03.11

Paulo Calçade (parte 3)

Equipe Ludopédio

A entrevista deste mês é com o jornalista Paulo Calçade, que também ministra aulas de jornalismo esportivo na Universidade de São Paulo-USP.  Este é um dos temas abordados ao longo da conversa realizada nos estúdios da ESPN Brasil, no bairro de Perdizes, em São Paulo.

O jornalista esportivo Paulo Calçade da ESPN. Foto: Equipe Ludopédio.

 

Terceira parte


Dentro deste cenário, é interessante pensar qual o desafio que se coloca para a perpetuação do mito Pelé. Com a renovação e chegada de novos formuladores de opinião dentro do esporte, e não mais centrado naqueles que viram Pelé jogar, esse mito persistirá?

É ótimo. Estamos falando de linguagens diferentes. Como é que eu defino o melhor do mundo, se surgir um gênio hoje, em um futebol que todo mundo diz que não é bom? Certamente, o Pelé continuará sendo o melhor para sempre. Ele está inserido num momento que é visto de forma romântica, que tinha um gênio… O Messi não é genial? Não estou comparando, principalmente porque não gosto de comparar ninguém. Comparações são odiosas. O Messi é um jogador espetacular, o Cristiano Ronaldo e o Kaká também. Essas caras jogam muita bola. Mas comparar essas caras ao padrão do jogo do Pelé? Só se o Pelé jogasse hoje. Hoje tem muita coisa boa. Quando você diz que o futebol de hoje é muito ruim, você está se eximindo, dizendo: “não preciso analisar, não preciso entender, porque eu vi o que era futebol”. É difícil entender o futebol de hoje. Tem que conhecer um pouco sobre a parte física, sobre a parte tática, da técnica e do emocional, que é fundamental. Lá atrás, analisávamos a jogada e o jogador. Hoje, temos que analisar mais o jogo. Essa é a grande diferença. Vamos tentar entender o olhar daquele tempo: ao pegar Garricha, Pelé, Leônidas, Di Stefano, Puskas, jogadores que definiam sozinhos as coisas, você analisava a genialidade desse sujeitos. Mas a genialidade que está embutida no jogo hoje é mais difícil. Pode ser um jogo mais coletivo e também muito bonito. Mas em outras épocas falava-se de um jogo mais individual e menos coletivo. Nesse ponto é que as gerações se chocam.


Na televisão, as imagens que ficam destes jogadores, é sempre deles bem…

Um exemplo: tem no YouTube aquelas 30 engrossadas da Seleção Brasileira na Copa de 1970. É maravilhoso. Aquilo não vai para o ar nunca, só vai os lances geniais. Não estou dizendo que aquele time não era brilhante. Nada disso. Estou dizendo que aquele time era humano, como os de hoje, que acertam e erram. Antigamente os jogadores não erravam? É só pegar as imagens da Copa do Mundo, está lá. Bolas chutadas do México para o Estados Unidos. Gente que vai dar um passe, erra a bola e cai sentada. São geniais, mas são humanos. Como os de hoje. Valoriza-se mais o erro hoje. Esse é o enigma da coisa: tentar entender, para não se deixar envolver, cooptado por esta visão de que tudo era melhor e agora é um lixo. Estou tentando me preparar para daqui a vinte anos, se eu ainda estiver trabalhando com isso ainda, eu não estar fora do meu tempo. Daqui vinte anos, em 2030, eu posso dizer: “Em 2010, jogava-se de uma maneira bem diferente…”. O que eu não posso é parar no tempo, perder o ritmo das mudanças. Tenho que tentar ser um colunista do meu tempo, não ficar para trás. Para mi, que já tenho 48 anos, é difícil. Trabalhei até com chumbo em jornal, daquele processo de composição das páginas e matérias. Em 1994, nos Estados Unidos, demoravam-se minutos para se passar uma cor ou uma foto. Hoje, o cara vai tirar foto, passa para o computador, envia por email, edita e é publicado no jornal. Temos que nos adaptar. Eu vivi aquele tempo, mas não estou amarrado, não estou preso a ele. A vida mudou, algumas coisas para melhor, outras para pior. Em tudo: no esporte, na vida etc. São todas as novidades tecnológicas.

