos, Forlán filho jogando e Forlán pai torcendo na arquibancada. Esse jogo eu conto para meu filho e quero contar para meus netos.

Foto: Max Rocha

O jornalista Mauricio Noriega. Foto: Max Rocha.

Quem é seu ídolo no futebol?

No futebol, provavelmente é o Pelé. Vi pouco, ainda criança, mas tive condição de entender porque ele era o Pelé. Ele é figura muito diferente, com uma energia diferente, O lugar onde o Pelé entra muda a composição do ar. É incrível. Tive a oportunidade conversar com o Pelé na inauguração do Museu do Futebol. O Pelé estava reencontrando a camisa que ele usou na final da Copa de 1970, que tinha sido leiloada, um inglês tinha comprado, um brasileiro comprou de volta, e doou para o Museu do Futebol. É impressionante. O Pelé é uma entidade. No futebol é meu grande ídolo. Mas como eu fui jogador de voleibol, o atleta que eu mais admirava era o Karch Kiraly. Vi jogar pela televisão inúmeras vezes e depois, já como jornalista, vi jogar um Mundial de Clubes no Ginásio do Ibirapuera. Era inacreditável, como o Federer jogando tênis. Parece que ele inventou o jogo.

Você acha que nós tratamos mal nossos ídolos?

O jornalismo esportivo está passando por um processo, aquela coisa do jornalismo celebridade, jornalismo-selfie, o jornalista quer ser mais importante que o entrevistado, ele não está preocupado com a pauta a cumprir e sim em fazer a selfie para dizer onde está, abraçar o entrevistado, tirar uma foto para dizer que é amigo dele. Isso está relacionado à pergunta, ao modo como tratamos o atleta. Na minha formação, na minha concepção de jornalismo, o jornalista não é artista. Mas tem muito jornalista que trabalha na televisão que acha que é artista. Isso complica a relação. Fica mais preocupado com a roupa e o penteado. Mais preocupado com a roupa que vai usar na passagem do que com o texto da passagem. Já presenciei coisas inacreditáveis, do cara estar postando na rede social e perder a alteração que está acontecendo no jogo. Perde a alteração, mas não perde a postagem. Esse mundo imediatista demais, narcisista demais, que beira um certo hedonismo, interfere na relação com a celebridade. O próprio jogador está dormindo na concentração e posta uma foto. E depois reclama de superexposição, isso que eu não entendo. Preciso de privacidade? Como assim, privacidade? Se você mesmo está expondo sua vida. Infelizmente, para algumas pessoas, os jornalistas são inimigos. Tem um jogador que é extremamente inteligente, e que tem ideias opostas minhas, mas que é um bom papo, o Lugano. Estava batendo um papo com o Lugano e ele tem uma espécie de aversão à imprensa. Ele estava falando para mim: “não preciso de vocês para nada, eu converso com o torcedor pela rede social”. Mas aí é só sua verdade, só sua versão. Ele concordou, disse que eu tinha razão nesse aspecto. Esse mundo de hoje, que é virtual demais, narcisista mesmo, e que invadiu o jornalismo, interfere na qualidade da produção e do conteúdo jornalístico. E isso vai desaguar em certas situações de colegas que talvez tenham um viés mais humorístico que jornalístico. Eu gostaria de ser humorista se eu tivesse talento para ser humorista, mas eu não tenho. Tento ser jornalista a se adaptar ao mundo moderno. Não estou dizendo que é errado ou certo, tampouco que o jornalismo esportivo tem que ser econômico ou político, mas vejo uma série de exageros. Tem dia que eu saio frustrado do meu trabalho, não em termos de qualidade de conteúdo da minha transmissão ou da transmissão A, B ou C. Às vezes ouço entrevistas coletivas depois das partidas e ninguém faz uma pergunta. Repórter não faz mais pergunta. Eu falo para os mais jovens e talentosos: “Você está ali em campo com personagens, então pergunta, pois você só faz uma afirmação e espera o cara comentar”. “Bom jogo, né?”. Isso não é pergunta. Essa questão da rede social, instragram, facebbok, tem a ver com o ambiente, com esse universo do jogador celebridade. Damos muita importância para rede social, como se fosse parâmetro para as coisas, mas nem sabemos quem está postando, seé verdadeiro ou falso, se é um perfil alternativo da pessoa.

Quem leva a Liga dos Campeões em 2017?

Fácil essa, hein? Acho que será um clube espanhol, novamente. Tem uma coisa engraçada. O campeonato inglês é muito valorizado hoje, mas quando saem da Inglaterra não dá certo. O Belletti falava que a seleção inglesa se perdia ao jogar em campo grande, era muito espaço, e eles estão acostumados com os campos pequenos e apertados.

E Libertadores?

Esse ano será um clube brasileiro, difícil não ser, pela diferença técnica, financeira. Palmeiras está muito forte, Santos dificilmente vai perder ponto jogando na Vila Belmiro, Grêmio também tem essa tradição do mandante. O Palmeiras tem o elenco mais moldado para a temporada, é o único que pode mandar uma equipe alternativa a campo que talvez seja tão boa quanto a principal. O Flamengo tem um time bom, mas não tem um elenco igual ao do Palmeiras. Santos e Grêmio também não têm esse elenco. Por questões financeiras, Botafogo e Atlético Paranaense aparecem um pouco mais abaixo.

Por fim, quem você indica para entrevistarmos, para uma boa conversa?

Dois caras fantásticos: Jota Júnior e Milton Leite. Pelas histórias, pelas figuras que eles são. Tenho um bom entrosamento com o Milton, até pela quantidade de jogos que a gente faz, temos um humor parecido, nos damos bem fora da transmissão. Mas me dou muito bem com o Jotinha e o Luiz Carlos Júnior. O Luiz adora rock e eu também. Quando viajamos, falamos sobre rock: “já ouviu aquele disco, aquela banda, já viu esse DVD, quem era melhor baterista”. O Luiz também é uma boa entrevista. Mas o Milton e o Jotinha têm muitas histórias, passaram por fases diferentes do jornalismo e da televisão. Jotinha trabalhou na Bandeirantes naquela época do Show do Esporte. Milton participou da implantação da ESPN Brasil, já narrou na Globo. Ambos foram narradores de rádio. Fizeram bem essa transição do rádio para a televisão. Tem muito cara que narra na televisão como se ainda estivesse no rádio. Isso eu vivi bem, pois meu pai era narrador de rádio e acho que talvez tenha sido o melhor narrador que tivemos em técnica de televisão. Meu pai era um narrador de televisão por excelência.