Várzea sem fome

Diego Rodrigues

A histórica crise causada pela pandemia do Coronavírus escancara também a realidade em bairros pobres e favelas, precariedade triste e contínua no Brasil, mas há um dos fatores que contribuem para mantermos a esperança porque tem prática em ação social: o futebol de várzea. O intensivo trabalho de clubes do esporte amador ao ajudar suas comunidades se destaca pelo projeto Várzea Sem Fome.

Um dos golaços em ação solidária foi uma live que durou 24hrs e arrecadou 24 toneladas de alimentos e mais de 14 mil máscaras, no dia 8 de maio: o Várzea Sem Fome, criado pela TVila, o Futebol É Coisa Séria e a empresa Inine, e que ganhou repercussão na ESPN, blogs e o quadro Esporte, do telejornal Bom Dia SP, da TV Globo. Historicamente, os chamados “times de quebrada” se transformam em válvula de escape em esporte e lazer em um chamado cultura periférica.

A incrível atividade que conecta todas as regiões da Capital, o ABC Paulista e a Grande SP uniu mais de 300 times, inclusive, rivais, e também 5 fornecedoras de materiais esportivos concorrentes. Jogadores e ex-jogadores que gostam da várzea também deram seu tempo e incentivo ao projeto, como Zé Elias, Sandro Gaúcho, Adhemar e Márcio Careca. O ídolo flamenguista Zico fez seu papel de camisa 10 e pediu a colaboração do público em vídeo.

Aprofundando dados e números, a cada 1 hora de live foi arrecadada 1 tonelada de alimentos e a cada 1 tonelada de alimentos ajuda aproximadamente 56 famílias pobres, ou seja, quase 1 família por minuto.

A várzea é a raiz do futebol moderno e, no final de semana do Dia das Mães, mostrou que a essência ainda ama o “filho bola”.