Paulo Calçade ministra aulas de jornalismo esportivo na Universidade de São Paulo-USP. Foto: Equipe Ludopédio.


Encerrada a Copa de 2010, o que é possível apreender da primeira Copa no continente africano; da vitória de um país europeu fora da Europa; das vuvuzelas; da bola Jabulani? Foi uma Copa dos não-humanos? Foi uma Copa muito diferente das outras? O que você poderia realçar, o que te interessou, para além do que foi destacado pela imprensa?

Vamos por partes. Primeiro, sobre a Copa na África. Eu não gostei, senti-me mal. Não gostei do clima, do ambiente da Copa, da divisão real e verdadeira. São dois países sem fronteiras, duas populações, vivendo juntos, no mesmo espaço.


Com preferências por dois esportes diferentes…

Isso. Não me fez bem. Não teve aquela felicidade de saber que o Mundial é uma chance de viver uma cultura diferente, uma coisa bacana, de conviver. Foi uma coisa só profissional. Esse é um ponto. A Copa na África teve muito de Brasil. Prazos, custos pós-Copa, alguém vai continuar pagando a conta por muito tempo. Esportivamente, a África do Sul não tinha nenhuma chance. Eu não acreditava que ela passasse da fase de grupos. Foi uma Copa escondida. Pensando na Copa no Brasil, neste ponto sobre o ambiente, será diferente. Olhando para congraçamento, ambiente de Copa do Mundo, vinda de turistas, será uma Copa maravilhosa. Deste ponto de vista, pode ter certeza que metade não volta para casa. Metade dos turistas e jornalistas ficarão aqui, vão casar, abrir pousada. Aqui tem uma alegria que ninguém tira. Além destes pontos que você levantou, foi também a Copa da imagem. Nenhuma outra teve tanta imagem. Até o técnico da Alemanha colocando o dedo no nariz nós vimos. Acho que isso que você apontou sobre os não-humanos é até uma coisa para parar e estudar mesmo. Na categoria dos humanos, teve o Maradona, que para alguns já nem faz parte desta categoria (risos). Além disso, estamos levando para o Mundial jogadores quebrados, sem condição de estudar a Copa. Eles estão jogando muito pelos times e chegam na Copa quebrados. A Copa acaba virando uma loteria. Ganhou um dos favoritos? Sim, a Espanha ganhou. Mas foi o primeiro campeão do mundo a perder na primeira rodada. Mas tem muita coisa que ficou na periferia da Copa. A Jabulani está sendo jogada. Tem vários campeonatos hoje com a Jabulani, Todo jogo que eu falo e que tem a Jabulani, faço questão de destacar isso para mostrar como se entra numa questão como essa. Escrevi uma coluna antes da Copa falando que a bola não era assim tão protagonista. depois, durante a Copa, pensei: “putz, acho que essa é realmente uma droga”. Após a Copa, a bola continua aí e não se ouve mais falar dela. A bola serviu para um determinado momento, foi personagem em determinado momento, vendeu mais de 13 milhões de unidades. Para a Adidas, foi espetacular o que aconteceu com a Jabulani. Faltava Jabulani. Mas deixou de ser personagem. A Jabulani ninguém fala mais, o polvo morreu, a Larissa Riquelme faz uma novela aqui e posa nua ali, e vuvuzela graças a deus ficou lá na África do Sul (risos). Aliás, eu tenho uma tese. Lá, na África do Sul, comida tem açúcar e pimenta. Você vai tentar comer a coisa mais internacional possível para lembrar-se da sua casa: um espaguete a bolonhesa. Tem a mesma cara aqui e lá. Mas tem um molho doce e apimentado. Em tudo tem pimenta e açúcar. Por isso eles tocam a vuvuzela. Porque arde, arde muito (risos). Tirando essa teoria (risos), trata-se de um costume. Quem vai para o jogo ver o jogo mesmo, não consegue ficar tocando o tempo todo. Uma hora, vai xingar, bater a vuvuzela na cabeça do outro, morder jogar no chão. Não dá para tocar aquilo e prestar atenção. É uma diversão, um grito, um berro de uma população. Ou pode não ser nada disso, somente uma coisa que pegou. Dá para pegar a vuvuzela e encaixar numa tese sociológica ou antropológica. Minha filha tem uma vuvuzela em casa. Nos anos 80, aqui no Brasil, chegamos a utilizar no estádio. Mas não permitir ou não querer, é aquele olhar de quem vem de fora. Se eles querem tocar a vuvuzela, que toquem. É casa deles e vão tocar. Para mim não atrapalhava tanto, pois ficava na zona de imprensa. Não assisti jogos na parte das torcidas. Ter um cara com uma vuvuzela na sua orelha, deve ser um pé no saco. Mas como fiquei num lugar sem vuvuzelas por perto, com fone de ouvido, só escuta um barulhinho constante no fundo, como uma abelha. Eu comprei um protetor de vuvuzelas lá, trouxe de recordação (risos).


