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Nuno Domingos (parte 2)

Giovana Capucim e Silva, Equipe Ludopédio

Licenciado em Sociologia pela Faculdade de Ciências Sociais e Humanas da Universidade Nova de Lisboa e Mestre em Sociologia Histórica pela mesma instituição, Nuno Domingos realizou doutorado na School of Oriental and African Studies da Universidade de Londres (SOAS), onde defendeu a tese Football in Colonial Lourenço Marques, Bodily Practices and Social Rituals, e onde posteriormente fez pesquisa de pós-doutorado. Em 2012, Nuno Domingos publicou o livro Futebol e Colonialismo, Corpo e Cultura Popular em Moçambique (Lisboa, ICS).

Capa do livro do Mestre em Sociologia Histórica Nuno Domingos.

Capa do livro de Nuno Domingos,  Mestre em Sociologia Histórica.

Segunda parte

Você mantém contato com pesquisadores brasileiros na África ou sobre futebol na África?

Sim, sobretudo com um grupo de pesquisadores do Rio de Janeiro. Aceitei já há alguns anos um convite do Victor Andrade de Melo para um seminário no Brasil sobre desporto no antigo espaço colonial português. Acredito que esse seminário, de que depois resultou um livro, até inventou um pouco esta temática da história do desporto nas antigas colônias portuguesas, uma temática que não existia propriamente. O meu trabalho sobre Moçambique estava isolado. Acho que isso é significativo, demonstrando a força da universidade brasileira. Foi nessa altura que conheci o Victor Melo, que trabalhava sobre Cabo Verde, o Marcelo Bittencourt, que trabalhava sobre Angola e outros investigadores que pesquisavam a questão do desporto no contexto do colonialismo português a partir do Brasil. Neste grupo estava também o Augusto Nascimento, português que pesquisa São Tomé. Foi a partir desta base que tive um maior contato com os estudos sobre desporto na academia brasileira. Há outros pesquisadores brasileiros que não trabalham o contexto africano, mas que também foram importantes para o desenvolvimento da minha pesquisa. Lembro-me, por exemplo, dos textos do antropólogo José Sérgio Leite Lopes sobre o Garrincha e sobre a origem do estilo de jogo brasileiro. Depois vim a conhecer outros autores, alguns pela obra, outras pessoalmente. Eles traduzem a força que esse campo de pesquisa está tendo no Brasil e em outros países da América Latina.

E quais outros autores portugueses poderiam ser destacados sobre a temática do futebol na África, mas também sobre futebol de modo geral?

