Espanha massacra o Taiti

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Quatro minutos. Foi o tempo necessário para que o abismo técnico entre Taiti e Espanha ficasse evidente também no placar do Maracanã. Não adiantou o apoio uníssono dos 71.866 torcedores nem a correria imposta pelos taitianos nos instantes iniciais. O atacante Fernando Torres recebeu a bola livre, na esquerda do ataque, avançou para dentro da área, fingiu que cruzaria e bateu para o gol. O goleiro Mikael Roche, que esperava a bola alçada, saiu antes do que devia e ficou vendido no lance: 1 x 0.

Com isso, estava aberta a porteira para a histórica goleada de 10 x 0, que marca a abertura da segunda rodada do Grupo B da Copa das Confederações. O resultado leva os espanhóis a seis pontos em dois jogos. Ainda nesta quinta, pela mesma chave, Nigéria e Uruguai medem forças em Salvador, na Fonte Nova, a partir das 19h.

O primeiro do Grupo B enfrentará o segundo do Grupo A na semifinal marcada para Fortaleza. A decisão do Grupo A sairá no sábado, na partida entre Brasil x Itália. As duas equipes somam seis pontos, mas o Brasil leva a melhor no saldo de gols. Por isso, a equipe de Luiz Felipe Scolari precisa de um empate para evitar encarar a Espanha, provável líder do Grupo B, na semifinal.

Ainda desnorteado com o resultado e com a força que vinha das arquibancadas, o técnico Eddy Etaeta só lamentou a desorganização de sua equipe. “É difícil, complicado. Muito embora esperássemos dificuldades contra a Espanha, queríamos pelo menos fazer um gol. Fomos muito desorganizados, mas a torcida foi sensacional”, afirmou.

O mesmo tom adotou o goleiro Mikael Roche, que sofreu os dez gols. “Eles foram rápidos demais. Gostaria de ter tido um desempenho melhor, mas enfrentamos um time muito forte. De qualquer forma, quero agradecer a esse público. Foi uma emoção muito forte, muito grandiosa”, afirmou.

Já o técnico espanhol, Vicente Del Bosque, ressaltou o fato de a equipe ter jogado bem. “Levamos o jogo a sério e fizemos com que nossa superioridade fosse evidente”, disse.
Bola rolando

Assim como na estreia diante da Nigéria, os taitianos contaram com apoio total das arquibancadas. Com gritos de olé quando trocavam passes e vaias ao estilo paciente dos espanhóis, os torcedores davam a trilha bem humorada ao duelo. Na empolgação, havia quem entoasse cânticos como “O Taiti chegou”e “Espanha, pode esperar, a sua hora vai chegar”. Animados, os taitianos fizeram o que puderam por quase meia hora.

Aos 31 minutos, no entanto, acabou o encanto. David Villa dominou na esquerda do ataque e conduziu a bola paralelamente à linha da área, na altura da meia lua, sob marcação de dois taitianos. Villa esperou o sistema defensivo se desmontar e deu um passe rasteiro, preciso, para David Silva conferir o segundo gol. Ainda sob efeito do baque, os taitianos levaram o terceiro. Aos 33, Fernando Torres, num contra-ataque, surgiu sozinho para tirar o goleiro da jogada e empurrar para a rede.

Aos 38, um gol com jeito de retribuição de gentileza. David Silva avançou pela esquerda em alta velocidade e cruzou para a área. A bola esticada passou pelas costas da zaga e encontrou David Villa, praticamente na marca do pênalti. O atacante dominou com qualidade e tocou rápido na saída de Roche para decretar os 4 x 0.

Seguiu o baile

Na segunda etapa, a toada foi a mesma. Logo aos três minutos, Monreal foi acionado quase na linha de fundo, pela esquerda, e lançou para o meio da área. David Villa chegou primeiro que a zaga e conferiu o segundo dele na partida, o quinto da Espanha.

Aos 11, o terceiro de Fernando Torres. Numa variante do quinto gol, agora pelo lado oposto, Navas chegou à linha de fundo e tocou para trás. O atacante chegou de primeira, antes da zaga, e conferiu.

Aos 17, David Villa sobrou livre num contra-ataque mas a bola era do goleiro. O problema foi que Mikael Roche se precipitou e furou. Villa, até meio constrangido, completou para o gol. Aos 20, foi a vez de Mata. Após tabela no meio da zaga, o jogador do Chelsea chutou forte e decretou o oitavo gol.

Aos 32, momento de festa na arena. Após pênalti concedido à Espanha, Fernando Torres bateu alto e a bola bateu no travessão antes de sair. O goleiro Roche celebrou com as mãos para o céu, mas viu a bola entrar um minuto depois, nos pés do próprio Torres. Num contra-ataque, ele converteu o nono gol. Para fechar a contagem, David Silva dominou na área, virou e chutou forte: 10 x 0.

O resultado, contudo, não mudou a relação do time com o público. Foram aplaudidos de pé pela torcida no estádio.

Protestos

Em uma referência aos protestos marcados para dezenas de cidades brasileiras nesta quinta-feira, o público no Maracanã passou por um instante mais politizado. Primeiro, entoou o cântico de “O povo, unido, jamais será vencido”. Em seguida, cantaram “Sou brasileiro, com muito orgulho, com muito amor”. E emendaram com o Hino Nacional Brasileiro.

 

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