E foi uma Copa europeia, pelo fato de pela primeira vez uma seleção europeia ganhar fora do seu continente e pelo fato de três dos quatro semifinalistas serem europeus?

É duro tentar entender. Às vezes, temos fato, mas não temos explicações. “Os europeus jamais venceram uma Copa do Mundo fora…”. Tá bom. O que eu faço com isso? Digo que eles não vencer ou que eles vão quebrar o tabu? A Espanha ganhou a Euro, depois ganhou a Copa. E o fato dela ter vencido, salvou a Copa. Imagina se a Holanda fosse a campeã. A Alemanha poderia ter sido uma bela campeã. O Brasil poderia ter vencido a Copa, se não acontece aquele apagão contra a Holanda. Foi do jogo. Não adianta ficar olhando para Julio César, Felipe Melo…são coisas que você sabia antes. Não imagino que possa ter um bom ambiente tendo o Dunga por perto. Não é sacanear o cara. Tinha uma coisa sempre negativa, de alguém sempre olhando para os inimigos, para conspiração. Não vejo alegria ali.

Paulo Calçade é formado em jornalismo pela Fundação Cásper Líbero e pós-graduado em futebol pela Escola de Educação Física e Esporte da USP. Foto: Equipe Ludopédio.

Aproveitando então para antecipar a próxima pergunta. Um dos temas mais polêmicos no Brasil durante a Copa foi a relação conflituosa entre o técnico Dunga e profissionais da mídia brasileira. Algo amplamente divulgado e creditado não só a todo o período de preparação da seleção nos anos anteriores à Copa, como também a questões esportivas anteriores (como as críticas ao então jogador no que foi chamado de Era Dunga) e questões ligadas a outras dimensões nacionais, como o debate sobre o monopólio midiático e a concentração de interesses por uma empresa. Como podemos compreender todo esse processo relacional articulado nesta questão?