É sempre difícil este exercício, sempre esquecemos de alguém. Não há muita gente pesquisando futebol na África. Existem outros autores que abordam o tema pontualmente, com o historiador Marcos Cardão que tem trabalhado sobre a relação do futebol com o lusotropicalismo. Neste momento, o historiador norte-americano Todd Cleveland está a realizar uma pesquisa profunda sobre a ida de jogadores das colónias portuguesas em África para a metrópole, percebendo quais as suas estratégias laborais e como se adaptaram no destino. Sobre o futebol em Portugal a situação é diferente, há mais gente, mas, no que respeita às ciências sociais e humanas, não há uma especialização muito forte. A Nina Clara Tiesler, uma pesquisadora alemã que viveu um longo período em Portugal, pesquisou a temática a partir do papel do futebol nas comunidades emigrantes portuguesas – tema que talvez tenha sido focado inicialmente pelo historiador Victor Pereira – mas também a emigração de futebolistas, nomeadamente no que respeita ao futebol feminino. O estudo do futebol feminino tem vindo a crescer em Portugal, com trabalhos da Cláudia Pinheiro, da Isabel Cruz e da Inês Brasão, por exemplo.  Mas a Nina Tiesler, juntamente com o sociólogo João Nuno Coelho, tiveram também importância no processo de internacionalização da pesquisa sobre desporto em Portugal, editando obras em inglês, livros e números especiais de revistas. O Coelho já tinha escrito um trabalho importante sobre a relação entre o futebol, o nacionalismo e os media em Portugal. Mais tarde publicou uma história do futebol em Portugal (A Paixão do Povo) com Francisco Pinheiro, um historiador que escreveu um livro de referência sobre a história da imprensa desportiva em Portugal, resultado da sua tese de doutoramento. Há ainda outra história do futebol, de Pedro Serra e Ricardo Serrado. Temos trabalhos importantes sobre culturas adeptas, como as teses de doutorado de Daniel Seabra sobre torcidas, e a de João Sedas Nunes sobre identidades clubistas, ambas ainda não publicadas. Recentemente o Rahul Kumar defendeu uma tese de doutorado sobre a relação do desporto com o Estado Novo Português, talvez o trabalho mais completo até à data sobre o tema das relações entre futebopl e política, também ainda não editado. O José Neves, de quem já falei, tem escrito muito sobre futebol, nacionalismo e comunismo e sobre a relação disto tudo com as representações criadas sobre os estilos de jogo, tanto em Portugal como noutros contextos internacionais. Ele ambém escreveu sobre o Euro 2004, que decorreu em Portugal, tema que pelo seu impacte local também interessou a outros pesquisadores, como a socióloga Ana Santos – que publicou não há muito tempo um importante livro sobre a volta à Portugal em bicicleta – e à socióloga Salomé Marivoet, uma pesquisadora que tem também tem escrito bastante sobre o estado da prática do desporto em Portugal. Carlos Nolasco tem tratado da relação entre futebol e imigração em Portugal, tema que tem interessando a outros pesquisadores, como o historiador brasileiro Luiz Carlos Ribeiro. Há também trabalhos sobre direito desportivo, associativismo e outros temas. Neste último trabalho que organizei com o José Neves (Uma História do Desporto em Portugal) há várias abordagens ao jogo, como o trabalho de Frederico Ágoas e Pedro Gomes sobre estádios de futebol. Ágoas já tinha escrito sobre a temática antes, nomeadamente sobre a economia política dos estádios de futebol em Portugal.  Claro que aqui me limito às áreas de ciências sociais e mais especificamente ao futebol, assunto sobre o qual as faculdades de desporto e motricidade humana têm publicado inúmeros estudos de carácter técnico, mas não só. Enfim, apesar da natureza destas abordagens ao futebol ser diferente, tanto temática, como metodológica e teoricamente, e assumindo que este cenário que tracei está incompleto, dado existirem outros autores, e mesmo estes de que tratei tem muitos deles interesses mais diversificados no estudo do desporto e do futebol, talvez o importante seja realçar que estão a surgir novas pesquisas e que aos poucos o cenário se vai compondo, embora continue muito por fazer, desde logo que no respeita ao trabalho sobre os arquivos. Falta ainda, como na generalidade da academia portuguesa, um espaço de debate crítico sobre este campo em formação.

Quando nós, brasileiros, pensamos em futebol europeu e na Champions League, lembramos primeiro do futebol alemão, futebol inglês, futebol espanhol. Quais razões podem ser identificadas para o fato do futebol português ser colocado, vamos dizer, num segundo plano de forças?