Todas as perguntas a espera de respostas, acreditam que com as respostas seja possível chegar a um modelo. Qual o modelo? “Vamos deixar a concentração mais aberta!”. Perdemos Copa assim. “Concentração-quartel!”. Perde-se Copa assim. Ganha-se Copa treinando três meses antes e treinando vinte dias antes. Cada um tem seu modelo. O meu será sempre o da harmonia, do bom relacionamento. Agora, de alguém que vê problema em tudo, será sempre este. É um pouco do espírito da pessoa. Se você pega o Felipão, tem coisa muita parecida. mas tem o lado estratégico de sempre criar um inimigo externo. As vezes ele passa do limite, como aconteceu agora. Ele cria estas coisas externamente e traz para dentro do grupo. É uma forma de usar a psicologia no esporte. É muito pouco, é 0,5 dentro de uma escala até 10. Mas os outros não usam nada. Então, não consigo conceber um modelo. Tem coisas que pesam. Se pegarmos os pilares. Na parte física, estávamos mal, Kaká quebrado, jogadores em péssimo estado. A convocação teve equívocos. Eu era contra convocar Neymar e Ganso, com apenas um mês de Paulistão, jogando contra times fracos. Você vai levar para a Copa? Não. Mas aí vem março, abril, maio, eles jogam contra equipes grandes e passam. Percebe-se: “tem algo diferente aqui. Por que não levar?”. Tem outro ponto de vista que reforça a tese de levar estes jogadores. Você vai para uma Copa onde todo mundo conhece todo mundo, sabe-se como cada um joga, o que cada um faz. Levar Ganso e Neymar àquela altura seria levar jogadores que ninguém conhecia. “Mas estão jogando no Santos…”. Mas não deu para sedimentar, não está no futebol europeu, estão longe. Poderia dar certo? Sim. Poderia dar errado? Na primeira jogada, o Neymar perde a bola e o Brasil toma o gol. “Está vendo, olha aí o Dunga, por que levou?”. Não consigo chegar a um modelo. Mas aí faz parte da maneira como vejo a vida. Se você for muito drástico, rústico, se for muito formatado, se os padrões forem muito rígidos, não sei se vai conseguir. O ideal é viver na boa. “Olha gente, vamos ter uma concentração, vocês não poderão morar aqui dentro, mas os jogadores estarão mais livres. Peço a colaboração de vocês”. Terão perguntas boas, perguntas ruins, de gente que conhece do assunto e de gente que não conhece nada, basta ver as coletivas que temos por aí. Então, o treinador tem que saber disso. Ali está representada a essência da população brasileira. Acho que a coisa tem que ser feita com harmonia. A parte que mais preocupa é a parte física. Se o grupo estivesse fisicamente muito bem, sem problemas, já temos um jogador com um emocional funcionando melhor. Na minha visão, o primeiro ponto é físico. Quando você acredita que fisicamente é capaz de dar todas as respostas em campo, o emocional vai ajudar, pois você já colocou para você mesmo que tem condições de suportar o físico, técnico, o tático vai cumprir. Se estiver fisicamente mal, você tem dúvidas, vai tomar cuidado, não vai correr como deveria, não vai cumprir a parte tática. Então, uma Copa do Mundo, depois de uma temporada, é uma exigência cruel. São sete jogos em 30 dias. Se o Brasil chegasse até a final, faria sete jogos em 28 dias. Um jogo a cada 4 dias para quem está no final de temporada e tem uma Copa do Mundo para disputar. Então, a Copa do Mundo é um evento magnífico, extraordinário, mas sem tempo no calendário. Por isso que perseguimos modelos. Mas o principal é entender que ela está no local errado. Ou muda a temporada em ano de Copa ou, sei lá, tem que ter alguma coisa. Isso é cruel. Exige-se dos principais astros, que jogam nos principais times, que eles tenham um evento magnífico. Surgem as exceções entre os grandes nomes, tipo o Sneider. Mas não acho que é uma exceção. É um modelo que não dá certo. O que acontece no período da Copa está vinculado ao que acontece no ano anterior ao evento.


Faltando quatro anos para a Copa do Mundo no Brasil, quais são as principais questões estruturais a serem trabalhadas? E o que esperar desta preparação?

Todas as que você quiser criar. Aqui ainda não tem Copa do Mundo. Primeiro, não temos um país como a Alemanha e o Japão. É um país que terá verão, inverno, primavera e outono durante a Copa do Mundo. Quem ficar rodando o país, vai morrer em Cuiabá e ressuscitar em Porto Alegre, irá achar que está dentro do freezer. Tem que tomar cuidado com o clima e as distâncias. Do jeito que está hoje, as cidades não estão preparadas. Não acredito que em dois anos mude o Brasil. A expectativa é que em 2012 esteja tudo pronto. Não acontecer isso. São 24 meses para mudar o Brasil. A Copa do Mundo começou em 01 de novembro, com a eleição da presidente (ou presidenta). Agora vai começar. Depois vem o carnaval. Temos esse problema estrutural do brasileiro, de não ter nenhum tipo de planejamento. O problema estrutural do brasileiro que faz um planejamento para atrasar tudo para poder, diante do caos, faturar muito. É uma coisa que está estabelecida aqui e está acontecendo. Nós temos todos estes problemas. Mas temos um povo que vai receber bem. Em muitos locais, será uma festa, uma curtição, um ambiente melhor e mais gostoso que uma Copa na África do Sul, com mais alegria, de confraternização. Esse é o Brasil, junto com um monte de problemas. Mas dá para melhorar para a Copa do Mundo. Sobre estádios, tenho minhas dúvidas. Tem outro lado: o padrão FIFA. A FIFA estabelece para o primeiro mundo. E não adianta chegar e na África do Sul e esperar um igual. O Brasil até hoje teve um certo padrão. Lamentável que nunca tenhamos conseguido fazer certas coisas aqui. Mas a FIFA vem com um nível de exigências absurdo. Eu queria ter o Blatter para presidente, porque com a Copa vai ter mais metrô, vias de acesso, um monte de obras, que me fazem imaginar: porque não fizeram isso antes? Por que tem que decidir que vai ter mais hospital mais hotel etc. Tem uns negócios malucos. É um “Custo-Brasil” triste, lamentável, mas que nem a FIFA vai mudar. É assim que funciona. No mês da Copa, será ótimo. Depois vem o problema. A FIFA vem, toma conta da sua casa, administra, leva o dinheiro dela. O país fica com as dívidas e a sua insignificância.


E será uma Copa popular? No que diz respeito ao acesso aos ingressos…

Não acredito. Mas pode acontecer o que aconteceu na África do Sul. Se o turismo não tomar conta dos estádios, vão distribuir ingressos. Aconteceu na África. Foi assim. Era possível entrar em qualquer jogo só com a credencial, sem o ingresso. Ninguém barrava. “Mais gente no estádio, que está vazio”. Tinha que ter o ingresso e o crachá para sentar na sua posição de transmissão. O brasileiro que gosta de futebol irá assistir Coréia do Sul versus Egito? Eu acho legal, assistiria. Tunísia versus Arábia Saudita de 2002, o pior jogo que vi na vida? O Brasileiro vai assistir? Não vai!

Paulo Calçade trabalhou nos jornais Diário Popular, Jornal do Brasil e Folha de S. Paulo e atualmente está na ESPN. Foto: Equipe Ludopédio.


E para o jogo do Brasil?

Se você pegar e doar os 70 mil ingressos para o jogo no Maracanã, outras 50 milhões de pessoas vão reclamar, dizer que é sacanagem, só tem bandido etc. O estádio tem um limite e a Copa do Mundo é de quem comprar aqueles ingressos. Não adiantar levar 10 mil pobres para o estádio e dizer que fizemos uma coisa bacana. “Temos 10 mil moradores de rua no estádio. Que país bacana é esse aqui”. É um negócio. Nos jogos do Brasil, os brasileiros verão pouco. E os jogos que ninguém quer ver, o brasileiro terá ingressos à disposição, mas também não estará afim de assistir. Deste ponto de vista de olhar para uma Copa do Mundo e dizer “qualquer jogo é legal”, é uma parcela pequena. A maioria quer só os grandes jogadores do mercado.