Tem a ver com razões de escala, tem a ver com potencial econômico dos clubes portugueses. Os grandes clubes portugueses e o futebol em geral, dentro das condições do país e dos níveis de desenvolvimento, destacam-se bastante, quando comparamos o futebol com outras atividades culturais e económicas. Portugal consegue ter resultados bons, tanto a níveis dos clubes nas competições europeias e mesmo no que respeita às seleções jovens. Consegue formar jogadores e treinadores de indiscutível competência. Até seria expectável que Portugal estivesse ao lado de ligas mais pequenas, como a belga, a grega ou a holandesa. Analisando os resultados do futebol português, eles são sensacionais tendo em vista algumas condições existentes. Portugal não tem muita gente nos estádios, só nos grandes clubes; não gera muitas receitas televisivas. A capacidade dos clubes portugueses de gerar receitas é inferior à dos grandes clubes europeus. Existe uma enorme desigualdade entre os três maiores clubes e os outros todos, com um ou outra excepção. O futebol português é muito desigual. Mas os clubes portugueses mais importantes, uma elite nacional, conseguem algumas receitas com a venda de jogadores para outros clubes europeus, um comércio do qual em grande medida dependem. Por outro lado, têm uma estrutura de organização relativamente bem montada, que melhorou bastante nas últimas décadas e conseguem ainda formar bons futebolistas. Os resultados são bons tendo em vista as condições do país e apesar dos problemas graves do futebol em Portugal. Talvez a existência de um poderoso espaço público futebolístico, com um imprensa especializada muito ativa, com uma televisão que dedica muitas horas ao futebol e sobretudo à discussão sobre o mesmo, com as massas associativas dos grandes clubes também muito ativas, talvez tudo isto crie um pressão grande sobre as equipas e sobre a sua performance. Não sei, isto teria de ser visto em perspetiva comparada com outras ligas europeias, mas eu acho que este espaço público futebolístico é em Portugal muito forte, para o bem e para o mal.

Dentre os jogadores globais, que atraem o interesse da mídia e dos fãs, encontra-se um português: Cristiano Ronaldo. Como o senhor analisa a importância do Ronaldo para Portugal e o futebol mundial?

Ronaldo tornou-se indiscutivelmente um dos melhores jogadores do mundo. Há essa discussão interminável de quem é melhor, Ronaldo ou Messi. Os jornais estão sempre a fazer um conjunto de interpretações sobre isso. Em Portugal, algumas pessoas ficam ofendidas quando se afirma que é o Messi (risos). Digamos que em Portugal o número daqueles que acham que Ronaldo é o melhor é desproprocionado em relação ao que pensa no resto do mundo. Mas o Ronaldo é um jogador extraordinário, fora de série. É um profissional dedicado completamente ao jogo. Tem aquela imagem que é dada por uma certa imprensa côr de rosa, do Ronaldo das festas, uma imagem muito criada pela publicidade e que o ajuda a vender enquanto vedeta global. Mas ele adora o jogo, nem parece que se sinta cansado numa profissão muito intensa; pelo contrário, dá a ideia de que é um jogador que se diverte, que vive muito o jogo. É claro que há um orgulho português na carreira do Cristiano Ronaldo. Os jornais e televisões seguem muito de perto as equipes onde ele joga. Primeiro o Manchester United e agora o Real Madrid. É uma figura indiscutivelmente importante e presente no cotidiano português. Há um artigo interessante do sociólogo inglês Stephen Wagg sobre a figura do Ronaldo ainda no Manchester United. Muito relevante para perceber o que os adeptos pensam dele, não só a partir do modo como joga, mas também do modo como se comporta socialmente. Os jogadores são sempre figuras morais, que geram opiniões diferentes. Há pessoas que o acham sensacional; pessoas que acham que ele é vaidoso e está sempre a fazer pose. Estes grandes jogadores, pelo menos alguns, são figuras que por si geram tensões e inúmeras discussões sobre qual deve ser o modelo de jogador, ou modelo de indivíduo, sobre a forma correcta como uma vedeta se deve comportar, se é um bom ou um mau exemplo. Tornam-se figuras centrais da cultura popular e muito interessantes em termos de pesquisa. Ronaldo é um destes jogadores, cheio de contradições, com uma origem social muito pobre, da Ilha da Madeira, e que rapidamente foi obrigado a crescer. No mundo do futebol é um caso algo raro. Muitas pessoas tentam esse percurso, mas em algum momento se perdem, porque não se adaptam às exigências, por vezes muito cruéis, do futebol profissional e da sua lógica de seleção.

E o técnico José Mourinho? Pode ser colocado na categoria de ídolo português?

Acho que sim, talvez de forma tão complexa como que o Ronaldo. Da mesma forma que seguimos o Real Madrid com atenção, o mesmo se passa com o clube onde está Mourinho. Mourinho é um indivíduo que não foge de conflitos, está sempre a dizer coisas que são polêmicas e está longe de ser unânime. Aliás, deixa inimigos por onde passa, provoca muitas reações, sobretudos nos membros das outras equipes, mas também nos jornalistas. Não se pode dizer que seja uma figura simpática, mesmo em Portugal. Ao mesmo tempo, sua carreira de vitórias o tornou uma figura bastante apreciada, sobretudo porque passa esta ideia sedutora de que é um tipo invencível, que ganha em todo o lado, contra tudo e contra todos. Ganhando quase sempre, ficou com uma aura de alguém indestrutível. Como Ronaldo, é uma figura muito presente no cotidiano português. Há reações contrárias em relação a Mourinho. Fez a certa altura alguns comentários infelizes em relação à origens sociais do Ronaldo, quando este era ainda jogador do Manchester. Está sempre envolvido nessas picardias, nesses conflitos, sempre foi assim. Podemos considerar que ganhar não é o mais importante, mas no futebol, para todos os efeitos,  ganhar é muito importante. Nesse sentido apresentou-se como um modelo de um novo tipo idealizado do “português”, de um português sem medo, sem estar de cabeça baixa. Mas a que custo se faz isso? E como podemos interpretar quais as características desde “novo homem português” num contexto político, econômico e social mais vasto. O José Neves tem escrito um pouco sobre a figura do Mourinho. Mas enfim, em qualquer parte do mundo, os portugueses mais conhecidos são o Ronaldo e o Mourinho e isto demonstra a força do futebol como elemento de uma cultura popular global. São ambos vencedores, mas o modo como são percebidos pelas pessoas é diferenciado e merece ser pesquisado de forma mais detalhada.

Já falamos um pouco sobre a questão dos imigrantes nas seleções. A seleção portuguesa tem alguns brasileiros. Mas o caso mais visível deve ser a seleção francesa, que tem diversos jogadores de outras nacionalidades, maioria da África.  De que maneira esses imigrantes são vistos e recebidos nas seleções nacionais na Europa?

Acho que há duas questões diferentes a ter em conta. Uma que grande parte destes jogadores franceses não são imigrantes, mas filhos de imigrantes, ou então alguém que chegou muito jovem ao país. Isto é, muitos deles são cidadãos franceses. Depois, outra questão diferente, são os jogadores naturalizados. É o caso em Portugal do Deco, do Liédson e do Pepe. A discussão em Portugal é sobre os jogadores que se naturalizam.  É uma discussão que muitas vezes é uma discussão falsa. A partir do momento em que a lei permite que uma pessoa seja cidadão português, não sei por que razão se pôe em causa sua participação numa seleção nacional. Podemos depois discutir a lei, mas esta lei estipula as regras de nacionalidade atual e se jogador as cumpre, tem o direito de  adquirir a nacionalidade. Mas mesmo assim a naturalização destes jogadores levantou debates, com questões algo bizarras sobre quem tem o monopólio do sentimento nacional, o que muitas vezes é uma forma disfarçada de xenofobia. Enfim, grande parte dos selecionadores portugueses têm sido sensatos em relação ao problema. O caso francês é diferente. Em grande medida houve um conjunto de questões levantadas sobre os jogadores de origem africana, tanto do norte da África quanto da chamada África subsaariana francófona, porque a extrema direita francesa tornou isso um problema público. Isso em Portugal, pelo menos a este nível institucional, é menos claro. Não tem havido forças políticas institucionalizadas, como no caso francês, que tornem isso uma questão pública. O que realmente levanta um conjunto de questões em Portugal é a naturalização dos jogadores. Argumenta-se que estes jogadores não sentem a camisola, não sabem o hino. Mas se a lei diz que são portugueses têm todo o direito a participar na seleção.

A FIFA recentemente anunciou que irá impedir a presença de investidores no futebol. O senhor entende que afetará somente os grandes clubes ou se estenderá para todos? Provocará impactos na circulação de jogadores?

Provavelmente terá um impacto em Portugal. Os clubes portugueses têm recorrido bastante a estes fundos de investimento. Há uma coisa curiosa no futebol português. O futebol português é bom para valorizar os jogadores. Se formos olhar sobretudo para o F.C. Porto e o Benfica, veremos que o dinheiro que conseguiram em vendas de jogadores é extraordinário. Jogadores que vem de campeonatos de fora da Europa, como do Brasil, Argentina e países da Europa do leste, chegam aos clubes portugueses, que fazem geralmente boas campanhas europeias, e valorizam-se muito. Depois são vendidos aos grandes clubes da Europa por verbas extraordinárias. Para os fundos de investimento, colocar jogadores em clubes portugueses pode ser um bom negócio, porque os jogadores, em princípio, podem valorizar-se.  O que tem acontecido nos últimos anos é que esses fundos têm ajudado os clubes a comprar jogadores, porque esses fundos têm a expectativa destes jogadores se valorizarem. Assim, os fundos têm ajudado algumas equipes portuguesas a terem bons plantéis. Claro que, ao mesmo tempo, isso coloca um conjunto de questões. Quem decide vender o jogador? É o fundo que diz “ok, este jogador está a jogar muito bem, valorizou-se e nós queremos vendê-lo”? Quem é que decide: é o clube, o treinador ou o fundo? O futebol passa a ser apenas um instrumento de valorização de ativos financeiros. O futebol não é o fim último, mas o fim último é realmente fazer dinheiro. A crença e o prazer no jogo marginalizam estas discussões e o papel do futebol em inúmeros negócios.

Como o futebol feminino está organizado em Portugal? Existe uma liga? Quantos clubes existem? De que maneira ele é profissionalizado ou não?

É uma das áreas da pesquisa em Portugal que tem se desenvolvido, o que também, de certo modo, traduz o crescimento do futebol feminino em Portugal. A seleção nacional tem conseguido bons resultados, alguns clubes também. Não é um futebol profissional ou não se compara aos níveis de profissionalização que se atingem em outros contextos internacionais. O futebol feminino talvez seja o esporte que as mulheres tiveram mais dificuldade de se impor. Há ainda muito preconceito social, de achar que futebol é um jogo para homens. Há uma frase que se repete muito no contexto do futebol masculino, tanto a nível profissional, como mesmo nas escolas: “o futebol não é para meninas”. Uma frase que se ouve repetir muitas vezes. Este preconceito que tem a ver com questões do corpo, há uma espécie de idealização do que é o corpo feminino, contra qual vai a ideia do corpo da jogadora de futebol. Há uma ideia de que os movimentos da jogadora de futebol não se coadunam bem com o que deveria ser uma idealização do corpo feminino. As mulheres que têm feito na carreira no futebol têm sido muito corajosas, têm conseguido fazer coisas extraordinárias. Foi talvez o desporto feminino coletivo que demorou mais tempo a avançar em Portugal. Era mais aceitável que as mulheres jogassem vôlei. Mas o futebol feminino tem se desenvolvido, tem havido uma melhoria dos treinos, com a formação de excelentes treinadoras, melhorou a qualidade, embora permaneçam desigualdades extraordinárias. A mídia, em geral, praticamente não fala do futebol feminino. Continua a haver uma discriminação grande, mas isso acontece em todos os desportos.

Atualmente qual é o seu projeto de pesquisa?

Continuo a escrever sobre futebol. Sobre futebol em Portugal e desporto de modo geral. Trabalhei, por exemplo, o boxe durante o Estado Novo. Mas em termos de pesquisa continuo a investir na análise do colonialismo português no século XX. Neste momento, a partir de outros temas, relacionados com a alimentação e o consumo do álcool, que no contexto colonial português tem uma importância grande. Estou a diversificar. Mas, como  disse anteriormente, muitos dos pesquisadores que trabalham sobre esporte dedicam-se também a outros temas.